DF: Semob publica edital para estudos de implantação do VLT na W3

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Por Rafael Martins

E mais uma vez os debates para tirar do papel o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na via W3 voltam à agenda governamental. A Secretaria de Mobilidade publicou hoje (23) um edital de Chamamento de Manifestação de Interesse para que empresas apresentem projetos, levantamentos, investigações e estudos de viabilidade de implantação da tecnologia ferroviária que vai ligar o Aeroporto JK ao Terminal Asa Sul e ao Terminal Asa Norte, passando pela W3. Nesses terminais, os passageiros das linhas provenientes de outras regiões administrativas e destinados à W3 e sua área de influência podem transferir-se para o metrô leve.

Contudo, os projetos e estudos a serem feitos devem compreender obrigatoriamente que os trens do VLT devem ter alimentação elétrica, em princípio, por catenária, podendo ser utilizadas outras tecnologias; avaliação da retirada de circulação de todos os ônibus que hoje trafegam na via W3; implantação de sistema de circulação para bicicletas e pedestres, entre as quadras 600 e 900; operação e manutenção, por concessionária privada, dos sistemas de veículo leve sobre trilhos e de circulação para bicicletas e pedestres, entre as referidas quadras.

Segundo o edital, a partir de hoje as empresas terão um prazo de 15 dias úteis para os interessados apresentarem a documentação. Decorrido este prazo, as empresas terão até 120 dias corridos, contados a partir da publicação do termo de autorização, para apresentarem os estudos e projetos do VLT.

Previsto no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), o metrô leve seria uma linha distribuidora do Plano Piloto da demanda oriunda dos terminais da Asa Norte e Sul, que teria uma frota operacional de 39 veículos, com um headway na W3 de 5 minutos na hora de pico, e capacidade de 560 passageiros por veículo, com uma velocidade de 21 km/h a 35 km/h. A linha do VLT teria 22 estações e dois terminais em operação ao longo do percurso.


O VLT na W3 era o principal projeto para melhorar a mobilidade urbana em Brasília para a Copa de 2014, orçado em R$ 1,5 bilhão - cuja proposta contemplava também uma reestruturação urbana na W3. 

A partir de 1970, a W3 configurou-se como como corredor tradicional de comércio e serviços do Distrito Federal, sucedendo a Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante) como coração econômico da cidade. Este foi um resultado da ocupação preferencial e concentração de população de elevado poder aquisitivo na Asa Sul. Com a chegada do Park Shopping em 1983, a EPIA transforma-se numa importante via de acesso aos grandes centros comerciais e de serviços. As sucessivas inaugurações de shoppings centers e oficinas de reparos nas décadas seguintes significaram a decadência da W3 Sul como eixo comercial preferencial da cidade, fato constante até os anos 1980.

Hoje um dos maiores desafios na política de gestão urbana estão em revitalizar e reocupar os espaços vazios da degradada via W3, principal corredor de transporte e de circulação do Plano Piloto que possui alta concentração de postos de trabalho. Atualmente, circulam quase oito ônibus por minuto pela W3 , num total de 453 por hora, transportando cerca de 110 mil passageiros por dia. A pretensão é fazer com que o VLT promova uma redução no número de carros na W3, estimada em 30%.