Anápolis: Urban promove qualificação de motoristas em maior programa de aprimoramento profissional da história da empresa

Turma de motoristas da Urban após a conclusão do treinamento
Por Rafael Martins

Como é o treinamento dos motoristas de ônibus da Urban? Para buscar essa resposta, o Pense Mobilidade foi convidado pela empresa e durante dois dias participou da intensa rotina de treinamento, que inclui aulas teóricas e práticas com duração de oito horas. Divididos em 26 turmas, os treinamentos que ocorreram de segunda a sábado, os mais de 300 motoristas aprenderam como lidar com os passageiros em geral, em especial pessoas idosas, passageiros portadores de necessidades especiais (cadeirantes, deficientes visuais e etc.) a fim de que eles se sentissem verdadeiros cidadãos ao adentrarem nos ônibus e, até, no Terminal Urbano.

O treinamento começa às 8h da manhã no Terminal Urbano, quando os motoristas apresentam-se na sala de treinamento onde são ministradas as aulas teóricas, sendo feita uma chamada nominal para conferir a presença de todos na turma.

A primeira exposição foi feita por Michele Barbosa, representando o setor administrativo da empresa, que explicou sobre a importância do preenchimento correto da folha de ponto. O trabalhador é o responsável por preenchê-la, cabendo à empresa verificar se o controle está sendo preenchido corretamente, não devendo ser arredondado.

Michele mostra quais são os erros mais comuns ao preencher a folha de ponto

Michele mostrou quais são os erros mais comuns ao se preencher este documento; visto que as informações apresentadas podem ser divergentes das que constam no sistema de bilhetagem da Urban. Isto ocorre pois tanto o motorista quanto o cobrador são responsáveis por abrir e encerrar o turno de viagens no carro o qual estão escalados; e portanto o horário de entrada na empresa não pode ter um intervalo grande com o de abertura de viagens registrado no validador.

Ela destacou também que os motoristas devem evitar o registro uniformes da folha de ponto, o que é apelidado de “ponto britânico”. Uma importante dica dada pela profissional é que os motoristas assinalem as folgas na folha de ponto a lápis, pois caso haja alguma mudança na escala (como cobrir a falta de um colega no dia), o mesmo poderá alterar sem rasurar a folha de ponto. Michele explicou que por tratar-se de documento oficial, a folha de ponto não pode ser rasurada. Em pequenos casos, é possível utilizar corretivo, mas sempre acompanhado de uma anotação no verso explicando a alteração e com assinatura do motorista.

Ao longo da apresentação, ilustrou quais são os pontos onde tendem a mais erros no preenchimento, e qual a maneira adequada de apresentar as informações na folha de ponto, além de retirar dúvidas dos colaboradores.

Cabe destacar que a folha de ponto é uma ferramenta documental que protege tanto o empregado quanto o empregador em eventuais disputas judiciais ou conflitos para definir discussões de horas extras. Com o passar do tempo, tal procedimento pode ajudar o contratante em outras obrigações como demitir um funcionário por justa causa que não esteja cumprindo com os seus horários com regularidade. Para o funcionário que é correto em seus horários, a folha de ponto pode ser de grande ajuda em uma eventual demissão, garantido o recebimento de todos os seus direitos.

Seguinte à apresentação administrativa, Marcos Paulo fez uma explanação operacional das linhas diametrais do Daia e a integração temporal.

Marcos Paulo instrui sobre as linhas diamentrais do Daia

Marcos em sua fala inicial, explicou aos motoristas presentes sobre o que eram as linhas diametrais, para quem se destinavam esses itinerários e como identificar essas linhas - que seguem um padrão de código com a inicial 9 seguido do prefixo da linha. O profissional também repassou algumas orientações aos motoristas sobre a execução de algumas linhas diametrais em horários específicos - em especial a que atende o Recanto do Sol e Jaiara, que representam as maiores demandas de passageiros.

Um dos pontos importantes listados foram a configuração dos validadores e itinerários dos ônibus, visto que o número da linha que consta no validador deve ser correspondente ao itinerário do ônibus, pois realizar várias viagens sem mudar a configuração do validador além de trazer transtornos ao controle operacional, também prejudica os usuários que pretendem utilizar a integração temporal. 

Sobre esta integração, Marcos explicou do que se trata este modelo de integração, onde ficam os pontos de conexão e quais são as recomendações a serem repassadas aos usuários que utilizam o benefício, como por exemplo, ao embarcar no ônibus passar imediatamente pela catraca. Orientou-se também que caso o usuário encontre alguma divergência ou transtorno ao utilizar a integração, como débito tarifário na integração em que não deveria haver cobrança adicional, o passageiro deve entrar em contato com a ouvidoria da empresa através do número 0800 029 1900 com as seguintes informações: número do ônibus, horário e local do embarque, linha embarcada e sentido da linha (centro ou bairro).

Na sequência houve a palestra do psicólogo do SEST/SENAT sobre drogas, direção e álcool; e a Enfermeira Núbia Elias ressaltou os benefícios de uma alimentação balanceada, e em alusão ao Novembro Azul lembrou os motoristas da importância de realizar o exame de próstata, mas também fazer exames periódicos durante todo o ano (ver álbum de imagens abaixo sobre as aulas teóricas).

Treinamento dos motoristas Urban - Aula teórica (Dia 2)

A exposição final, e também a mais longa do curso teórico, ficou a cargo do instrutor Osvanil dos Santos, em que discutiu-se questões relacionadas a:

- relacionamento interpessoal, onde deve haver um tratamento educado, digno e cortês com os colegas de trabalho e principalmente com os usuários - aqui tratados como clientes Urban;

- comportamento operacional, em que lembrou-se das regras contidas no contrato de concessão e regimento interno da empresa;

- reforçou-se da importância da configuração correta das linhas no validador (responsabilidade do motorista e cobrador) e uso correto do itinerário eletrônico, onde apontou-se as situações em que se usa o itinerário "Fora de Linha" e "Expresso", bem como NUNCA deslocar-se com o ônibus com o itinerário desligado. Nas palavras do instrutor, o itinerário eletrônico é o primeiro e principal contato visual que o cliente Urban têm ao utilizar o serviço de transporte;

- responsabilidade sobre o veículo, em que deve-se conferir o ônibus interna e externamente, e do funcionamento adequado do veículo antes de iniciar a viagem no turno o qual está escalado;

- fatores que geram atrasos nas viagens;

- procedimentos relacionados à faltas justificadas, em caso de acidentes e socorro em via;

- correto preenchimento do Boletim de Controle Operacional (BCO);

- legislação de trânsito e transporte, e direção defensiva;

- velocidade correta das vias;

- cuidados com a arrecadação;

- funcionamento do Terminal Urbano (normas para desembarque e acesso ao Terminal);

Osvanil aponta sobre a proibição de guardar objetos no painel dos ônibus

Em relação a legislação de trânsito e direção defensiva, Osvanil trouxe situações em fotos e vídeos (acidentes, desrespeito as normas de trânsito, etc) que aconteceram com os próprios motoristas da Urban. O instrutor lembrou a todos que "o excesso de confiança pode ser um erro", um erro que pode custar a vida de todos; pois o motorista é responsável por transportar vidas, e precisa ter o zelo com quem está embarcado no ônibus, mas também com os pedestres e condutores em geral. As palavras-chave nessas orientações foram: atenção, previsão e percepção, lembrando sempre do princípio da coletividade em que os maiores protegem os menores no trânsito.

Outra questão levantada foram os pontos com maior índice de acidentes, e o que fazer para evitá-los. Dentre os locais listados estão a Avenida Pedro Ludovico, e os viadutos Nelson Mandela, do Daia, trevo da TCA e Ayrton Senna. Esta foi a parte do curso teórico onde houve um maior número de exposições das situações listadas anteriormente (acidentes, desrespeito as normas de trânsito, etc), e que promoveram a segunda maior discussão entre os participantes.

Em relação a acidentes envolvendo os ônibus, apontou-se duas situações (com vítimas, e sem vítimas) e qual o procedimento a ser adotado em ambos os casos.

Na liderança dos questionamentos dos motoristas estão as normas operacionais do funcionamento do Terminal Urbano em relação aos desembarques. Osvanil apontou que existe toda uma logística para os desembarques que permitem que o Terminal funcione como uma engrenagem perfeita. A ordem certa de chegada dos ônibus no desembarque permite a liberação de 09 veículos por vez na guarita (onde são repassadas as viagens) para o interior do Terminal.


Dentre as orientações, está autorizado o desembarque na área destinada a este fim (que fica na entrada principal do Terminal), nas áreas demarcadas ou dentro dos boxes. Acerca deste último, na guarita consta a informação para os motoristas que o box está livre e que pode ser efetuado o desembarque lá. Isto agiliza a entrada dos ônibus e permite soltar um maior número de viagens até as plataformas de embarque, diminuindo os atrasos de saída dos ônibus no Terminal.

Os desembarques no pátio de manobras do Terminal estão proibidos, bem como a travessia de um lado para o outro dentro do Terminal, que devem ser feitas somente nas faixas de pedestre. Na avaliação dos motoristas, a sinalização horizontal bem como a organização dos desembarques, já melhorou bastante o tráfego internamente no Terminal. Na visão de Osvanil, os motoristas já estão sendo instruídos com essas diretrizes para que já estejam aptos quando as obras de requalificação do Terminal Urbano estiverem concluídas. Ao final foi exibido o vídeo institucional sobre como ficará o Terminal Urbano, já exibido com exclusividade pelo Pense Mobilidade em novembro.

Desembarque seguro no Terminal Urbano

Aula prática

Às 14h30, no estacionamento da Urban que fica a poucos metros do Terminal Urbano, é o ponto de partida para a aula prática. Ainda no local, os motoristas são colocados, com os olhos vendados, em um ônibus, para sentirem o que os deficientes visuais sentem. Da mesma forma, têm membros (pernas e braços) imobilizados e/ou são colocados em uma cadeira de rodas, experimentando o que os passageiros especiais passam no dia a dia. Isso os ajuda a compreender as dificuldades e as necessidades das outras pessoas e desperta em todos eles o sentimento de responsabilidade durante o trabalho.

O treinamento inclui aulas com simulação, quando os motoristas da Urban interpretam o papel de clientes com dificuldades para embarcar e viajar

Na saída do estacionamento, a primeira avaliação: condução econômica. Trata-se do conjunto de conhecimento e prática que visam o melhor aproveitamento dos recursos naturais de equipamentos e de mão-de-obra. Dessa forma, significa operar o veículo de modo a acionar os mecanismos de controle (acelerador, freios, direção, caixa de transmissão) em sintonia com as situações que acontecem ao longo da viagem (subidas, descidas, retas e curvas). Diante da dificuldade em melhorar a geração de receitas, em função da altíssima competitividade que vigora nas operações de transporte e do constante aumento dos insumos necessários, a condução econômica acaba ganhando um peso muito importante na participação da redução de custos e no aumento da disponibilidade dos veículos.


No primeiro dia de treinamento prático em que o Pense Mobilidade esteve presente, as simulações ocorreram nas imediações da Rodoviária. Inicialmente os motoristas foram supervisionados por Osvanil quanto ao uso do elevador, sem este repassar dicas ou orientações. Depois disto o grupo composto por um deficiente físico, um visual e um com de muletas, tiveram de realizar a travessia na Avenida Brasil até o ponto de parada localizado na Rodoviária e embarcar no ônibus de treinamento.


As fotos do primeiro dia de treinamento podem ser conferidas no álbum abaixo. Conforme as imagens, a acessibilidade ainda é bastante precária; e com o agravante de que não há respeito nos pontos de parada em que os carros acabam estacionando e obstruindo o embarque seguro dos passageiros do transporte coletivo.

Treinamento dos motoristas Urban - Aula prática (Dia 1)

No segundo dia de treinamento, a simulação aconteceu na Praça do Ancião. Na ocasião, o grupo foi composto por um deficiente físico e um visual tiveram de realizar a travessia na Avenida Goiás, que por conta das obras de recuperação do pavimento estava sem sinalização horizontal. Assim como na Rodoviária, a acessibilidade é precária não havendo rampa para deficientes físicos e nem piso tátil para os visuais. As fotos do segundo dia de treinamento podem ser conferidas no álbum abaixo.

Treinamento dos motoristas Urban - Aula prática (Dia 2)

Na reta final do curso, ainda há a avaliação dos motoristas sobre condução econômica em regime de revezamento até o pátio de provas em que eles vivenciam os riscos de ser ciclista. Nesta etapa, os motoristas ficam em cima de bicicletas, parados aguardando a ultrapassagem de um ônibus. O coletivo passa em alta velocidade em duas situações: como acontece no trânsito e como deveria ser (1,5m de distância). Assim, os motoristas de ônibus vivenciam situações de ultrapassagem da perspectiva do ciclista e do motociclista.

Aqui fica um depoimento pessoal: é angustiante ver um ônibus passar tão próximo e em alta velocidade, isto porque no primeiro dia de gravações fiquei junto ao grupo de ciclistas na mesma posição e condições estabelecidas no treinamento, ou seja, com um cone de proteção e não poder sair do lugar enquanto o ônibus passava. No segundo dia, por conta de angulação e perspectiva de gravação, fiquei afastado do grupo, porém na mesma posição e sem esta proteção do cone e a sensação de fragilidade é ainda maior. A situação é comparável a eu estar caminhando num acostamento de uma avenida de grande fluxo ou rodovia e a todo instante veículos em alta velocidade 'tirando fino'.


Após esta simulação, o instrutor Osvanil reuniu todos os motoristas para explicar o uso correto do elevador, quais os problemas comuns que podem ocorrer durante a operação e sua solução.

Após a supervisão, Osvanil orienta os motoristas sobre o funcionamento correto do elevador dos ônibus

A aula prática foi finalizada com o revezamento dos motoristas sobre condução econômica no Daia, além da explicação sobre direção defensiva no viaduto que liga a cidade ao Distrito Industrial. O procedimento correto pode ser conferido no vídeo abaixo.


Para a Urban, o Programa de Treinamento e Aperfeiçoamento Profissional é um compromisso da empresa de oferecer o melhor serviço ao público aos cidadãos anapolinos, pois de nada adiantaria ter uma frota nova a disposição, se o atendimento não fosse, também, de boa qualidade. Em breve, segundo a Urban, haverá um curso voltado os cobradores de ônibus. Desta forma a empresa almeja que todos os funcionários da Urban estejam orientados e treinados para lidarem com bons modos, educação e respeito aos seus clientes. Motoristas, cobradores, porteiros, seguranças e demais servidores da empresa têm esse compromisso.

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