DF: Polícia Civil e MP fazem operação contra fraude bilionária no sistema do DFTrans

Registros divulgados nesta quinta-feira (15) mostram que, em poucos minutos, o grupo suspeito de fraudar o Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do Distrito Federal era capaz de gerar grandes prejuízos aos cofres públicos. Em um dos equipamentos, um único cartão magnético debitou 60 passagens em apenas 8 segundos.

Atualmente, a passagem mais barata nos ônibus do DF custa R$ 2,50, e a mais cara, R$5 – mesmo valor do acesso ao Metrô. Nesse ritmo, em um único minuto, o esquema conseguiria simular a existência de até 450 passageiros – ou R$ 2.250 em créditos.

Durante a investigação, policiais também identificaram cartões magnéticos que foram usados, ao mesmo tempo, em duas catracas diferentes.

Megaoperação

Pela manhã, a Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram 34 dos 45 mandados de prisão temporária expedidos – os documentos fazem referência a 40 suspeitos de integrar o esquema.

As investigações envolvem dois núcleos da Polícia Civil do DF: a Coordenação de Repressão a Fraudes (Corf), que investiga a descarga ilegal dos cartões, e a Coordenação de Combate ao Crime Organizado (Cecor), que apura a conversão desses créditos descontados em dinheiro.

Até o início da tarde, o MP do DF ainda estudava quais medidas judiciais e administrativas poderiam ser tomadas para interferir na gestão do DFTrans e reduzir a ocorrência de fraudes. Além da própria autarquia, a empresa Transdata – responsável pelo sistema eletrônico – poderá ser acionada.

“Essas organizações criminosas descobriram uma mina de ouro. Se aproveitaram da extrema fragilidade do sistema”, diz a promotora de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) do Ministério Público do DF, Helena Daher.

A estimativa da polícia é de que os desvios desde 2014 ultrapassem R$ 1 bilhão. A Justiça autorizou que a investigação tenha acesso ao banco de dados do sistema administrado pelo DFTrans para analisar o tamanho do rombo nos cofres públicos.

As prisões são feitas no DF, em Valparaíso (GO), na Cidade Ocidental (GO), em João Pessoa (PB) e no Recife (PE). Entre os alvos, está o auditor fiscal Pedro Jorge Brasil, preso na operação Check List, deflagrada no ano passado. Segundo as investigações, ele liderava o grupo criminoso. A mulher dele, Hedvane Ferreira, também foi detida.

A divisão de tarefas era feita assim:

Inseridores: colocavam as empresas fantasmas e os funcionários falsos no sistema do DFTrans, dando início ao esquema;

Validadores: validavam a compra de crédito de vale-transporte para os cartões gerados de forma fraudulenta;

Descarregadores: permissionários que descarregavam os cartões nos ônibus; transformavam os créditos do vale-transporte em dinheiro em espécie.

Quem participava

Segundo as investigações, Pedro Jorge contava com o apoio de um analista de sistemas, que inseria no sistema do DFTrans as empresas inexistentes, e com o de outros funcionários do DFTrans, que atualizava senhas de acesso ao sistema.

O grupo descarregava os créditos dos cartões de vale-transporte nos validadores de ônibus que faziam trajetos rurais de forma sequencial e em linhas distintas. A última "equipe", que transformava créditos fictícios em dinheiro em espécie, tinha pessoas físicas e jurídicas prestadoras do serviço de transporte público.

A garagem da Viação Pioneira, no Guará, foi alvo de buscas e apreensões. Também estão sendo presos advogados e permissionários de empresas que atuam na área rural.

Fonte: G1 DF