Anápolis: Da prancheta para o computador - a informatização do Terminal Urbano

Terminal Urbano
Por Rafael Martins

Inaugurado em 1986, a implantação do sistema informatizado de operação das linhas no Terminal Urbano veio seis anos depois.

Durante este período, toda a operação era controlada de forma manual em pranchetas com uma planilha operacional para cada linha. Eram rodadas planilhas e informações com todas as linhas e sequências de horários (especificados em minutos). Assim que o motorista entrava no Terminal, o operador consultava as planilhas observando as urgências dos horários e indicava ao motorista o destino da viagem a ser realizada. Neste sistema geralmente ocorriam atrasos, pois dependia da eficiência do operador e do motorista. Em alguns casos havia uma pressão por parte dos motoristas para que os operadores do tráfego não apontassem seus atrasos.

Desenvolvido pela TCA, em 1992 tem início a operação semiautomática do controle das linhas no Terminal, em que os dados das pranchetas foram colocados na tela do computador. A partir de então, o operador apenas informava, via teclado, o código do veículo, cabendo ao sistema indicar a linha e o horário que o motorista deveria executar. Em seguida o apontador comunicava o motorista do seu destino através de um sistema de som. Na saída do Terminal, um outro operador registrava no mesmo sistema a saída do ônibus. Mesmo com o computador orientando a organização dos motoristas, o sistema ainda estava vulnerável a falhas humanas, como esquecimentos e até apadrinhamento dos motoristas pelos apontadores.

Visando aprimorar ainda mais o sistema existente, a TCA começou a buscar alternativas. Pensava-se em alguma coisa como "código de barras" que identificasse os ônibus na hora que eles chegassem ao Terminal. Nessa busca encontrou-se um equipamento mais avançado: as placas de leitura digital por radiofrequência, desenvolvida por uma indústria americana, normalmente utilizadas para identificação de containers de navios de carga. Embora tal tecnologia nunca tivesse sido usada em transporte coletivo urbano, a mesma adequava-se às necessidades da TCA, sendo pioneira no mundo a utilizar para este fim.

Diferente da versão de 1992, este sistema operava sem interferência humana. Um rastreamento eletrônico identificava o ônibus assim que entrasse no Terminal. O radar verificava a capacidade daquele veículo, fazia comparações com as linhas que estavam com viagens programadas para aquele horário e determinava, em questão de segundos, a escala do próximo trajeto. Automaticamente o computador "falava" e "mostrava" ao motorista a linha e horário da viagem a ser realizada, usando para isso um sintetizador de voz e um display. No portão de saída, um equipamento similar registrava o horário real de sua saída.

Terminal Urbano

Caso o ônibus não saísse no horário designado, o sistema emitia um alarme denunciando que o mesmo encontrava-se parado no box dentro do Terminal, gerando atrasos na operação em efeito cascata. A partir do momento em que o ônibus saía do Terminal, ele começava a ser esperado novamente no portão de entrada, já que o sistema tinha no seu cadastro o tempo de percurso de cada linha.

Desde essa época até 2015, último ano de operação da TCA em Anápolis, o programa informatizado desenvolvido pela própria equipe de funcionários da empresa permitia a readequação contínua dos ônibus nas linhas a partir do Terminal. A partir dos sensores localizados em cada box, o sistema indicava o destino das linhas com maior necessidade de oferta naquele momento com base na programação horária. O sistema ligado em rede classificava as viagens por horário, e na tela do computador na entrada do Terminal ficavam registradas as 20 próximas viagens. O ciclo se repetia até que o computador julgasse não mais precisar daquele veículo, quando determinava, sem auxílio humano, seu retorno à garagem para ser novamente vistoriado, lavado e revisado.

Esta operação totalmente automatizada foi implantada em 1993, quando a TCA transportava em média 50 mil passageiros/dia nas 60 linhas que cruzavam a cidade. A confiança no cumprimento dos horários através do sistema informatizado fez a empresa instalar naquele mesmo ano painéis de horários das linhas que partiam de cada box, exposto num mural de madeira emoldurado por vidro, em local visível e de fácil acesso. Nele, a TCA relacionava os nomes das linhas, com as horas e minutos que marcavam a saída dos ônibus. Estes totens ficaram disponíveis nessa configuração até 1998, quando o Terminal passou por uma reforma.

Terminal Urbano 04

O sistema informatizado foi aperfeiçoado ao longo dos anos, tendo na sua versão final: o controle das viagens programadas serem cumpridas 100%, escala de viagens de acordo com a programação horária das linhas existentes no Terminal Urbano, aproveitamento e racionalização da frota em operação, monitoramento das viagens em execução, acesso à escala de trabalho dos funcionários na operação (motoristas e cobradores) em que ficava registrado no final de cada jornada todo seu horário de trabalho e as viagens realizadas, quantitativo de ônibus a serem enviados à manutenção preventiva e corretiva conforme o tempo programado, entre outros mecanismos de gestão de processos institucionais e operacionais.

Este sistema informatizado de viagens garantia dinamicidade na operação, permitindo que todo o sistema funcionasse sem parar como um carrossel, sem carro fixo em linha como nas demais cidades brasileiras que tem um sistema de transporte urbano. Como o “troca-linha” impedia tanto a ociosidade da frota operacional, quanto os chamados furos de viagem (que é quando uma viagem programada não é cumprida) utilizava-se menos ônibus para executar um maior número de viagens. Isto significava redução de custos para a empresa, que necessitava de menos mão de obra e menos ônibus para manter a oferta, uma vez que 50% dos custos totais do serviço são a mão de obra e o óleo diesel.