DF: Número de passageiros do Metrô sobe 14,8% em dois anos

Por Rafael Martins

A demanda no sistema metroviário do Distrito Federal cresceu 14,8% entre 2016 e 2018, segundo dados divulgados pela Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) nesta quinta-feira (11). 

Os efeitos do crescimento da demanda é sentido por passageiros, que relatam superlotação nos trens e estações nos horários de pico; além das falhas no sistema. Apesar do crescimento, não houve ampliação da infraestrutura para comportar esse aumento do número de passageiros, visto que o modal metroviário opera próximo de sua capacidade máxima.

A projeção para 2019, de acordo com a Companhia, é de 7 milhões de usuários a mais do que em 2018, em razão da conclusão de mais três estações - 106 Sul, 110 Sul e Estrada Parque; do início do funcionamento do Centro Administrativo de Brasília (Centrad) em Taguatinga; e da ampliação do horário de funcionamento do Metrô, com abertura das estações às 5h30, de segunda a sábado.

Outro fator para o aumento da demanda foi a implantação do Bilhete Único que permite a integração intermodal  e temporal entre o sistema de ônibus e trens; principalmente nas cidades de Ceilândia, Samambaia e Águas Claras que contam com linhas integradas diretamente com algumas estações do Metrô. 

Ainda sobre o crescimento do número de passageiros, cabe destacar que a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios - PDAD 2018, diz que o número de pessoas que deslocam-se de metrô para o trabalho saltou de 2,64% em 2015 para 3,6% em 2018.


Contudo, a Companhia registrou um aumento no fluxo de passageiros nos três primeiros meses de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os trens transportaram entre janeiro e março mais de 11 milhões de passageiros, ante 8,4 milhões no primeiro trimestre de 2018.


A previsão do modal metroviário no Distrito Federal surge ainda na década de 1970, quando na elaboração do Plano Diretor de Transporte Urbano em 1979, em consonância com o Plano Estrutural de Ordenamento Territorial (PEOT) que se apoiava na tendência de ocupação do vetor oeste, utilizando para isso o transporte pelo modal rodoviário – ônibus. Tal diretriz, entretanto, acarretaria em forte aumento da demanda de passageiros num único eixo, o que justificava a indicação para o futuro da criação no mesmo eixo, de uma linha de transporte ferroviário. Essas e outras medidas foram então escalonadas ao longo das próximas décadas.

Seguindo as diretrizes do PEOT, a ocupação do vetor oeste se consolidou com a construção de Samambaia, Recanto das Emas e Águas Claras, e em paralelo a estas ocupações houve o início da construção do metrô, como opção do transporte de massa para as populações ali existentes, confirmando as previsões do PEOT. Atendendo à demanda do vetor oeste, ligando Samambaia e o centro de Taguatinga à Rodoviária do Plano Piloto, o Metrô DF é inaugurado na década de 2000 com quatorze estações. Em 2006 são entregues mais sete estações, que foram responsáveis por um aumento de 40% no número de passageiros/dia.

O projeto original do Metrô-DF é composto por 29 estações, das quais 24 estão em funcionamento. Com uma frota de 32 trens, transporta em média 160 mil passageiros por dia. Toda a via tem extensão de 42,38 km e liga a região administrativa de Brasília à de Ceilândia e Samambaia, passando pela Asa Sul, Setor Policial Sul, Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA), Guará, Park Way, Águas Claras e Taguatinga.

Para 2019, o a Companhia pretende entregar as estações da 106 e 110 Sul, no Plano Piloto, e a Estrada Parque em Águas Claras. Em março deste ano, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) concedeu licença ambiental para a expansão da Linha 1 do Metrô-DF em Samambaia. Com o documento, o Metrô poderá construir mais 3,6 km de via e duas estações na cidade, beneficiando aproximadamente 8 mil novos usuários por dia e elevando a arrecadação da empresa.