DF: Investigação apura origem de informações fictícias no sistema do DFTrans

A busca e apreensão, ocorrida no último sábado, na casa do então diretor-geral do DFTrans Léo Carlos Cruz, indica que os investigadores da Operação Trickster desconfiam da conivência da equipe de transportes do governo nas fraudes relacionadas à bilhetagem automática para vales-transporte. 

Os policiais civis e promotores de Justiça que atuam no caso querem saber quem permitiu a inclusão de informações fictícias no sistema do DFTrans, que possibilitaram a emissão de créditos falsos para transporte de passageiros fantasmas. Em apenas seis dias, entre 27 de outubro e 1º de novembro do ano passado, a suposta organização criminosa conseguiu arrecadar R$ 3,5 milhões dos cofres públicos.

Com autorização judicial, policiais civis da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor e à Fraude (Corf) também cumpriram, no último sábado, mandado de prisão temporária do então chefe da Coordenação de Bilhetagem Automática, Harumy Honda Júnior. A exoneração dos dois servidores foi publicada no Diário Oficial do DF de ontem. O controlador-geral-adjunto do DF, Marcos Tadeu de Andrade, assumiu o comando do DFTrans.

Investigação ampliada

Em outubro, Cruz e Harumy registraram ocorrência na Polícia Civil sobre as suspeitas de fraude que estariam sendo lideradas pelo auditor fiscal de atividades urbanas Pedro Jorge Brasil, por meio do uso de uma senha do sistema de que o servidor dispunha. A partir da queixa, a investigação, conduzida pela Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap), da Coordenação de Combate à Corrupção (Cecor), foi ampliada. Na última sexta-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva de seis suspeitos de participarem do esquema, entre os quais Pedro Jorge e Vinícius Volpon Quatio, considerados os mentores da fraude. Os dois foram funcionários do DFTrans e mantiveram conexões no órgão.

No dia da Operação Trickster, o secretário de Mobilidade, Fábio Ney Damasceno, e Leo Carlos Cruz disseram que ajudaram nas investigações e permitiram que a fraude continuasse em curso, até o pagamento de recursos públicos, por orientação dos investigadores. 

Como a coluna Eixo Capital mostrou na semana passada, uma ação como essa só poderia ocorrer com o aval da Justiça e a anuência do Ministério Público. Ontem, Damasceno e Leo Cruz foram desmentidos pelos responsáveis pela investigação. Em nota, a Polícia Civil afirmou que “agiu desde o primeiro momento para estancar a fraude praticada. Para tanto, os gestores do órgão foram orientados a bloquear as senhas do investigado, impedindo que fossem obtidos novos ganhos possivelmente ilícitos”.

Fonte: Correio Braziliense