Goiânia: Viagem de ônibus dura em média 80 minutos

Rápido Araguaia - 50514
A área urbana atendida por ônibus do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia (RMG) cresceu 32% em 15 anos. Esse espraiamento da cidade tem reflexos diretos na questão da mobilidade e na qualidade do transporte público ofertado. Os impactos são no tempo de viagem, velocidade dos veículos, maior espera no ponto, mais tempo de caminhada até o local de esperar pelo transporte. O resultado: a duração média de uma viagem de transporte coletivo na RMG é de 80 minutos, aí computados o tempo de caminhada até o ponto, espera, o tempo dentro do ônibus, todos os componentes até a chegada ao destino. Esse é um dos principais dados do estudo técnico de planejamento Novo Plano Operacional (NPO 2017), desenvolvido pelo Consórcio RedeMob e apresentado no seminário Mobilidade urbana/Transporte coletivo pelo diretor da Oficina Consultores Associados, o engenheiro civil Arlindo Fernandes, que trabalha nessa área há mais de 30 anos.

O estudo, que contemplou uma pesquisa sobre origem e destino dos usuários do transporte coletivo, mostra que o sistema de transporte está tendo de atender cada vez mais longe, ao mesmo tempo em que o número de usuários caiu, o que potencializa a crise do setor. “É preciso reverter essa situação, mas isso não depende apenas da melhoria dos ônibus, por exemplo. Mas a economia vai voltar a crescer e as empresas (de transporte) precisam estar preparadas para oferecer um serviço estruturado”, alerta o especialista. O Novo Plano Operacional desenhado a partir dos estudos busca justamente construir soluções para estancar a queda no número de usuários, que é nacional, e preparar para o crescimento. Para isso, pondera Fernandes, é preciso que haja compromissos privado e público. “A tarifa sozinha não dá conta mais, esse modelo se exauriu”, defende.

O grande desafio do transporte coletivo é que não basta resolver um ou outro problema, isoladamente. É preciso atacar o conjunto. “Por isso é fundamental ter dados e planejamento”, pondera o consultor. 

O estudo do NPO mapeia as viagens internas e externas, evidenciando dois aspectos: a importância do sistema integrado de Goiânia e a possibilidade de criar novas ligações (linhas), principalmente dentro de Goiânia. Os números mostram que 80% dos deslocamentos na capital são internos. Goianira está no outro extremo: apenas 13% das viagens são dentro do próprio município; a maioria é para outras localidades, principalmente para Goiânia. “Cada município possui seus desenvolvimentos locais. Dentro do conceito de rede integrada, há oportunidades para, com responsabilidade, criar novas ligações”, conclui Fernandes.

Integração sem uso do terminal

Num cenário tão dinâmico, com multiplicidade de destinos de viagem e deslocamentos em todas as direções, a integração é parte inerente para melhorar o sistema. O diretor da Oficina Consultores vê necessidade de fazer mais investimentos em bilhetagem, ainda que a RMG tenha sido pioneira no País no modelo eletrônico. “É preciso fazer a integração com cartão, sem necessidade de passar pelo terminal para isso. Isso permitirá novos caminhos, fazer viagens de outro jeito”, acredita. Como a rede é única e atende deslocamentos municipais e intermunicipais, será possível desenvolver soluções para favorecer os deslocamentos internos.

Fonte: O Popular