DF: DFTrans calcula prejuízo de R$ 80 milhões em fraudes nas linhas rurais

Um balanço na contabilidade do DFTrans, divulgado nesta terça-feira (19), aponta que o Transporte Urbano do Distrito Federal teve um prejuízo de, no mínimo, R$ 80 milhões nos últimos quatro anos. O valor é referente a uma suposta fraude no repasse de valores a 28 permissionários de linhas rurais.

Os recursos saíram dos cofres públicos do DF entre janeiro de 2014 e março de 2018. Até esta publicação, o G1 não tinha tido acesso ao detalhamento do relatório.

No entanto, a assessoria do DFTrans explicou que o modo de funcionamento das empresas pode ser considerado "fraude no sistema de bilhetagem eletrônica".

Para o diretor-geral do DFTrans, Marcos Tadeu de Andrade, as medidas necessárias para solucionar o problema estão sendo tomadas "com total autonomia pra realizar o trabalho". O órgão anunciou, ainda, que vai reter 30% de todos os pagamentos das empresas envolvidas para minimizar os prejuízos aos cofres públicos.

"Nós fizemos todo um trabalho para poder afastar esses permissionários que causaram prejuízo aos cofres do DF", explicou Andrade.

Operação Trickster

Em março, a Polícia Civil do DF desvendou outro suposto esquema para fraudar o sistema de bilhetagem automática. Segundo os investigadores, o grupo usou cartões de vale-transporte e, em quatro meses, desviou R$ 3,5 milhões de reais.

O chefe do esquema, segundo a polícia, seria Pedro Jorge Brasil, auditor da Secretaria de Mobilidade. Ele está preso e responde na Justiça, com outras cinco pessoas, por associação criminosa e peculato eletrônico. O grupo é acusado de inserir dados falsos no sistema.

As investigações se deram no âmbito da operação Trickster, que apura fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica. Por causa das suspeitas, no início deste mês, as cooperativas que atuavam em Brazlândia e no Park Way, por exemplo, foram afastadas e substituídas pelas empresas Urbi, São José e Pioneira.

As novas permissionárias das linhas rurais assumiram as rotas via contrato precário, ou seja, sem licitação. Desde então, 12 linhas rurais dessas regiões foram convertidas em urbanas e assimiladas por três das cinco operadoras que atuam nas bacias de ônibus do Distrito Federal.

Repasses

As suspeitas de fraudes na bilhetagem automática do Distrito Federal já vem sendo apontadas, pelo menos, desde 2011, quando o sistema começou a ser operado pelo DFTrans. Desde então, órgãos de fiscalização como a Controladoria-Geral do DF têm apontado problemas nos cartões de vale-transporte e Passe Livre Estudantil.

Enquanto isso, os repasses do GDF para as empresas só aumentaram. Em 2013, foram quase R$ 153 milhões só em Passe Livre. Em 2014, foram R$ 211 milhões, até chegar aos R$ 527 milhões repassados em 2016.

Em 2017, após a operação Trickster, os valores caíram para R$ 459 milhões. O valor desembolsado nos primeiros meses deste ano não foi informado.

Prisões

Somados aos R$ 80 milhões fraudados em linhas rurais, a estimativa da polícia é de que o grupo tenha desviado R$ 1 bilhão desde 2014. Em março, a Justiça autorizou que os investigadores tenham acesso ao banco de dados do sistema administrado pelo DFTrans para analisar o tamanho do rombo nos cofres públicos.

De acordo com as investigações, Pedro Jorge Brasil contava com o apoio de um analista de sistemas, que inseria no sistema do DFTrans as empresas inexistentes. Enquanto isso, outros funcionários do DFTrans atualizavam senhas de acesso ao sistema.

Com salário líquido de R$ 13.228,46, Brasil teria criado empresas fantasmas e se aproveitado da condição de fiscal de atividades urbanas para vincular nestas companhias funcionários falsos que passavam a receber vale-transporte.

Fonte: G1 DF