DF: UnB começa testes de 'parada de ônibus ecológica', feita de bambu e eucalipto

A Universidade de Brasília (UnB) ganhou, nesta quarta-feira (11), uma parada de ônibus ecológica feita com bambu e eucaliptos. O projeto foi desenvolvido por estudantes e profissionais do Centro de Pesquisa e Aplicação de Fibras Naturais para levar mais conforto e humanizar os momentos de quem espera pelo transporte público.

Este é o primeiro protótipo implementado na capital federal e levou dois anos para ficar pronto. A estrutura foi desenhada pelo professor de arquitetura Jaime de Almeida, que se identifica como um entusiasta do uso do bambu na arquitetura tradicional. "É um elemento termicamente neutro, que não aquece nem esfria muito", explica.

A proposta, afirma o professor, também leva em consideração a resistência do material – que será estudada ao longo de seis meses – e o potencial ecológico do uso da fibra do vegetal.

"Para formar a touceira do bambu, espera-se em média sete anos. Depois disso, é possível colhê-lo de ano em ano. De forma diferente das árvores comuns, que demoram 60 anos para crescer."

Sem vandalismo

A arquitetura tradicional de Brasília, com a maioria das construções feitas de aço e em concreto armado, também foi um dos motivos para que os idealizadores da parada ecológica repensassem a estrutura do protótipo.

A ideia de usar o bambu e o eucalipto no experimento, segundo Almeida, pretende "criar uma atmosfera agradável, com apelo visual".

Design contra sol e chuva

O design da parada de ônibus recém-lançada foi pensado para proteger o passageiro da chuva e da incidência do sol. As curvas da cobertura feita em chapa metálica servem para gerar um "conforto térmico" e evitar que a umidade diminua a vida útil do equipamento.

A estudante de educação física da UnB Lorrane Aguiar, de 19 anos, foi uma das primeiras usuárias do ponto de ônibus instalado ao lado do Centro Olímpico e disse estar satisfeita com o visual da parada. Ela, que sempre espera ônibus no local, disse ao G1 que antes aguardava pelo coletivo em pé, embaixo de uma tenda improvisada. "Ao menos agora tem onde esperar sentada", brinca.

Como sugestão, a estudante propôs uma curvatura maior do telhado da parada de ônibus "para proteger ainda mais do sol durante à tarde" e a poda da vegetação ao redor do local. "Nem sempre dá pra ver o ônibus chegar", explica.

Fere o tombamento?

A proposta dos idealizadores da parada de ônibus ecológica é testar a resistência do equipamento público ao longo de seis meses. Depois disso, o protótipo será aperfeiçoado e, se der certo, poderá ser replicado nas regiões de parques do DF, principalmente, e em outras áreas da capital federal.

Apesar de o conjunto urbanístico de Brasília ser tombado como patrimônio histórico, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirma que, se implementadas, as paradas de fibra não feririam a área tombada, mas exigem autorização prévia.

"O Iphan não determina nenhum padrão para esses equipamentos, no entanto, a substituição dos modelos existentes ou a implantação de novos modelos deve ter anuência do Iphan."

Paradas de Brasília

Críticas constantes de quem utiliza as paradas de ônibus do DF costumam se referir à "falta de higiene" dos locais e à baixa proteção contra as intempéries. Segundo o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), ao todo, a capital tem 4,7 mil pontos de ônibus.

Desse total, 2,9 mil equipamentos contam com abrigos, sendo 950 feitos de vidro. A estética das paradas de vidro, segundo o órgão, foi definida de acordo com estudos técnicos realizados em 2002 e tem validade de 20 anos.

Fonte: G1 DF