DF: Setor de ônibus urbano pede política diferenciada de preços para o diesel

Por Rafael Martins com informações da NTU

Em meio ao cenário de incertezas quanto a prestação adequada do serviço, o transporte coletivo brasiliense pode ter paralisações em efeito cascata por falta de combustível a partir de amanhã (25), visto que o estoque de diesel varia conforme as empresas, sendo que TCB e Piracicabana tem o abastecimento de suas frotas garantidos até este domingo (27). A razão do desabastecimento é devido as manifestações que vem sendo promovidas em todo o país pelos caminhoneiros, contra a política de preços adotada pela Petrobras.

Diante deste quadro, do aumento do diesel e desabastecimento decorrente da paralisação dos caminhoneiros, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) - entidade sediada em Brasília que representa mais de 500 empresas de ônibus de todo o país - alerta que a partir de hoje haverá redução de frota e suspensão do serviço em várias capitais. “Se situação persistir, o serviço vai parar de vez”, alerta o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha. A Associação destaca ainda a dificuldade que as empresas enfrentam para comprar o diesel, que tem impacto de 23% nos custos do setor.

Sem qualquer alternativa a curto prazo, a entidade diz que os custos dos sucessivos aumentos no combustível vão onerar as tarifas de ônibus, controladas pelo poder público, mas que esta não é melhor alternativa para o setor, visto que o cenário econômico enfrentado pelo país ainda é frágil. 

“Somos um setor regulado, com reajustes tarifários anuais, definidos pelo poder público, mas a política de preços da Petrobras é insustentável. As tarifas terão que ser majoradas, porque não há como as empresas suportarem os aumentos diários desse insumo básico do setor, que somente entre janeiro e maio deste ano chegou a 11% para as empresas”, reforça Cunha.

Em audiência com o Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, solicitará a redução de 50% no custo do diesel para o transporte público, tornando a tarifa acessível em benefício dos usuários, evitando assim os reajustes nos preços das passagens.

Otávio Cunha lamenta a decisão aprovada ontem na Câmara dos Deputados em limitar a desoneração da folha de pagamento do setor até 2020. “Quando houve a desoneração, o setor repassou imediatamente para os usuários, o que resultou numa redução média de 4% nas passagens. Se isso cair, haverá o efeito inverso a partir de janeiro de 2021”, afirmou ele.