DF: Conheça a história do Antônio do Livro, fundador do projeto Cultura no Ônibus

Antônio do Livro no espaço Cultura no Ônibus na Rodoviária do Plano Piloto
Por Rafael Martins

"Na parte central da plataforma, disposto lateralmente, acha-se o saguão da estação rodoviária com bilheteria, bares, restaurantes, construção baixa, ligadas por escadas rolantes ao hall inferior de embarque, separado por envidraçamento do cais propriamente dito. O sistema de mão única obriga os ônibus, na saída, a uma volta, num ou noutro sentido, fora da área coberta pela plataforma, o que permite ao viajante uma última vista ao eixo monumental da cidade antes de entrar no eixo rodoviário-residencial - despedida psicologicamente desejável”. Essas palavras são do arquiteto e urbanista francês Lúcio Costa, tiradas do Memorial do Plano Piloto de Brasília. Era a descrição de como seria a Rodoviária do Plano Piloto.

Quando a mão de Lúcio Costa desenhou a cruz de onde brotariam as Asas e os Eixos, ficou decidido que Brasília seria um lugar e que a Rodoviária fosse o marco zero de tudo. Hoje o maior terminal de ônibus do DF é muito diferente daquele imaginado pelo arquiteto. Mas mesmo assim, virou o maior ponto de passagem da cidade. Virou referência. Virou monumento. Mais de 800 mil pessoas transitam no local, e eu sou uma delas.

Do alto da Plataforma Superior, diminuo o ritmo dos meus passos, quase parando e observo aquele movimento de pessoas e ônibus, em meio a reforma do terminal que se arrasta por anos. E a Rodoviária, uma das primeiras obras da capital, não para nunca. Nesse ritmo frenético e diário, em meio a uma multidão, parece inacreditável imaginar um oásis de calmaria, mas ele existe, no térreo da Rodoviária, embaixo do mezanino.

O relógio marca quase 10h, horário este agendado para conversar com o Antônio do Livro, fundador e coordenador do projeto Cultura no Ônibus. Enquanto caminho em direção ao espaço do projeto, é impossível não se admirar com a imagem da multidão na Rodoviária, onde cada um sabe bem o seu papel. Ao fim da Plataforma E, contornando para a Plataforma D, encontra-se o espaço Cultura no Ônibus.

Uma enorme arte gráfica na parede, com uma menina abraçando um livro e uma expressão de felicidade, diz que estou no lugar certo. No alto, o nome do espaço "Cultura no Ônibus" e a logo da Viação Piracicabana, apoiadora deste projeto social. Um grande tambor de metal ao lado da porta, pintado em vermelho, traz uma placa indicativa de que ali poderia ser depositado as doações de livros. De maneira criativa, a porta que dá acesso a sala é uma página de um livro. Outra porta, desta vez com grades e fechadura, mostra o interior do espaço, com estantes cheias de livros, arquivos, algumas caixas no chão e uma pequena mesa com um computador. Ali, sentada, estava Deborah, auxiliar do projeto na Rodoviária.

- O Antônio se encontra? - pergunto.

- Você é o Rafael, não é? Então, ele ainda não chegou, mas entre e fique a vontade.

Ao entrar na sala, me deparo com diversas obras de inúmeros autores, mas dispostos de forma organizada. Tem a seção de literatura estrangeira, literatura nacional, livros com a temática espírita, livros didáticos e acadêmicos, gibis... Reconheço alguns títulos que li (e não foram poucos). Vejo também caixas com alguns livros e ao lado da porta, algumas latas de tinta.

- Aqui o espaço está em reforma, vamos trocar as estantes, organizar tudo direitinho, mas vamos fechar temporariamente aqui devido as obras da Rodoviária - diz Deborah.

Do lado de fora, uma pessoa deixa uma sacola naquele tambor de metal. Deborah e eu vamos conferir o que é.

- Às vezes, as pessoas confundem como lixo, acredita?, mesmo tendo o aviso de que é pra receber doações - desabafa a auxiliar.

Felizmente eram livros, e haviam mais exemplares avulsos no fundo do tambor. Ajudo Deborah a recolhe-los. De volta a sala, ela me conta como seleciona os livros para compor o acervo, que chega a 2 mil obras.

- Sempre tem livros aqui pra pegar, e a primeira coisa que faço é uma triagem para ver os títulos do livro, o assunto que possa interessar as pessoas. Hoje chegaram mais livros, e eu estou selecionando dois exemplares de cada por tema, mas ainda estou organizando tudo. Daí eu faço o registro no sistema dos livros que chegam, e alguns exemplares ficam aqui. Quem pega emprestado aqui comigo, a gente cadastra o leitor e ele tem que devolver aqui na Rodoviária num prazo de 15 dias. Funciona como uma biblioteca normal, como qualquer outra. Outros exemplares são para abastecer as estantes dentro dos ônibus, então a pessoa pega, lê e devolve em qualquer ônibus da Piracicabana - conta Deborah.

Ela me mostra um livro com um carimbo do projeto, e explica que isso é para as pessoas que pegam o livro dentro do ônibus, mas levam para casa, tenham a consciência de que terão que devolvê-lo em algum ônibus da Piracicabana.

Carimbo com as instruções do projeto Cultura no Ônibus

- Agora se a gente encontra um livro sem o carimbo, sabemos que foi doação, e ele passa por esse mesmo processo, de cadastro no sistema e recebe o carimbo do projeto. Tem muita gente que gosta de vir aqui, tem gente que vem toda semana. Tem uma senhora que é de Planaltina, ela gosta muito dessa parte espírita e de auto ajuda. Toda semana ela leva dois e traz de volta. Quando chegar as outras estantes, vai ter mais livros assim. O pessoal gosta, acho que são os que mais saem daqui - destaca a auxiliar.

- E tem linha que, por exemplo sai da Rodoviária para uma viagem com a estante cheia e volta vazia? - questiono curiosamente.

- Tem sim, geralmente é na linha 110 da UnB, a 107 que faz a W3 Sul, a 116 que vai pra W3 Norte; assim, as linhas circulares aqui do Plano. Outra coisa também é que em todo começo de operação pela manhã lá na garagem, o pessoal de bordo, que também são voluntários do projeto, conferem se as estantes tem livros ou não. Se não houver, na garagem mesmo tem o estoque para fazer a reposição dentro dos ônibus. Já aqui na Rodoviária quem repõe sou eu.

De repente, o telefone toca e Deborah atende.

- É o Antônio, perguntando se você está aqui.

Enquanto Deborah está ao telefone, vejo em cima de uma caixa um livro antigo, grosso, algo em torno que estimo ter 500 páginas, de capa dura com uma caneta de pena fixada em sua lateral, sem título e autor, que desperta minha atenção.

- O Antônio disse que vai poder te atender só a tarde, tem problema?

Sinalizo com a cabeça que não, pois já iria encontrar com alguns amigos da UnB, o que ocuparia esse espaço de tempo; porém minha atenção permanece presa naquele livro. Ao desligar o telefone, Deborah percebe meu olhar fixo e pensativo.

- Chegou hoje aqui, quando fui verificar o tambor logo pela manhã. Achei interessante, mas para a gente não tem serventia. Não tem nada escrito nele, nem título, nada. Se quiser levar...

No momento em que minhas mãos tocam aquele misterioso livro, sinto uma estranha sensação e ouço um suave badalar de um sino, um som puro, limpo... Olho para trás em direção a porta para ver se alguém estava passando ali com algum sino nas mãos. Não havia ninguém.

- Escutou? - pergunto.

- O quê?

- Algo como um som de sino de uma catedral, um som suave, porém marcante...

- Deve ser o vendedor aqui que fica de frente o nosso refeitório, se bem que nunca ouvi esse som que está falando aqui - questiona Deborah

- Deve ser coisa da minha cabeça, enfim...

Guardo o livro em minha mochila, e me despeço de Deborah, avisando-lhe que retornaria à tarde. Sigo pela Plataforma E para embarcar em um circular pra L2 Norte. O relógio marcava próximo das 11h30 e certamente a linha 110 estaria com alta demanda, aliás quando é que não está? Com minha bagagem pesada por conta daquele livro, não queria ir em pé, então resolvi esperar o circular pra L2 Norte.

Embarco no 115.1, passo meu Bilhete Único e sento no banco que fica atrás da estante do projeto Cultura no Ônibus. O coletivo segue viagem pelo Eixo Monumental até o retorno semaforizado que dá acesso à L2 Norte. Com o ônibus parado ali, observo a arquitetura e o movimento de Brasília. Apesar de estar distraído, percebo que uma senhora pega um livro na estante em minha frente. De relance, recordo-me daquele livro que ganhei na Rodoviária, e o pego para dar uma olhada.

Novamente o tenho em minhas mãos, com aquela estranha sensação, e ouço o badalar do sino. Abro o livro e não há nada escrito, nenhum registro, nenhuma palavra. De repente, o espaço-tempo começa a se distorcer, fragmentar. As pessoas ao meu redor permanecem estáticas, como se nada estivesse acontecendo. Então o livro que carrego começa a emitir um brilho reluzente, que me cega momentaneamente.

Ao abrir os olhos percebo que ainda estou dentro de um ônibus, mas não era o que havia embarcado na Rodoviária e nem estava no Plano Piloto. Acredito estar na BR-020, quando vem meu primeiro choque: estou a enxergar tudo em preto e branco. Olho para o lado e vejo alguns passageiros encostados no vidro dormindo, outros conversando, lendo ou ouvindo música. Começo a observar o ônibus em si: piso de chapa de alumínio, bancos de fibra, duas portas sem acessibilidade, sem o validador da bilhetagem eletrônica. Dou-me conta que não estou em 2018, e que as pessoas ali dentro não me enxergam.

No posto do cobrador, vejo um homem de mais ou menos 1,70 de altura, cabelo raspado não muito baixo, vestindo calça e sapatos pretos, e a camisa julgo ser azul, visto que o uniforme padrão dos cobradores de ônibus é assim, todavia, o que me chama a atenção é a logo da empresa estampada no lado esquerdo: Viplan. Quando vi o livro em cima da caixa de cobrador, tive a certeza de que se tratava de Antônio. Lembro-me de sua fisionomia em diversas reportagens que li.

O livro que carrego começa a emitir um fraco brilho, de forma que chama minha atenção. Resolvo abri-lo nas primeiras páginas, e meu instinto diz para pegar a caneta de pena, que ao tocar a ponta na folha, a tinta começa a se espalhar e para minha surpresa, magicamente surgem as palavras "Capítulo I", e uma história começa a ser contada...

***

CAPÍTULO I - A ÁRVORE LITERÁRIA DE ANTÔNIO

Vim de uma humilde família de agricultores no interior do Maranhão e cresci trabalhando na roça. Perdão, eu não me apresentei: me chamo Antônio da Conceição Ferreira, mas sou conhecido como Antônio do Livro, o fundador do projeto Cultura no Ônibus.

Esse projeto surgiu da minha aptidão para estudar e um dia concluir o ensino superior. Lá no Maranhão, quando pequeno, eu folheava as notícias de jornais que meu pai trazia embrulhado os produtos que comprava. Eu estudei em escolas públicas, mas sempre superando os obstáculos que a vida impunha, muitas vezes apelando a colegas para conseguir livros e materiais emprestados para que pudesse seguir com meus estudos. Sempre fui ligado à leitura, apesar de não haver um incentivo a isso onde estudei.

Cheguei em Brasília em 1993 com o objetivo de estudar e trabalhar, mas não foi possível conciliar os dois ao mesmo tempo. Aí eu preferi trabalhar, mas sem perder a esperança de um dia eu voltar a estudar e ter um curso superior. De 1994 a 2000 eu trabalhei como balconista de várias lojas, em mercado, loja de tecido, loja de venda de eletrodomésticos, mas sempre pensando em um dia estudar.

Em 2000, entro na empresa Viplan como cobrador de ônibus. Eu era muito tímido na época, mas sempre observando e interagindo com os passageiros no dia a dia. Nessa época eu trabalhava no circular de Sobradinho 2 e por gostar bastante de leitura, tive uma ideia: coloquei um livro em cima da caixa do cobrador, e o passageiro olhava, lia o título e eu ficava só observando, até que um dia uma senhora que morava em Sobradinho 2 perguntou se eu gostava de ler. Respondi que sim e uma semana depois ela trouxe três livros: os autores eram Jorge Amado, Machado de Assis e Paulo Coelho.

Um dos livros que ganhei e li foi Capitães de Areia. Gostei da história, porque traz um retrato dos meninos lá da Bahia, que são os capitães de areia, os quais o Jorge Amado retrata como uma denúncia social por falta de educação e cultura, e aquilo me sensibilizou. Fiquei preocupado com os meus filhos, de ver a história daquele livro, e para não deixar aquela narrativa se concretizar, decidi levar o Cultura no Ônibus para frente, ou seja, dar oportunidade a outras pessoas e incentivar a adquirir conhecimento, cultura, literatura.

Então os passageiros da linha em que trabalhava começaram a me doar os livros na roleta, e com o aumento das doações passei a coloca-los numa caixa de papelão debaixo da cadeira do cobrador, e o pessoal achando aquilo interessante. Eu também buscava os livros na casa das pessoas, ligava para conhecidos e amigo de conhecidos pedindo livros e eles doavam, inclusive vários rodoviários me ajudando a buscar livros nas casas; e desde então insisti no projeto porque eu vejo o outro compartilhando cultura, conhecimento, é a educação sendo compartilhada cada vez mais.

Dessa caixa de papelão, passei para uma porta livros improvisado feito de porta-revistas, como aqueles de banca de jornal como o do Correio Braziliense, sabe? Coloquei esse porta-revistas ali naquele vidro que funciona como uma divisória para quem está antes e depois da catraca, onde fica o validador e o cobrador, que tem um espaço próprio para a propaganda. Então quando a pessoa passava na roleta, já via que tinha algo diferente ali, que chamava a atenção. Eu colocava os livros e o passageiro já via e olhava curioso, pegava e foi gostando e sentindo aquela motivação.

Com o passar do tempo fui melhorando esse suporte dos livros dentro dos ônibus, colocando o nome do projeto, a instrução do projeto. Fiz o manual instrutivo nas divisórias, tirei o nome do jornal e coloquei o manual de instrução ali, entre os locais onde ficavam os livros. Nessa época o projeto começou a ter visibilidade e passei a dar entrevistas para jornais e TV’s. Mas eu tinha um desejo de ver cada ônibus que roda no Distrito Federal com esse suporte, entende? Foi quando decidi apresentar o projeto de expansão do Cultura no Ônibus.

A gestão da Viplan todo o tempo motivou e apoiou, eles me receberam bem. Procurei o Wagner Canhedo umas três vezes, mas ele não pode me atender, porém o Wagner Neto, filho dele, quando o procurei me recebeu; e então apresentei a proposta de expandir o projeto. Solicitei mil reais para custear o Cultura no Ônibus, a minha liberação e 31 ônibus para ter esse projeto.

Nessa época já estava na fase da licitação e transição das empresas. Aí eu procurei a Jô, a secretária do Wagner Neto, e ela me falou o seguinte: “o Wagner Neto aprovou as propostas, levou para o Wagner Filho que também aprovou, mas pediu deixar passar a licitação para dar andamento ao projeto”. Então ficou acertado os 31 ônibus e os mil reais para custear o projeto e a minha liberação.

Só que a Viplan não ganhou a licitação, saiu do sistema e entrou a Piracicabana que viu esse projeto, essa minha paixão pelos livros e me chamou para poder crescer o Cultura no Ônibus. Entrei como cobrador, mas logo depois fui desligado da função para assumir o projeto. Hoje todos os ônibus da Piracicabana têm essa estante, organizada com o nome do projeto, o espaço para os livros. Ver que tudo isso nasceu daquela iniciativa de colocar um livro em cima da caixa da roleta, foi uma das minhas maiores realizações. Lembro-me como se fosse ontem quando o pessoal me doava os livros na roleta, e as doações que recebia ficavam em casa, e custeava tudo do meu bolso. Nesse espaço lá em Sobradinho 2 tinham em média 8 mil livros, incluindo revistas, livros didáticos.... Não foi uma época fácil, em que eu tive que alugar um espaço para poder guardar tudo isso. Ganhava quase R$ 600 reais como cobrador, tirava em média uns R$ 280 para o aluguel e mais R$ 120 para pagar o lugar onde ficavam os livros.

Já na Piracicabana, eu conversei com o Fausto, diretor da empresa, que me perguntou onde queria um espaço, como se fosse uma biblioteca onde as pessoas pudessem doar os livros, pegar os livros emprestados. Eu disse que na Rodoviária do Plano Piloto, porque é lá que tem gente, onde tem movimento, onde Brasília passa. Viemos, demos uma olhada onde poderia ser esse espaço. Em 29 de outubro de 2015, no Dia Nacional do Livro, inauguramos o espaço Cultura no Ônibus, onde ficam os livros e a gente recebe doações. O espaço funciona como se fosse a central do projeto na plataforma D da Rodoviária. Nesse dia também tive a surpresa de receber o título de membro da Academia de Letras de Taguatinga. Foi um evento lindo na Rodoviária, ver as pessoas olhando e folheando os livros, se interessando pelo projeto.

O Cultura no Ônibus ultrapassou as fronteiras de Brasília quando autorizei levar esse projeto para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; nas empresas do grupo da Piracicabana. Foi notícia até em jornal que seria coordenador de expansão do projeto. E eu quero crescer o projeto aqui no DF, cresce-lo ainda mais. Fazer educação, levar conhecimento as pessoas. Já veio passageiro falar comigo no WhatsApp dizendo que meus livros ajudaram a passar em concurso público, ajudaram numa prova, num trabalho... Até os rodoviários já estão reconhecendo os valores que tem um livro, pois um dia eu estava dentro do ônibus, e vi um rodoviário pegando um livro e lendo.

A leitura e os livros são uma arma poderosa, uma forma de mudança social. Incentivo meus dois filhos desde pequeno a ler, estudar e produzir conhecimento, tanto que um deles já está estudando para passar no vestibular para engenharia civil na UnB.

Projeto Cultura no Ônibus - Viação Piracicabana

Confesso que quando houve a licitação, pensei que eles iam colocar o projeto dentro de todos os ônibus, assim como foi colocado a televisão e a lixeira que são itens obrigatórios. Qual a diferença entre colocar uma lixeira ou TV de uma estante de livro? Porque cultura tem que ter hábito. Várias pessoas já me deram livro na roleta, e já presenciei várias vezes doando um livro para o cobrador. Qual a dificuldade em expandir esse projeto em todo o DF? Estou cursando administração, além de ter feito um semestre de letras e ter participado como aluno especial da turma de biblioteconomia. E nesse meu curso em biblioteconomia na UnB, eu tive a disciplina de psicologia, e o teórico da disciplina utilizado foi o Skinner que diz que o ambiente estimula a pessoa. Tenho como meta colocar um porta-livros em pelo menos um ônibus de cada linha do transporte coletivo do DF.

Nós vemos em outros países os livros próximos das pessoas. E no Brasil os livros têm que estar próximos das pessoas, para provocar as pessoas a ler e a folhear livro. E aí sim, a gente tem o que? igualdade social por meio do conhecimento. A pessoa que lê fica observadora, fica criativa. O livro é a fonte de conhecimento mais segura que tem, e eu não vou deixar de lutar enquanto não ver esse projeto expandido por todo o DF e Entorno.

***

A arrancada do ônibus partindo me desperta. Ao abrir os olhos, vejo que estou saindo daquele retorno semaforizado, entrando na L2 Norte, no Plano Piloto. Sem entender o que aconteceu, olho para o livro que recebi na Rodoviária; mas desta vez assusto-me com o que vejo. Em letras douradas, o título "Crônicas de um viajante do tempo", e meu nome como autor do livro. Abro e vejo a história de Antônio registrada, linha por linha.

Resolvo descer no primeiro ponto da L2 Norte e retornar a Rodoviária a pé. Olho novamente para aquele livro em minhas mãos, sem compreender ainda o que havia acontecido. Caminho em direção a Rodoviária observando atentamente a obra prima de Lúcio Costa, e de repente o livro começa a brilhar. Com a caneta de pena em mão, o Capítulo II começa a tomar forma com as primeiras palavras - “Eu caí na realidade, e uma das realidades que me surpreenderam foi a Rodoviária, à noitinha. Eu sempre repeti que essa Plataforma Rodoviária era o traço de união da metrópole, da capital, com as cidades-satélites improvisadas da periferia" - palavras do arquiteto e urbanista Lucio Costa. O brilho do livro fica intenso, uma nova jornada começa e a história continua...

Conheça o Cultura no Ônibus

O projeto 'Cultura no Ônibus' está presente no Distrito Federal nos 525 ônibus da Viação Piracicabana, além de ter sido expandido para os ônibus das empresas Princesa Mogi (SP); Turb Petrópolis (RJ); Piracicabana Praia Grande (SP); Expresso Maringá do Vale (SP) e Piracicabana Uberaba (MG).

As doações aqui no Distrito Federal podem ser feitas no espaço Cultura no Ônibus na Rodoviária do Plano Piloto (Plataforma Inferior); Terminal Rodoviário de Sobradinho II; Rodoviária de Sobradinho I; Rodoviária de Planaltina; ou colocá-los nos porta-livros do projeto nos ônibus da Viação Piracicabana. 

Quem quiser conhecer mais sobre o projeto pode acessar a página www.culturanoonibus.com.br