Entorno DF: Número de passageiros no transporte semiurbano cresceu 3% em 2017

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Por Rafael Martins

Um levantamento feito pelo Pense Mobilidade revela que no transporte semiurbano da área metropolitana de Brasília houve um incremento de 1 milhão de passageiros embarcados em 2017.

Os dados são da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT enviados pelas empresas de ônibus (exceto Coutinho Transporte e CT Expresso) e foram compilados pela reportagem; em que os números referem-se a cada usuário que passa pela catraca dos ônibus, sendo contabilizado e quantificado como embarque de passageiro realizado pelo sistema.

Análise

O comportamento da demanda manteve-se estável ao longo de 2017, não havendo grandes oscilações a partir de maio, conforme o gráfico abaixo.


Apesar do crescimento, a demanda anual transportada ano passado ainda é inferior a 2015, quando a rede semiurbana registrou o melhor desempenho com quase 40 milhões de passageiros transportados, após vertiginosa queda entre 2013 e 2014 quando o sistema perdeu perdeu 17,5 milhões de usuários. 

O período em questão foi marcado pela paralisação de serviços e fechamento de empresas que há anos operavam na região como o Grupo Amaral e Grupo Vian, e ascensão do transporte pirata. 

Em oito anos, os ônibus do Entorno perderam 58% dos passageiros. Isto porque entre 2009/2010, quando foram realizadas as pesquisas operacionais para a formulação do edital de licitação, o sistema semiurbano interestadual transportava anualmente 90 milhões de passageiros, considerado o mais movimentado do país. Acerca do processo licitatório dos lotes remanescentes da concorrência de 2014, o mesmo encontra-se sobrestado até a conclusão dos estudos de integração com o sistema do DF.

Todavia, é preciso considerar outras variáveis que influenciaram a oscilação na quantidade de embarques realizados pelos usuários do transporte coletivo do Entorno.

Até meados de 2014, o país viu crescer o número de postos de trabalho, renda e escolaridade. O aumento da população empregada e da população estudantil gera compulsoriamente a necessidade de deslocamentos para atender a esses desejos de viagens, não necessariamente por transporte coletivo, mas o prognóstico indica que alguns desses movimentos tenham se dado por meio do ônibus.

A partir da recessão econômica, evidenciada em 2015, o sistema semiurbano perdeu no prazo de um ano mais de 3,5 milhões de passageiros. 

Como ilustra o gráfico abaixo, a partir de 2014 não houve grande alteração no comportamento histórico da demanda de passageiros, entretanto, o sistema semiurbano deixou de transportar significativas parcelas de usuários. 

A evasão dos passageiros no Entorno pode ser atribuída também à migração para o transporte individual devido a qualidade do serviço, preço das passagens, insegurança e longo tempo de espera nas paradas. Sobre este último, surge outro problema: o transporte pirata.


Transporte público é o meio mais usado para ir ao trabalho

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) apresentou pela primeira vez, em 2013, a Pesquisa Metropolitana por Amostra de Domicílios, que abrangeu todas as cidades que integram o Entorno Metropolitano.

Dois anos depois (2015), Companhia fez um novo levantamento nas cidades de Águas Lindas, Cocalzinho, Planaltina de Goiás e Valparaíso. Em 2017/2018 foram feitas pesquisas em Novo Gama, Formosa e Luziânia; restando alguns municípios para a Codeplan divulgar os resultados ao longo deste ano, em datas ainda a serem definidas.

Estes estudos destacam o fato do ônibus ainda ser o meio mais usado no percurso de casa para o trabalho, mesmo a reportagem constatando que houve quedas significativas na redução da população empregada e consequente utilização do transporte público.

Neste cenário, ao comparar os dados obtidos, as cidades de Novo Gama e Planaltina de Goiás registraram as maiores retrações quanto ao uso do ônibus para se deslocar ao trabalho. Na contramão, apenas Formosa e distrito de Girassol tiveram índices positivos. Essa é uma análise fundamental para entender os desafios para a mobilidade no território metropolitano. 

A pesquisa mostrou que é pequeno o número de deslocamentos internos à própria cidade feitos por ônibus pela população empregada, visto que:

- quando ofertado, o transporte municipal é insuficiente, em que os trajetos ao trabalho passam a ser feitos a pé, bicicleta ou de transporte motorizado;

- com vínculo empregatício no DF, a opção da maioria é o deslocamento por ônibus, segundo a tabela abaixo.
Destarte, a rede de transporte semiurbana é caracterizada por dispersão das origens de viagens, em que atribui-se à questão de ocupação do território nas cidades que integram a área metropolitana; tal como caracteriza-se a ocupação urbana no Distrito Federal.

Se as origens são dispersas no território, o destino das viagens é mais concentrado notadamente para o Plano Piloto, de acordo com os estudos da Codeplan. A partir disto, chama-se a atenção do elevado nível de pendularidade dentro do próprio DF, por motivos de trabalho e estudo.

Apesar do desenvolvimento de algumas cidades, todas elas ainda guardam forte relação metropolitana com a capital. Formosa foge a esta lógica, visto que a cidade tem alto grau de independência em relação ao Distrito Federal quando se avalia ocupação de postos de trabalho e utilização de serviços públicos.