DF: Roubo em coletivos apresenta queda, enquanto multas contra o transporte pirata já superam números de 2017

Por Rafael Martins

Os roubos em ônibus no Distrito Federal se mantêm em queda há nove meses consecutivos. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2017, os números caíram 37,4% — de 2058 para 1289. Desde julho de 2018, o número de ocorrências registradas têm caído significativamente. 

Os dados foram atualizados pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF) no último dia 1º, que estuda os registros e repassa às forças de segurança dados como dias, horários e locais em que os crimes mais ocorrem. Dessa forma, é possível organizar com mais exatidão ações que impeçam a prática, com distribuição de efetivo em áreas mapeadas como prioritárias e investigações mais precisas.



Na contramão destes índices, o número de autuações contra o transporte irregular de passageiros em 2018 já superou as ocorrências registradas em todo o 2017. De janeiro de 2018 até agora, mais de 5 mil motoristas foram autuados por transporte pirata, sendo que somente no mês de setembro foram 661 notificações. Em todo o ano de 2017 foram lavradas 5.347 multas, contra 1.010 em 2016.

Com o aumento das notificações, as forças de segurança alertam que o transporte irregular é perigoso, já que muitos motoristas têm passagens pela polícia e alguns veículos são roubados ou sequer tem condições para transportar passageiros. A multa para este tipo de infração é de R$ 130 e quatro pontos na carteira de motorista. Nas ruas, no entanto, passageiros reclamam da falta de ônibus e apesar de conhecer os riscos, alguns ainda se aventuram pegando o transporte pirata.

Na última sexta-feira (19), a reportagem da TV Globo flagrou motoristas fazendo transporte irregular de passageiros na Epia Sul, na altura do Park Shopping, e também na área central do Plano Piloto. A prática ilegal, que acerta em cheio as empresas regulares do sistema tanto do DF quanto do Entorno, tem nome: concorrência predatória.

Como manifestação de tal situação passam a ocorrer os fenômenos esperados:

Os conflitos de trânsito são frequentes e os efeitos sob a circulação geral evidentes, em razão da oferta de ligações diretas, especialmente para a área central, o que acentua a solicitação do sistema viário. Além disto, disputa por passageiros entre o sistema regular e até mesmo entre os que fazem transporte pirata, tumultua os pontos de parada (prejudicando a fluidez do trânsito) e atrapalha o embarque seguro dos passageiros pelas empresas regulares (conforme mostrado na reportagem).

Com essa disputa, estabelece-se uma concorrência operacional em inúmeras rotas com uma redução expressiva na participação de mercado das empresas operadoras privadas, o que leva o sistema de transporte a um círculo vicioso: a demanda transportada cai, e as empresas operadoras não ajustam sua oferta à redução da demanda, tanto por terem que cumprir a função de concessionária de um serviço público essencial, como por precisarem manter a concorrência pelo mercado. Com isso o custo/passageiro sobe; a tarifa consequentemente se eleva; e a demanda transportada cai, realimentando os desequilíbrios.