Anápolis: Urban completa dois anos de operação

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Por Rafael Martins

Quem vê o transporte coletivo de Anápolis operando em sua normalidade, não imagina que há exatos dois anos o cenário era de caos nos primeiros dias de operação da Urban. Porém a história da entrada da empresa na cidade data antes de 22 de novembro de 2015.

2015

Em 24 de agosto, a Urban assinou o contrato com a Prefeitura de Anápolis após um conturbado e arrastado processo licitatório lançado em 2010. A concessionária, a partir desta data, teria 90 dias para iniciar suas operações conforme sua proposta apresentada na concorrência pública.

Os representantes da empresa assinaram o contrato da aquisição de 103 ônibus novos em 17 de setembro, que somados a outros 87 ônibus seminovos, iriam realizar o transporte dos passageiros a partir de 22 de novembro.

Em 30 de outubro a Urban emite um comunicado sobre a comercialização de vales-transporte de papel, sendo que a aquisição destes estariam disponíveis em 04 de novembro num pequeno contêiner na entrada do Terminal Urbano.

A opção de vales-transporte de papel pela Urban deu-se por conta da tecnologia a ser utilizada na bilhetagem eletrônica. A TCA utilizava o sistema da Empresa 1, enquanto a Urban a tecnologia da Transdata - ou seja, os cartões SAIT da TCA não poderiam ser lidos nos validadores dos ônibus da Urban.

Apesar do anúncio da venda antecipada, as disputas judiciais entre a Urban e TCA causaram um sentimento de insegurança no usuário do transporte coletivo - uma vez que este não sabia se a TCA iria continuar ou a Urban a partir do dia 22/11 seria a nova empresa de ônibus na cidade. A indefinição fez os passageiros amargarem longas filas no posto de venda do Terminal Urbano nos primeiros dias de operação da empresa.

Em 13 de novembro a Urban apresenta sua frota.

O início caótico

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A primeira semana de operação da Urban foi conturbada para quem precisou utilizar o transporte coletivo. Atrasos, falta de ônibus, furos de viagens, superlotação nos ônibus e Terminal, embarques e desembarques irregulares fora do Terminal, filas para comprar passe de papel, ônibus quebrados nas ruas e até depredação dos coletivos.

Dia 23/11. Primeiro dia útil da operação. Conforme mostrado na reportagem veiculada pelo Jornal Anhanguera 1ª Edição, as reclamações sobre atrasos, furos de viagens, falta de ônibus e superlotação foram frequentes. A matéria começou a mostrar os pontos de ônibus lotados e passageiros insatisfeitos, com a demora de até 1h entre um coletivo e outro, segundo depoimento de alguns. 

A repórter Priscila Marçal acompanhou a viagem em um dos ônibus. Segundo ela, o ônibus da linha direta ‘Recanto do Sol/Trilhos’ que devia passar às 6h10, só apareceu às 6h45 e ainda superlotado. Com uma câmera menor, ela filma dentro do coletivo e dispara, “o ônibus está tão cheio, que sequer pude passar pela catraca”. 

A reportagem seguiu para o lotado Terminal Urbano, com mais reclamações de passageiros insatisfeitos com os ônibus insuficientes e cheios. Os desembarques fora do Terminal, que aconteciam com a TCA desde a desativação do Terminal II, continuaram com a Urban.

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No estúdio da emissora, o gestor de implantação da Urban, Humberto El Zayek, comentou sobre os problemas na operação do dia 23. Ele creditou as falhas operacionais em grande parte à antiga operadora, em que alegou não receber os dados da operação da TCA. 

Sobre os atrasos, Zayek informou que: 

- no dia em questão as viagens estavam a ser liberadas manualmente, na prancheta;

- o Terminal Urbano era o grande gargalo do transporte em Anápolis; 

- ciente dos problemas, a empresa estava a buscar soluções para esse estrangulamento. 

O diretor também garantiu que os atrasos diminuiriam no dia seguinte, porém...

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Dia 24/11. A reportagem do JA 1ª edição começa a mostrar “a maratona de atrasos dos passageiros”. As reclamações soaram de forma uníssona ao dia anterior, apesar de Zayek declarar em entrevista naquele dia que os atrasos caíram pela metade do tempo e que isto seria sanado com a implantação de um sistema eletrônico de viagens. 

Outro agravante mostrado na reportagem foi a imensa fila para a compra de vales-transportes de papel empresarial e estudantil. Zayek creditou o aumento da demanda após a assunção do serviço, à insegurança da população com o início da operação da empresa, já que houve um acirramento da briga jurídica entre a empresa e a TCA em novembro.

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Dia 30/11. O Jornal Anhanguera 1ª Edição faz um balanço da primeira semana de operação e também de como foi o início da segunda semana. Por dois dias a reportagem mostrou o sufoco dos passageiros, pontos de ônibus lotados e algo inédito no sistema até então: passageiros tendo que sair do Terminal para embarcar na rua, isto porque a Urban alegou que o espaço não comportava o quantitativo de ônibus.

Adequações pontuais no Terminal Urbano

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Para evitar os embarques irregulares fora do Terminal, a Urban deu início a adequações em sua estrutura.

A mais importante foi a construção da rampa (Box Extra) para o embarque das linhas de maior fluxo - como as que atendem o Daia - e consequentemente diminuir o tráfego de ônibus dentro do Terminal que ficou pequeno e tumultuado com a demolição de parte da sua estrutura o início do ano, em cumprimento a decisão judicial de proteção da antiga Estação Ferroviária.

Algumas modificações no viário do entorno do Terminal foram feitas pela Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), que abriu uma via larga entre o Terminal e a Praça Americano do Brasil.

Além do Box Extra, as linhas do Daia tiveram seu trajeto alterado no centro na volta para o Terminal. 

Antes todas subiam a Avenida Goiás até a Rua Gen. Joaquim Inácio, indo ao Terminal. Agora o trajeto dá-se pela 1º de Maio e Av. Xavier de Almeida até Box Extra do Terminal.

As alterações desafogaram a Rua Gen. Joaquim Inácio e praticamente eliminaram o congestionamento de ônibus na entrada do Terminal Urbano - cenário cotidiano desde a demolição do Terminal II quando a TCA operava, quanto da Urban até o funcionamento do Box Extra.

Terminal Urbano Anápolis

Frota Low-Entry

Em dezembro começam a chegar os primeiros ônibus low-entry (piso baixo) com motorização traseira conforme a exigência do contrato de concessão. Ao todo foram adquiridos 19 ônibus, que começaram a circular em janeiro de 2016 - assim que o Box Extra foi inaugurado.

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2016

Em janeiro começa a funcionar a bilhetagem eletrônica em substituição aos vales transportes de papel, além do site da Urban dispor de consulta de horários das linhas de ônibus.

Em 21 de março foi implantando na Praça do Ancião o primeiro ponto de integração temporal, dado o local ser o principal cruzamento de linhas do transporte coletivo fora do Terminal Urbano. Em 16 de abril começou a funcionar o segundo ponto de integração na Avenida Faiad Hanna, próximo ao viaduto Nelson Mandela.

Mudança no Terminal Urbano

Terminal Urbano de Anápolis

A partir de setembro, o Terminal Urbano de Anápolis passou por algumas modificações na distribuição das mais de 90 linhas pelos 27 boxes de embarque e desembarque de passageiros.

O sistema de transporte coletivo passou a ser dividido em 08 áreas operacionais (ou como a Urban define, 08 áreas de circulação), com base nos eixos do transporte coletivo em que as obras dos corredores de ônibus estão a ser executadas.

A Urban justificou essa reorganização, pois as linhas eram misturadas e distribuídas irregularmente nos boxes; e o passageiro ficava refém de uma única linha, sendo que outra que fazia o mesmo itinerário partia de outro box e que também atendia o seu desejo de deslocamento. Além disso essas mudanças conferem uma maior acessibilidade, pois as 08 áreas no Terminal Urbano foram divididas por cores.

A reorganização das linhas, somado ao box extra, reestruturou o tráfego dentro do Terminal diminuindo os atrasos nas partidas, apesar de haver estrangulamento nos horários de pico nos dias úteis - porém em escala menor se comparado antes da implantação do box extra.

2017

Em maio a empresa passou a disponibilizar mapas com as rotas de todas as linhas de ônibus da cidade por meio do Google Maps.

A Urban anuncia sua primeira renovação da frota, em que 20 ônibus novos foram apresentados na Praça Dom Emanuel em julho.

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Ainda naquele mês, a empresa entregou para os funcionários um Espaço de Convivência no piso superior do Terminal Urbano.

Espaço de Convivência

Apesar das adversidades cotidianas, o transporte coletivo opera dentro da normalidade sem grandes transtornos aos passageiros. Reclamações existem? Claramente, porém não basta investir só em infraestrutura, nem só em operação do sistema. 

Terminal Urbano de Anápolis

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A melhoria da prestação do serviço de transporte coletivo passa por ações conjuntas que visem, simultaneamente, as duas vertentes. Tratam-se de medidas de médio e longo prazo, e que exigem a paciência de quem utiliza o transporte, sempre exigente de melhores serviços.
 
O Pense Mobilidade parabeniza a Urban pelos dois anos de operação em Anápolis.