DF: Flexibilização da faixa de ônibus da EPTG entra em vigor neste sábado (1º)

Por Rafael Martins

Os carros de passeio poderão utilizar a faixa exclusiva da EPTG, a partir deste sábado (1º). O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) autorizou a flexibilização nos fins de semana e feriados. 

A medida publicada hoje (31) no Diário Oficial autoriza que os carros podem circular entre 0h01 de sábado até 23h59 de domingo.


De acordo com o DER, a flexibilização partiu de uma recomendação do Ministério Público, uma vez que na EPNB a mudança veio após a avaliação técnica concluir que nos fins de semana e feriados o fluxo de carros de passeio é grande na via, mas o de ônibus diminui consideravelmente. Como a EPNB já era liberada por este motivo, mas EPTG não, após uma audiência entre os órgãos de trânsito e o Ministério Público, o mesmo pediu a liberação definitiva nas duas vias por entender que essas diferenças causavam confusão principalmente para quem não mora no DF.

Implantada em 31 de janeiro de 2012, atualmente a faixa exclusiva da EPTG é subutilizada: 68 ônibus de apenas 11 linhas semiexpressas circulam pelo corredor, em que o coletivo não para ao longo da via e os passageiros embarcam e desembarcam nas cidades de origem, mas não na EPTG, enquanto os ônibus das demais linhas utilizam as vias marginais. O tráfego na faixa é liberado também para táxis, vans escolares e ônibus interestaduais.

A medida de flexibilização pode ser um tiro no pé, visto que há uma determinação da Secretaria de Mobilidade para que as empresas que operam linhas na EPTG - Marechal, São José e Urbi adquiriram ônibus com portas dos dois lados; para que enfim o corredor seja plenamente utilizado - inclusive aos finais de semana. A faixa exclusiva da EPTG está inclusa no projeto do Expresso Oeste, corredor de BRT que ligará Ceilândia, Taguatinga, Guará, Vicente Pires e Águas Claras ao Plano Piloto.

Uma queixa constante de quem usa carro é sobre a impressão de que nas avenidas em que foram implantadas as faixas preferenciais e/ou exclusivas de ônibus ficar ‘vazia’ em vários momentos do dia. Essa sensação de que a faixa está vazia é importante para atrair usuários para o sistema. Em uma faixa com muitos ônibus em seguida pode haver congestionamento, o que reduz a velocidade dos coletivos e indica que a tecnologia empregada na via está saturada, e para tal, é necessário empregar modais de média capacidade como o BRT e VLT.

Na medida em que a reserva de um espaço preferencial à circulação dos ônibus nas vias constitui um importante elemento para melhoria da qualidade e eficiência dos serviços, permitindo uma série de benefícios: redução do tempo de viagem dos usuários, decorrente da redução dos retardamentos causados pelos congestionamentos; redução do custo operacional, em função da redução e da adequação da frota em operação nos corredores veículos, devido à elevação da velocidade média e à utilização de veículos de maior capacidade; e melhor organização dos embarques e desembarques dos usuários, conferindo maior conforto e segurança aos usuários.

Apesar dos avanços, é preciso ser sensato: o transporte público em Brasília ainda é ineficiente, e impulsiona ainda mais o uso do automóvel em larga escala. Porém a insatisfação daquele que usa o carro que fica preso no congestionamento, não pode ser motivo para se retroceder nas políticas públicas de priorização do transporte coletivo por ônibus.

É um circulo vicioso: se não melhorar o transporte público, inicialmente através da priorização viária, e depois perpassando por outros fatores como segurança e conforto, o brasiliense não terá motivo algum para deixar seu carro em casa. Antes de tudo, o brasiliense quer um transporte rápido e eficaz, afinal as queixas com atrasos e furos de viagens, além do preço da tarifa, são recorrentes.

Quanto mais espaço para o automóvel derem, mais as vias estarão congestionadas; e não é tirando o espaço do ônibus, mesmo que por determinada faixa horária, que irá se resolver o problema. Brasília, hoje aos 58 anos, se continuar neste estímulo e ritmo de crescente número de veículos, têm a perspectiva de chegar aos 60 anos travada.