DF: DER quer inverter sentido de tráfego da faixa exclusiva dos ônibus da EPTG

Por Rafael Martins

A saga da utilização da faixa exclusiva e paradas de ônibus da EPTG continua. Desta vez o Departamento de Estradas e Rodagem (DER/DF) estuda colocar em prática a inversão de sentido de tráfego do corredor exclusivo para os coletivos nos horários de pico, e algumas intervenções na pista já estão sendo feitas desde a semana passada com a finalidade de testes para avaliação da melhor maneira de executar a obra para adaptar o corredor central da EPTG à frota de ônibus atual. As mudanças ainda não tem prazo para entrar em vigor.

A possibilidade de tirar os ônibus das vias marginais e colocá-los para rodar no contrafluxo nas faixas da EPTG no estilo 'mão inglesa', porém sem liberar o tráfego da faixa para os demais veículos nos horários de pico é visto como uma medida paliativa, enquanto a nova frota com veículos com portas à esquerda não são adquiridos.

Conforme o Pense Mobilidade revelou em julho de 2018, uma portaria da Secretaria de Mobilidade determinou que na próxima renovação de frota das empresas que operam linhas na EPTG - Marechal, São José e Urbi, deverão adquirir ônibus com portas dos dois lados. De acordo com a normativa, além de ter portas em ambos os lados, os veículos deverão possuir motor traseiro ou central e piso baixo.

Implantada em 31 de janeiro de 2012, atualmente a faixa exclusiva da EPTG é subutilizada: apenas 11 linhas semiexpressas circulam pelo corredor, em que os ônibus realizam os embarques/desembarques nas cidades de origem, porém não realizam paradas ao longo da EPTG; enquanto as demais linhas do utilizam as vias marginais, incluindo os ônibus do Entorno.


Na ausência de ônibus com portas dos dois lados, o Governo do Distrito Federal optou por flexibilizar o uso do corredor: táxis, ônibus de fretamento, ônibus rodoviários interestaduais, e veículos de transporte escolar são autorizados pelo DFTrans a trafegar na faixa da EPTG. Já os ônibus das linhas semiexpressas são obrigados a circular no corredor.

Desde agosto do ano passado, carros de passeio podem utilizar a faixa exclusiva nos fins de semana e feriados, sem restrição de horário. De acordo com o DER/DF, a flexibilização partiu de uma recomendação do Ministério Público, uma vez que na EPNB a mudança veio após a avaliação técnica concluir que nos fins de semana e feriados o fluxo de carros de passeio é grande na via, mas o de ônibus diminui consideravelmente. Como a EPNB já era liberada por este motivo, mas EPTG não, após uma audiência entre os órgãos de trânsito e o Ministério Público, o mesmo pediu a liberação definitiva nas duas vias por entender que essas diferenças causavam confusão principalmente para quem não mora no DF.

Com o fim das obras de ampliação da capacidade viária, bem como a construção do corredor de ônibus junto ao canteiro central em 2012, a EPTG passou a ser um importante eixo viário de ligação da região oeste do DF para o Plano Piloto, em que as pistas centrais passaram a ter características de via expressa voltada para tráfego de alta velocidade, onde há ausência de cruzamentos e trechos semaforizados devido a rampas de acesso, trincheiras e elevados em pontos que antes eram gargalos de trânsito e impediam a fluidez do tráfego; como nos acessos a Vicente Pires e SIA.

Como o corredor de ônibus da EPTG não possui barreiras físicas que impeçam a invasão do automóvel na faixa - a segregação atual dá-se por tachões e pintura - e a via tem um limite de velocidade de 80km/h, é alta a possibilidade de um choque frontal. Em virtude dos deslocamentos serem pendulares, o tráfego no contrafluxo dos ônibus é menor, o que contribui para a alta velocidade dos demais veículos. Com a inversão de tráfego na faixa exclusiva, a sinalização vertical e horizontal precisará ser reforçada, visto que muitos motoristas avançam sobre o corredor de ônibus para ganhar tempo e fugir do congestionamento.

Sobre as paradas na EPTG, o Pense Mobilidade mostrou em janeiro deste ano que as densidades urbanas ao longo da via expressa são baixas. Chama-se a atenção neste caso, que atualmente nos quase 13km da EPTG, há apenas quatro pontos que podem ser considerados PGVs (polos geradores de viagens): as paradas de ônibus com maior movimentação de passageiros estão localizadas no SIA, Guará (Lucio Costa e Florida Mall), nas imediações do viaduto Israel Pinheiro (acesso a Vicente Pires), e no acesso à Águas Claras próximo a Unieuro. Destaca-se que SIA, Águas Claras e Guará são centralidades em que cada uma concentra cerca de 2% dos postos de trabalho do Distrito Federal, segundo dados da PDAD 2018.