Entorno DF: Apesar de queda, ônibus ainda é principal meio de transporte para ida ao trabalho em Cidade Ocidental

UTB - 5310
Por Rafael Martins

O número de pessoas com vínculo empregatício e que utilizam os ônibus para ir ao trabalho caiu quase 22% entre 2013 e 2017 em Cidade Ocidental. Os dados são da Pesquisa Metropolitana por Amostra de Domicílios (PMAD), feita pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em 2017 e divulgada em julho deste ano.

Mesmo com a queda, o levantamento destaca o fato do ônibus ainda ser o meio mais usado no percurso de casa para o trabalho. Da população empregada (25.215), apenas 49% (12.355) desloca-se de transporte coletivo. Em 2013, dos 29.122 ocupados, 54,3% (15.837) utilizavam o ônibus.


Esta diminuição do uso do transporte coletivo, no período de 2013 a 2017, pode ser observada a partir do comportamento da demanda das empresas responsáveis pelas linhas entre a cidade goiana e o DF. 

Dados da ANTT mostram que ainda sob o comando da Viação Anapolina, em 2013 foram transportados 4.675.483 passageiros. Em 2017, a UTB (atual operadora) transportou 4.149.816 passageiros; uma diferença de mais de 500 mil passageiros que deixaram o sistema no período.

A pesquisa da Codeplan mostrou que é pequeno o número de deslocamentos internos à própria cidade feitos por ônibus pela população empregada, visto que:

- quando ofertado, o transporte municipal é insuficiente, em que os trajetos ao trabalho passam a ser feitos a pé (17,7%), bicicleta (2,1%) ou de transporte motorizado - automóvel (21,2%) e moto (3,3%).

- com vínculo empregatício no DF, a opção da maioria é o deslocamento por ônibus.

Quanto ao local de trabalho, observa-se que 39,14% da população ocupada trabalha no próprio município; enquanto 52,30% trabalha no Distrito Federal, com a expressiva participação do Plano Piloto com 40,25%. Desta forma, a polarização exercida pelo Plano Piloto se reflete no alto número de linhas para esta centralidade: das 35 linhas cadastradas na ANTT, 32 tem como destino Brasília.

Ao analisar a situação no Jardim ABC; 68,09% da população ocupa os postos de trabalho do DF, sendo 46,5% no Plano Piloto; 8,23% no Lago Sul e 4,8% em São Sebastião. Essa situação decorre da carência de emprego observada na localidade, tornando-se essas RAs, em razão da facilidade de acesso e ofertas de emprego, as melhores opções para trabalhar.


Outra variável que influencia no uso do ônibus é o acesso a rede de ensino do DF, em que dos 18.058 estudantes de Cidade Ocidental; 15,43% estudam na capital do país. Quanto ao acesso a serviços públicos, como rede de saúde, os números apresentam-se mais expressivos no Jardim ABC dada a carência de infraestrutura na região, recorrendo ao DF para suprir essas deficiências.

A necessidade de deslocamentos para atender a esses desejos de viagens - trabalho, estudo e acesso a serviços públicos - não são realizados apenas por transporte coletivo, mas dada a característica do Entorno em majoritariamente ir para o DF utilizando ônibus, indica percentuais expressivos no uso do modal.

A partir disso, chama-se a atenção do elevado nível de pendularidade da rede semiurbana em Cidade Ocidental, apresentando picos bem marcados das 5h às 6h (sentido GO-DF), e um pouco mais distribuído no pico da tarde das 16h às 19h (sentido DF-GO). A forte pendularidade da rede faz com que os polos atratores de viagens recebam ônibus cheios no pico, mas obriga estes ônibus a voltarem aos seus pontos de origem quase que sem passageiros, refletindo diretamente nos custos da operação.

Saiba mais