Governo reconhece que não é capaz de dar prioridade ao transporte público

A necessidade de priorizar o transporte público coletivo urbano, com a participação do governo federal, das empresas, dos municípios e dos legisladores é o caminho para solucionar os desafios que o setor enfrenta hoje. 

Esse foi o consenso dos participantes do segundo painel de debates do Seminário Nacional NTU 2017 & Feira Transpúblico, que está sendo realizado hoje em São Paulo e termina amanhã (31/8). 

O secretário nacional de mobilidade urbana do Ministério das Cidades, José Roberto Generoso, admitiu que o governo federal não é capaz de cumprir a promessa de tratar o transporte coletivo como prioridade, durante o painel "Financiamento versus qualidade nos Serviços de transportes públicos"

Generoso, que abriu o debate, explicou que as regras que regiam o financiamento de recursos do FGTS mudaram e citou a linha de financiamento Refrota 17, criada em conjunto com a NTU e fabricantes de ônibus, para criar disponibilidade e condições de financiamento. 

"O que temos que fazer face a carteira atual?", indagou. "Condições melhores e projetos melhores. Precisamos acabar com essa onda de maus projetos. Com projetos bem estruturados o custo será menor", completou. Generoso também defendeu que a operação de transporte publico tem que ser feita pelo setor privado: "A realidade hoje é que com a crítica situação econômica do país, o governo federal não é capaz de cumprir a promessa de tratar o transporte coletivo como prioridade".

Na apresentação, Generoso expôs detalhes do programa do Ministério das Cidades para a gestão, investimento e financiamento no setor.O secretário mostrou de onde vem os recursos da União para investimento em mobilidade urbana e pontuou com é necessário definir a política de financiamento tanto para o setor privado quanto para o setor público.

O presidente executivo da SPUrbanus ,Francisco Cristovam, também se pronunciou sobre os investimentos privados no setor e como parcerias público-privadas poderiam melhorar a infraestrutura necessária para que o transporte público funcionasse com mais eficiência e qualidade. 

"Fazer PPP é uma forma de trazer a iniciativa privada para se responsabilizar também pela infraestrutura", ressaltou. "Hoje não conseguimos tratar da questão de mobilidade urbana sem falar em qualidade da infraestrutura", afirmou.

O mediador do painel, Marcos Bicalho, exibiu um vídeo sobre a qualidade do transporte coletivo depois da implementação das faixas exclusivas para os ônibus em Fortaleza (CE). Contou que o ganho de qualidade foi de 200% e que as faixas dão mais agilidade aos trajetos. "Projetos simples dão resultado imediato e com custo muito barato", exaltou o diretor da NTU.

Célio Freitas Bouzada, presidente da BHTrans, elogiou a iniciativa da Secretaria de mobilidade urbana do Ministério das Cidades e observou: "O financiamento dos projetos de mobilidade urbana representa um avanço que vai ajudar os municípios". Bouzada também ressaltou a importância de os municípios contarem com fontes de recursos e programas contínuos.

Renato Boareto,especialista em planejamento da mobilidade urbana e meio ambiente, deu uma visão mais geral sobre o financiamento da infraestrutura e afirmou: "Todos aqui temos interesse que o sistema de transporte público dê certo. Isso é fundamental. O transporte público é o único serviço que pode ser universalizado". Boareto acredita que está na hora de colocar o transporte público no centro das discussões e que o setor tenha a sua importância reconhecida. Também participou do debate Célio Freitas Bouzada, presidente da BHTrans.

Fonte: NTU