Anápolis: A desativação do Terminal Novo e o colapso do Terminal 01

TCA - 3613
Por Rafael Martins

No final de 2013, o Ministério Público exigiu o cumprimento da sentença para demolir o Terminal Novo e restaurar a estação ferroviária, uma vez que a decisão transitou em julgado em 2011. A Justiça então deu um prazo de quatro meses para remover a estrutura e promover adequações nas linhas.

Em observância a sentença, TCA e Prefeitura participaram de uma audiência de conciliação em janeiro de 2014 para definir como seria o processo de desativação do Terminal Novo. Dada a complexidade de se transferir toda a operação de um terminal para outro e minimizar os impactos para os usuários, foi decidido que num primeiro momento metade das linhas seriam transferidas para o Terminal 1. Após análises e adequações, a outra metade seria transferida, para assim o Terminal Novo ser demolido.

O Terminal Urbano tinha 126 linhas, sendo que 35 delas partiam do Terminal Novo. Quanto a frota em operação no sistema, eram 189 ônibus, sendo: 136 para o Terminal 01, e 53 ônibus para o Terminal 02.

A primeira etapa para desativar o Terminal Novo consistiu na construção de cinco baias onde ficava o estacionamento dos ônibus na saída do Terminal 01. As obras começaram em fevereiro e foram concluídas no início de maio, com a vistoria do Ministério Público.

Construção de novas plataformas no Terminal Urbano - 1ª Etapa
Devido a urgência no cumprimento da decisão, as cinco novas baias foram implantadas de forma precária, ainda, sem cobertura para passageiros e ônibus. Apenas uma estrutura de ponto de ônibus serviu de abrigo aos passageiros provisoriamente.

Das 35 linhas do Terminal Novo, 20 foram transferidas para o Terminal 01 no dia 18 de maio de 2014, quando teve início a operação destas linhas no novo espaço.

Desativação do Terminal Novo - I Etapa
O primeiro dia de operação, naturalmente, foi de confusão entre os passageiros que não sabiam quais linhas haviam sido transferidas de um terminal para outro. No Terminal Novo, apenas quatro baias estavam funcionando com as linhas do Eixo Pedro Ludovico.

Terminal Novo
O Terminal 01 já mostrava indícios de saturação. Isto porque comboios de ônibus nas entradas e saída do Terminal começaram a se formar no horário de pico. Para contornar a situação, a TCA colocou as linhas de menor movimento para partir dos cinco boxes. Os passageiros se habituaram com o novo sistema no prazo de uma semana. A operação também normalizou, mesmo com os contratempos dado a limitação de espaço físico do Terminal.

Em uma nova audiência de conciliação no final de maio, apresentou-se o cronograma das ações já executadas. Satisfeita com os resultados, a Justiça deu início a segunda etapa de desativação do Terminal Novo com as linhas remanescentes que partiam dali.

Para diminuir o congestionamento dentro do Terminal 01, foi proposto na época o fechamento da Rua Leopoldo de Bulhões a fim de conferir exclusividade na saída de ônibus do local. A ideia não avançou. Os atrasos nos horários de pico começaram a se tornar frequentes, bem como a entrada do Terminal já não comportava o fluxo de ônibus.

Na Avenida Goiás e Rua General Joaquim Inácio, o estacionamento que antes ficava do lado direito, passou a funcionar à esquerda, dando lugar aos corredores de ônibus. A criação das duas novas paradas de desembarque antes de entrar no Terminal reduziu em cerca de 30% o número de usuários que entravam e saíam do Terminal Urbano.

A TCA ficou responsável de construir o restante das cinco baias no Terminal 01, onde ficavam o depósito e os boxes da manutenção.

Na segunda quinzena de julho, a empresa de transporte coletivo deu início à construção das novas plataformas.

Construção das novas plataformas Terminal Urbano - 2ª Etapa
Para reduzir o tempo de espera na entrada do Terminal, foi aberto um terceiro portão na Rua General Joaquim Inácio, ao lado do outro portão existente.

Terceiro portão de acesso ao Terminal Urbano
As novas plataformas ficaram prontas no começo de outubro, mas devido ao intenso fluxo de passageiros no fim de ano, decidiu-se que a transferência do restante das linhas do Terminal Novo para o Terminal 01 seria em janeiro - mês em que há naturalmente queda de usuários utilizando o sistema.

Em novembro, o terceiro portão entrou em funcionamento para a entrada dos ônibus.

Terceira entrada Terminal Urbano
A cobertura definitiva dos cinco boxes na saída do Terminal Urbano começou a ser instalada naquele mês. A estrutura ficou pronta em cerca de 20 dias.

Cobertura das novas plataformas de embarque - Terminal Urbano
O Terminal Novo foi desativado em 1º de janeiro de 2015.

Desativação Terminal Novo
Todas as 15 linhas remanescentes para o Terminal Novo foram transferidas para o Terminal 01.

Novas plataformas Terminal Urbano - 2ª Etapa
O espaço físico de 2.200 m² do Terminal Urbano, onde estavam as 126 linhas de ônibus do sistema, não comportavam mais o quantitativo de ônibus mostrando-se totalmente saturado.

Com o corredor preferencial na Rua General Joaquim Inácio, o passageiro de ônibus teve sua paciência testada ao limite. Uma extensa fila de ônibus se formava desde a Praça Bom Jesus até o Terminal Urbano nos horários de pico.

A entrada dos coletivos no Terminal demorava em torno de 15 minutos devido ao comboio formado. Os desembarques passaram a ocorrer de forma irregular, na entrada principal do Terminal Urbano e na calçada que margeava o Terminal até o segundo portão.

Terminal Urbano
Com a saturação do espaço, não havia como ampliar viagens e colocar mais ônibus em operação, sendo que naquelas condições os atrasos nas viagens (principalmente nos picos) eram recorrentes, gerando insatisfação do usuário com o serviço. Apesar dos atrasos, as viagens programadas eram cumpridas.

As reclamações dos usuários sobre os constantes atrasos nos ônibus da empresa levaram o Ministério Público e o Procon a buscarem soluções extrajudiciais. Na reunião em março de 2015, a TCA comprometeu-se a apresentar soluções para minimizar os recorrentes atrasos dos ônibus.

Ficou acordado o desenvolvimento de um estudo conjunto, entre a TCA e a CMTT, com o objetivo de verificar a possibilidade de implantação de linhas diretas entre bairros, visando desafogar o fluxo de passageiros no interior do terminal. A proposta não avançou, e esta situação de caos permaneceu até o último dia de operação da TCA.

Saturação Terminal Urbano
Enquanto não se resolvia a questão judicial da licitação do transporte coletivo, definindo-se que empresa teria o direito de explorar o serviço, praticamente não havia muito o que fazer. Todas as diretrizes propostas no certame para se desativar o Terminal Novo eram onerosas e sem a certeza de que teria a concessão para explorar o serviço, a TCA não faria nenhum investimento, sem a garantia de retorno do mesmo.

A estrutura do Terminal Novo levou quatro meses para ser totalmente removida, sendo concluída a desobstrução da fachada da estação ferroviária em 10 de julho de 2015.