Peso das gratuidades na tarifa e fontes de financiamento do transporte foram destaque no Seminário Nacional da NTU

Fontes de financiamento para custeio de gratuidades e benefícios tarifários monopolizaram a fala das autoridades convidadas para a abertura do Seminário Nacional NTU 2017 e Transpúblico, realizado em 30/08, em São Paulo. Encontrar formas de manter os benefícios sem onerar ainda mais o passageiro que paga a tarifa é um dos desafios para poder público e empresários do setor.

"Precisamos deixar claro que esta gratuidade é o usuário quem paga. É um serviço que acaba sobrecarregando o custo do sistema", frisou Otávio Cunha, na abertura o evento. O secretário Municipal de Mobilidade e Transporte de São Paulo, Sérgio Avelleda, enfatizou que o cenário no país é de muita preocupação com a crise econômica que afeta o Brasil e diretamente o transporte público na cidade de São Paulo. "Perdemos muitos usuários e é difícil trazê-los de volta. Precisamos investir ainda mais na qualidade e na atratividade", completou.

Sobre gratuidades, Avelleda afirmou que é um tema sensível. "É preciso medida pública para avaliar quem precisa de fato. Não temos nenhum controle se o estudante, por exemplo, está frequentando a escola", afirmou.

O senador Acir Gurgacz destacou que representa o setor com conhecimento de causa e sustentou que a tarifa é quem banca o serviço. "É o trabalhador quem paga pela gratuidade do jovem e do idoso", reforçou.

O prefeito de São José dos Campos e vice-presidente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Felício Ramuth, ressaltou a importância do debate realizado. "É uma oportunidade de compartilharmos informação acerca do transporte público no país", afirmou.

Para Ailton Brasiliense Pires, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o momento é importante para debater a situação da mobilidade urbana no país. "Precisamos refletir sobre a melhoria da qualidade vida urbana que esta atrelada ao transporte", disse Pires.

De acordo com o secretário nacional de Mobilidade Urbana, José Roberto Generoso, o transporte público é uma preocupação latente e que o poder público deve procurar uma solução tentando equacionar os investimentos. "O governo federal está liberando R$ 800 milhões por meio do programa Refrota para a compra de 10 mil ônibus", informou.

Presidente da NTU destaca que 62% voltariam para o transporte se tarifa fosse menor

O presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha, destacou que 62% das pessoas que abandonaram os ônibus voltariam para o transporte coletivo se o valor da passagem fosse menor. Este é um dos números da pesquisa inédita Mobilidade da População Urbana 2017, realizada entre os dias 12 a 23 de junho deste ano pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com a NTU.

O levantamento foi apresentado durante o primeiro painel do Seminário Nacional NTU 2017, realizado nesta quarta-feira (30), em São Paulo. O presidente Otávio Cunha também falou de alternativas para o financiamento da tarifa e racionamento do transporte coletivo.

"Além do reduzir o custo da passagem, deve ser feita a flexibilidade das rotas, atualização das redes de transporte para que os passageiros tenham mais opções de linha e horários. A CIDE também pode ser um dos caminhos para resolver esta questão", discursou Cunha durante abertura.

Com mediação do jornalista e editor do jornal Valor Econômico Cristiano Romero, o debate também foi aprofundado por Felício Ramuth, prefeito de São José dos Campos (SP) e vice-presidente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Sérgio Avelleda, secretário Municipal de Mobilidade e Transporte de São Paulo, e o senador Acir Gurgacz.

Metodologia

Na pesquisa foi ouvida a população residente em 35 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. O questionário foi respondido pelo responsável pelo domicílio, prestando informações detalhadas sobre os seus deslocamentos para a realização das atividades diárias, seja para trabalho, estudo ou outras razões. Além de prestar suas próprias informações, o respondente forneceu informações resumidas sobre os deslocamentos de todos os moradores do domicílio com 15 anos ou mais, chegando ao total de 7825 pessoas pesquisadas.

O estudo ainda levou em conta o porte do município e a classe social do entrevistado. As entrevistas foram feitas entre 12 e 23 de junho de 2017, nos domicílios, de forma presencial, com a realização de 3.100 entrevistas.

Com relação ao perfil dos entrevistados, 52,5% são do sexo feminino. Na maioria dos 3.100 domicílios pesquisados residem dois moradores (32,7%), sendo que o total de residentes soma 9.407 pessoas. Os adultos predominam na amostra e representam 51,9% dos moradores das residências pesquisadas. Ainda sobre o perfil dos entrevistados, os desempregados constituem 10% dos indivíduos com 15 anos ou mais pesquisados, o equivalente a 786 pessoas.

Fonte: NTU