Anápolis: IPK dos ônibus em queda

Urban
Por Rafael Martins

O IPK - Índice de Passageiros por Quilômetro dos ônibus em Anápolis caiu 11,47%, se comparado a 2009 - quando foi feito um raio-x do sistema visando a preparação da concessão do serviço de transporte coletivo, cujo contrato da TCA estava vencido desde 2008.

O índice é relativo a produtividade de cada viagem dos ônibus. Ele resulta da divisão da média mensal de passageiros transportados pela média mensal da quilometragem. Quanto maior esse indicador, maior é a produtividade do serviço de transporte, ou seja, quanto mais passageiros forem transportados com menos quilometragem, melhor.

O IPK é um importante componente no cálculo tarifário, e também reflete na quantidade da frota de ônibus em operação. Quanto mais longe o transporte tem que ir, mais baixo é seu IPK, e por consequência, mais caro é o custo do serviço, e por sua vez maior será a tarifa para o usuário.

Números

TCA - 3184

A TCA operava em 126 linhas com 186 ônibus em sua frota operacional. Todas as linhas saíam do Terminal Urbano, com exceção das linhas diretas no pico da manhã que partiam das garagens Central e Nasson.

Eram transportados 2.153.362 passageiros/mês, e os 186 ônibus percorriam mais de 985 mil km/mês. Com isso o IPK era de 2,18 pass/km.

Urban - 81043

A Urban transporta atualmente 2 milhões de passageiros/mês em 121 linhas com 204 ônibus, que percorrem 1.035.645 km/mês - resultando num IPK de 1,93 pass/km.

Do Terminal Urbano partem 102 linhas regularmente. As demais saem das garagens Central e Jaiara no pico da manhã, e à tarde do ponto de apoio a poucos metros do Terminal.

IPK e expansão urbana

Anápolis (GO)

O crescimento ordenado preconizado no Plano Diretor não conseguiu acompanhar atualmente o crescimento do tecido urbano de Anápolis, uma vez que a velocidade de ocupação de territórios é incompatível com o tempo de planejamento do uso do solo.

O espraiamento urbano altera toda a dinâmica e planejamento de transporte em que ocupações, muitas vezes não planejadas, sem infraestrutura e com baixas densidades, demandam novas linhas e horários de atendimento. Sendo assim, ao sistema cabe remanejar a frota, inserir novas linhas e percorrer maiores distâncias, gerando novos custos, provocados por um fenômeno que, apesar de externo ao sistema, afeta-o de forma tão negativa. Mais uma vez cabe destacar a necessidade do transporte coletivo de ser protagonista e estruturador da ocupação urbana, não o contrário.

Com o crescimento desordenado, a rede de transporte é ampliada compulsoriamente, já que o primeiro serviço público que chega a estas localidades é o ônibus. Ampliando as redes de atendimento do transporte coletivo, porém com número cada vez menor de passageiros, resulta-se em baixo IPK que, por sua vez, força para cima o valor da tarifa.

O IPK é diretamente influenciado pela dinâmica do uso e ocupação do solo e densidade populacional. Anápolis, desde 2009, cresceu de forma espacial - com o surgimento de novos bairros e conjuntos habitacionais - e populacional, saltando de 325.544 habitantes para os atuais 375.142 habitantes.

A rede de transporte acompanha o crescimento das cidade, porém a demanda de passageiros não. Da mesma forma que quantidade de linhas em operação não reflete na quilometragem da Urban, mas sim a extensão de cada linha pelo respectivo número de viagens programadas, observando-se o número de dias úteis, sábados, domingos e feriados.

O que justifica a implantação de uma linha é a demanda da região ou bairro. Geralmente, as novas linhas são implantadas onde tem adensamento urbano, em novos loteamentos ou residenciais. A partir da avaliação da demanda localizada e os itinerários, uma nova linha é implantada ou linhas existentes têm seus itinerários ampliados para atender as novas demandas.

Do ponto de vista da cobertura espacial a rede atinge quase a totalidade dos bairros da cidade ficando fora apenas alguns condomínios de chácaras.

A relação entre a rede de transporte público e a estrutura urbana constitui-se por duas características basilares: de um lado, o uso e ocupação do solo condiciona o número de passageiros que utilizam a rede de transporte público. De outro, o desenho da rede influi na maneira como a cidade se expande e como os usos se distribuem no espaço urbano, ao conferir acessibilidade a tais áreas.

Ao relacionar as linhas de transporte público coletivo e as densidades populacionais, percebe-se que há alguma coincidência entre a concentração de linhas e as altas densidades populacionais.

Os principais bairros têm linhas diretas para o Daia nos horários de pico permitindo acesso direto nestes horários sem passar pelo terminal. Fora a área central de Anápolis, o Daia é o principal polo de atração de viagens da cidade representando cerca de 16% da demanda de transporte.

Urban - 80543

Até setembro de 2016, o subsistema Daia apresentava um excesso de linhas sobrepostas. Isto porque alguns ônibus faziam a rota até os Trilhos, e outros mais adiante até a Champion.

Com a reorganização do Terminal Urbano, a Urban racionalizou estes itinerários, eliminando essas sobreposições fazendo todas as linhas diretas irem até o trevo final do Daia.

Apesar de reduzir a quilometragem suprimindo estas sobreposições, novos atendimentos foram criados no Daia  devido a dinâmica do distrito industrial e do surgimento novos bairros após ele - como o Residencial Cidade Industrial.

TCA - 3762


Urban - 80225


Mesmo que Anápolis consolide seu crescimento, a alteração no perfil de determinada região modifica a dinâmica do planejamento da rede. O que impacta a rede de transporte não é o simples crescimento/expansão da cidade, mas sim o seu uso do solo, então o transporte de desenvolve a medida que o uso do solo se altera. Se por exemplo, sem alterar tamanho da cidade, uma zona deixa de ser residencial e passa a ser comercial a rede se altera, mesmo sem o “crescimento” da cidade”.

Apesar destas características, as planilhas de viagens e horários são periodicamente alteradas em função da própria dinâmica da cidade e dos deslocamentos dos usuários para compatibilizar a oferta de transporte com o crescimento de Anápolis. Entretanto a demanda não acompanha este crescimento. Hoje a população cresce e a demanda cai, o que faz aumentar a improdutividade da rede, aumentando os custos e por consequência pressionando a tarifa.