DF: Comércio ilegal domina terminais de ônibus no centro de Brasília

Terminal Rodoviário Metropolitano
Por Rafael Martins

O complexo Rodoviária do Plano Piloto - Terminal Rodoviário Touring (Metropolitano), que engloba o transporte do DF e Entorno, tornou-se o metro quadrado mais movimentado da capital do país. Quase um milhão de pessoas passam pelos dois terminais, o que transforma a região num mercado em potencial para vendedores ambulantes. Mesmo com a atuação deles proibida, os ambulantes driblam a fiscalização para vender seus produtos na sombra e aproveitar a alta quantidade de passageiros que passam pelo lugar diariamente.

Eles estão dispersos por toda a área do complexo: Plataforma Superior da Rodoviária, entre o Conic e Conjunto Nacional, área de embarque da Rodoviária e Metropolitano e na via de ligação entre os dois terminais. A cada passo em direção aos boxes é possível encontrar um desses vendedores com uma caixa térmica, carrinho de supermercado ou um carrinho de sorvete. Tem também quem vende água de coco, salgadinhos, produtos eletrônicos, trufas, balas, bolos e até roupas.

Mesmo em um local de grande fluxo de pessoas, a concorrência chega a ser acirrada entre os vendedores. Cada um tem o seu ponto de comércio e deve respeitar o espaço do outro. Caso contrário, há confusão na certa. Aos usuários do transporte público restou contentar-se com o espaço de piso que sobra em meio aos produtos dos ambulantes espalhados pelos terminais. Enquanto a situação dos lojistas na Rodoviária do Plano Piloto, que contam com estrutura para venda de mercadorias e oferta de serviços, é legalizada com permissão de funcionamento; a atividade no Terminal Metropolitano é 100% informal.

A disputa por pontos de venda no Terminal Metropolitano anunciou uma tragédia ocorrida na tarde da última terça-feira (7), quando houve dois mortos e um ferido no box para Planaltina de Goiás. No dia seguinte ao duplo homicídio, o Terminal amanheceu irreconhecível, sob forte vigilância dos fiscais da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) e Polícia Militar.

A presença dos ambulantes produzem outras externalidades que afetam a vida de quem precisa pegar ônibus para as cidades do DF e Entorno. Com a obstrução das áreas de circulação, os passageiros reclamam do tumulto que os ambulantes causam no corredor de acesso aos boxes, atrapalhando a travessia e o embarque/desembarque nos terminais. A ocasião é perfeita para a prática de delitos como furtos e roubos, sendo que os maiores alvos são aparelhos celulares, carteiras e bolsas.

Além dos delitos, os terminais são ponto de tráfico e consumo de drogas e servem de abrigo para moradores de rua. A sensação de insegurança agrava-se, principalmente, no período noturno.

A mesma situação encontrada nos terminais do centro de Brasília pode ser vista em outro local: o Terminal Rodoviário de Taguatinga Norte, conhecida apenas como Rodoviária de Taguatinga. Em meio aos quiosques regularizados e aos guichês das empresas de ônibus, o comércio ambulante toma conta do local obstruindo a área de embarque dos passageiros.

Fiscalização

Em nota a imprensa, a Agefis informou ter uma equipe permanente na área central de Brasília, incluindo, principalmente, a Rodoviária do Plano Piloto, o Setor Comercial Sul, pontos turísticos, Ponte JK e Touring, mas que é necessário o apoio da Polícia Militar nas ações de combate ao comércio ilegal na região da Rodoviária. O órgão também ressaltou ter outra equipe volante de auditores combatendo atividades econômicas sem o devido licenciamento, e disse fazer operações preventivas e punitivas nos pontos mais congestionados.

Shopping Popular

Numa tentativa de retirar os ambulantes do centro da capital, há cerca de 10 anos foi construído o Shopping Popular de Brasília, ao lado da Rodoferroviária. 

Com a mudança da Rodoviária Interestadual para a Epia Sul, em frente ao Park Shopping, o movimento no Shopping Popular caiu, e devido a localização, o lugar atualmente é pouco frequentado. 

Quem tinha esperança de regularizar a situação, ao deparar-se com a realidade de fraco movimento, retornou a informalidade no centro de Brasília.