Anápolis: A chegada da Urban e as mudanças no Terminal Urbano

Terminal Urbano de Anápolis
Por Rafael Martins

A desativação do Terminal Novo provocou um nó na operação do transporte coletivo, que impôs um desafio gigantesco a Urban para contornar o problema quando assumiu a concessão do serviço .

Ainda com a TCA na operação, o passageiro de ônibus teve sua paciência testada ao limite. Uma extensa fila de ônibus se formava desde a Praça Bom Jesus até o Terminal Urbano nos horários de pico. Com a Urban a situação não foi diferente, porém com um agravante: a frota em circulação era maior que da antiga concessionária.

Os desembarques passaram a ocorrer de forma irregular, na entrada principal do Terminal Urbano e na calçada que margeava o Terminal até o segundo portão. Os embarques no pico da tarde também ocorriam de forma irregular, na calçada da Rua Leopoldo de Bulhões - na saída do Terminal Urbano, já que que o espaço não comportava o quantitativo de ônibus.

Saturação Terminal Urbano - Urban

A primeira semana de operação da Urban foi marcada pelo congestionamento do Terminal Urbano e represamento de passageiros nas plataformas. Além da frota maior, as viagens estavam a ser despachadas manualmente - o que foi solucionado definitivamente na segunda semana de operação quando entrou em funcionamento o sistema informatizado de controle das viagens.

Para evitar os embarques e desembarques irregulares fora do Terminal, a Urban deu início a adequações na estrutura do local em dezembro de 2015.

A mais importante foi a construção da rampa (Box Extra) para o embarque das linhas de maior fluxo - como as que atendem o Daia e polo universitário - e consequentemente diminuir o tráfego de ônibus dentro do Terminal que ficou pequeno e tumultuado com a demolição do Terminal Novo, em cumprimento a decisão judicial.

O espaço onde funcionava a administração do Terminal - transferido para o piso superior - deu lugar ao Box Extra, cujas obras de adaptação duraram cerca de 40 dias.

Box Extra - Terminal Urbano

Algumas modificações no viário do entorno do Terminal foram feitas pela Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), que abriu uma via larga entre o Terminal e a Praça Americano do Brasil.

Além do Box Extra, as linhas do Daia tiveram seu trajeto alterado no Centro na volta para o Terminal. Antes todas subiam a Avenida Goiás até a Rua General Joaquim Inácio. Agora o trajeto dá-se pela 1º de Maio e Av. Xavier de Almeida até Box Extra do Terminal.

As alterações desafogaram o corredor da Rua General Joaquim Inácio e praticamente eliminaram o congestionamento de ônibus na entrada do Terminal Urbano - cenário cotidiano desde a demolição do Terminal Novo quando a TCA operava, quanto da Urban até o funcionamento do Box Extra.

Outra mudança implementada pela Urban foi o acesso do passageiros dentro do Terminal para o posto de recarga dos cartões. Antes, quem estava na área de embarque não conseguia recarregar os cartões, exceto se saísse do Terminal. Agora os guichês voltados para a área de embarque ficaram de acesso exclusivo para os passageiros dentro do Terminal, enquanto os guichês externos para o público em geral.

A partir de setembro de 2016, o Terminal Urbano passou por algumas modificações na distribuição das mais de 90 linhas pelos 27 boxes de embarque e desembarque de passageiros.

O sistema de transporte coletivo passou a ser dividido em 08 áreas operacionais (ou como a Urban define, 08 áreas de circulação), com base nos eixos do transporte coletivo em que as obras dos corredores de ônibus estão a ser executadas.

Reestruturação Terminal Urbano

A Urban justificou essa reorganização, pois as linhas eram misturadas e distribuídas irregularmente nos boxes; e o passageiro ficava refém de uma única linha, sendo que outra que fazia o mesmo itinerário partia de outro box e que também atendia o seu desejo de deslocamento. Além disso essas mudanças conferiram uma maior acessibilidade, pois as 08 áreas no Terminal Urbano foram divididas por cores.

A reorganização das linhas somado ao box extra, reestruturou o tráfego dentro do Terminal diminuindo os atrasos nas partidas, apesar de haver estrangulamento nos horários de pico nos dias úteis - porém em escala menor se comparado antes da implantação do box extra.

Em julho de 2017 a Urban entregou para os funcionários um Espaço de Convivência no piso superior do Terminal Urbano.

Espaço de Convivência - Terminal Urbano

Imbróglio com os lojistas

A queda de braço entre os lojistas e a Urban começou no apagar de luzes do mandato do ex-prefeito João Gomes, quando no dia 29 de dezembro de 2016, publicou o decreto no qual revogou a autorização de uso de bens públicos localizados no Terminal Urbano.

O ato administrativo foi justificado com base no contrato de concessão entre a Prefeitura e a Urban. Nele, estabelece que a competência de administrar, manter e operar o Terminal, inclusive com direito real de uso e exploração do comércio é da empresa de ônibus.

A revolta dos comerciantes começou quando a empresa anunciou que iria cobrar uma taxa referente aos custos do Terminal que deveriam ser pagas integralmente por eles, mas os valores não agradaram a maioria que consideraram o preço exorbitante. Ao todo o Terminal têm 80 espaços comerciais de diversos tamanhos.

Em janeiro de 2017, a Prefeitura de Anápolis revogou o decreto que formalizava a transferência do Terminal Urbano para a Urban.

Insatisfeitos com a cobrança a ser feita pela concessionária do transporte, os lojistas protestaram duas vezes na Câmara Municipal. Diante das manifestações, os parlamentares recorreram ao Executivo Municipal para solucionar o imbróglio. Os vereadores estudaram propor um projeto de lei proibindo a Urban da exploração imobiliária, no caso, a gestão do Terminal Urbano.

O contrato diz que os recursos decorrentes da taxa de manutenção do Terminal deverão ser destinados exclusivamente ao custeio da operacionalização, manutenção e conservação do Terminal. O documento estabelece que o Terminal Urbano seja autossustentável, para que o custo de manutenção do local não seja diluído na tarifa e consequentemente repassado ao passageiro.

Com um custo de manutenção orçado em 2009 em R$ 66 mil reais/mês, os valores atuais estão estimados em mais de R$ 100 mil reais/mês.

Para se chegar ao valor a ser cobrado dos lojistas, foi feito um cálculo com as despesas do Terminal, e o valor foi rateado e cobrado proporcionalmente por metro quadrado ocupado dentro do Terminal.

Em negociação com a Urban no primeiro semestre de 2017, a Prefeitura conseguiu a redução de taxa de custeio aos lojistas do Terminal Urbano.