Anápolis: Mobilidade Urbana é discutida em seminário no IFG

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Por Rafael Martins

Na noite do último dia 21, foi realizado no Instituto Federal de Goiás (IFG) – Câmpus Anápolis a abertura oficial da II Semana de Engenharia Civil da Mobilidade, organizada pelo Centro Acadêmico do curso de Engenharia Civil da Mobilidade (CAECM).

Dentre as autoridades presentes estavam o diretor-geral do Câmpus Anápolis, professor Ewerton Gassi, o vice-prefeito de Anápolis, Márcio Cândido da Silva, o diretor-geral da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), Carlos Cézar Savastano de Toledo, o presidente da Associação dos Estudantes e Profissionais de Logística de Anápolis, Aroldo Ferreira do Santos, a engenheira da Urban, Rafaela Rocha Lopes, a coordenadora do curso de Engenharia Civil da Mobilidade, professora Maria Tâmara Moraes e a presidente do CAECM, Mariane Aparecida Alves Oliveira.

Prioridade ao transporte público

Abrindo a programação, o debate sobre o tema "Panorama atual da mobilidade urbana de Anápolis" trouxe exposições do engenheiro de tráfego da CMTT, Igor Siqueira, e também pela engenheira da Urban, Rafaela Lopes.

Igor revelou da importância da priorização viária para qualificar o transporte coletivo, em que destacou o projeto dos corredores de ônibus que vai priorizar a mobilidade dos meios de locomoção de massa da cidade, abrindo vias de uso exclusivo e prioritário para os ônibus.

Segundo ele, na prática, serão implantados seis corredores nas avenidas que ligam os extremos do município. Na Brasil Norte e Sul e Universitária, serão implantados corredores exclusivos para o transporte público. Já nas avenidas Pedro Ludovico, Presidente Kennedy, Fernando Costa, São Francisco e JK, serão adaptados corredores preferenciais. “Estas obras representarão um novo paradigma para a mobilidade urbana de Anápolis”, ponderou, descrevendo que o projeto prevê a implantação de calçadas, dando ênfase à acessibilidade e ciclovias, melhorias que atenderão toda a cidade.

O engenheiro da CMTT frisou sobre a implantação do sistema de gestão de frota de inteligência, em que haverá um CCO - Centro de Controle Operacional, cuja estrutura, quando finalizado, formará um núcleo de comando de operações online, permitindo a gestão integrada do transporte e do trânsito na cidade, de forma sistematizada. Também será possível acompanhar a localização de cada um dos ônibus através de um módulo GPS integrado e, assim, informar em tempo real ao usuário do transporte o tempo previsto de chegada desses veículos ou quaisquer alterações na sua rota ou horário.

Sobre o trânsito, Igor disse que ainda há gargalos a serem enfrentados - principalmente na região central - em que está previsto uma nova política de estacionamento inteligente através de aplicativos, eliminando assim a árdua tarefa de conseguir os talões da zona azul.

Estrutura tarifária

Representando a Urban, a engenheira civil, Rafaela Rocha Lopes, fez uma breve apresentação da empresa e das mudanças implementadas depois que a concessionária assumiu a operação do transporte coletivo em novembro de 2015.

Rafaela destacou como funciona e está organizada a rede de ônibus. O sistema de transporte coletivo passou a ser dividido desde 2016 em 08 áreas operacionais (ou como a Urban define, 08 áreas de circulação), com base nos eixos do transporte coletivo em que as obras dos corredores de ônibus estão a ser executadas. A partir desta organização, os boxes das linhas do Terminal Urbano também foram reorganizados nesta concepção.

A rede atual tem como principal característica o fato de 100% das linhas se dirigirem para o Terminal Urbano. Esta integração traz uma grande vantagem para os usuários, pois permite a integração de todas as linhas possibilitando que os usuários façam qualquer deslocamento na cidade pagando apenas uma passagem. Permite, também, que este transbordo seja feito de forma confortável dentro do terminal existente e com qualquer linha que atenda o destino pretendido, aumentando as opções e com isso reduzindo o tempo de espera e o tempo total de deslocamento para uma parte dos usuários.

No entanto esta configuração obriga todos os usuários irem até o Terminal ocasionando em alguns casos perda de tempo, visto que, as vezes, o usuário faz percursos “negativos” andando “para traz” no seu deslocamento. Para corrigir esta distorção, Rafaela explica que foram criados dois pontos de integração temporal atualmente localizados na Praça do Ancião e no Viaduto Nelson Mandela. A representante da Urban ressalta a importância do usuário ter o cartão, pois é através dele que é possível utilizar a integração temporal.

Sobre a estrutura tarifária, Rafaela mostrou que a tarifa de ônibus é responsável por todo o financiamento do custeio da produção do serviço de transporte, pela manutenção do órgão gestor (CMTT) e ainda por subvenção a segmentos da população como idosos, PNE's, e outras categorias conforme o decreto que instituiu a nova regulamentação das gratuidades.

É preciso separar o que é a tarifa ser paga pelo usuário, da tarifa de remuneração dos serviços. Em muitas capitais e cidades elas compõem e integram um único cálculo. Com isso travam-se investimentos maiores na área, em que se houvesse subsídio, poderiam ser aplicados na melhoria e qualidade dos serviços.

Outros fatores impactam nos custos do transporte, cujos reflexos incidem diretamente na tarifa, como linhas ociosas, queda da demanda, descontrole das gratuidades e etc.

Sobre as gratuidades, a representante da Urban ressalta que a empresa não discute a necessidade das gratuidades, que são legitimadas pela sociedade, mas que questão crucial para o setor é definir fontes de recursos para estas gratuidades, que são embutidas nas tarifas do passageiro pagante.

Em poucas palavras, partindo da suposição de que as gratuidades atuais sejam mantidas, a questão fundamental é quem deve pagar a conta. Atualmente na prática significa transferir para uma pequena parcela da sociedade (usuários pagantes), todo o ônus de políticas sociais que deveriam serem suportadas por toda sociedade.

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