DF: Roubo a ônibus em Samambaia dispara

Reincidentes e com a certeza de que voltarão para as ruas. Essas são as principais características de criminosos que assaltam os passageiros do transporte coletivo no Distrito Federal. Ontem, dois ladrões foram presos pela Polícia Militar após agirem em um ônibus da empresa São José na QR 421 de Samambaia. Na região administrativa, o número de roubos a coletivo aumentou 24% de 2016 para 2017.

Os dois homens haviam roubado um celular de uma mulher, que estava na linha 053. A Polícia Militar os conduziu à 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), e o celular foi devolvido à vítima.

Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública do DF, em 2016 foram, ao todo, 549 crimes só em Samambaia. Em 2017, até novembro – último dado da pasta – somaram-se 683 assaltos a ônibus, representando o aumento de 24%. No mês de janeiro, toda a capital, no entanto, registrou queda no crime: em 2017 foram 232 roubos em transporte coletivo, contra 131 no primeiro mês deste ano.

Relatos diários

Quem depende do transporte público relata receio. A cozinheira Zuleide de Oliveira, 53 anos, mora há nove meses em Samambaia, mas já pensa em retornar para Sobradinho. “Todo dia é uma história diferente de assalto. Estou assustada”, desabafa.

Para ela, o fim do ano foi a pior época. “De um mês para cá sinto que deu uma diminuída. No fim do ano teve muito assalto, antes e depois do Natal. Eles entram procurando celular, porque é o mais fácil”, afirma.

A cozinheira conta que nunca foi assaltada, mas o medo é constante. “Na parada que fico conheço algumas pessoas que foram roubadas. Um dia uma mulher me falou que, assim que eu saí, parou um ônibus que tinha sido assaltado. Outra vez, a caminho do serviço, o ônibus parou e os assaltantes iam entrar, mas acabaram atirando em um rapaz e fugiram. É sorte minha, eu sei disso. Está impossível morar em Samambaia”, lamenta.

Arrastão nas paradas

Os moradores da região administrativa denunciam que os arrastões em paradas de ônibus também aumentaram. O autônomo Gildo Inácio dos Santos, 43 anos, precisa estar cedo no Plano Piloto para trabalhar, por isso está no ponto nas primeiras horas do dia. “Tive que fugir de um assalto. Eram 5h30 e chegaram uns cinco homens de uma vez. Assaltaram um grupo de jovens que estavam indo para a escola, e deu tempo de eu correr”, lembra.

O autônomo tem um filho de 14 anos e o ensina a evitar os assaltos. “Sempre falo para ele não usar o celular no ônibus, mas sei que não resolve”. O estudante Wallace Matias confessa que tem o costume de ouvir música no telefone enquanto está no transporte, mas tenta esconder o smartphone. “Coloco na cintura e não na mochila. Se um dia for assaltado, entrego. Minha vida vale mais”, admite. Pai e filho contam que na família pelo menos três pessoas já foram roubadas dentro dos ônibus.

O estudante Gilvan Oliveira Trindade, 23, aponta o mesmo problema: “É diário. Sempre escuto um parente, um vizinho, dizer que foi assaltado na parada”. Ele acrescenta que Samambaia como um todo enfrenta problemas de segurança. “Não tem lugar mais. É na rua, no comércio, no ônibus. Não adianta a gente tentar escapar, os bandidos estão em todos os cantos”, critica. O estudante aponta que já sofreu cinco tentativas de assalto, sendo duas com arma de fogo.

Versão oficial

De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, a corporação tem encontrado duas dificuldades em Samambaia: “a denúncia e a reincidência. Por conta da reincidência, as pessoas ficam com medo de denunciar”, resume. “A PM tem feito muitas prisões e apreensões de maiores e menores de idade na região. Na maioria dos casos, os criminosos moram próximo aos locais dos crimes e até conhecem as vítimas. Porém, as vítimas não denunciam nem chamam a PM por medo”, conclui o militar.

Fonte: Jornal de Brasília