Goiânia: Plano Metropolitano é discutido e destaca a importância do planejamento integrado para a metrópole

Nesta quinta-feira, 31, a Superintendência de Assuntos Metropolitanos da Secima e a Universidade Federal de Goiás (UFG) concluíram a 19ª Oficina do Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Goiânia (PDIRMG). O evento com o título “Os desafios da região metropolitana de Goiânia: a metrópole que queremos” foi realizado na Câmara Municipal de Goiânia, no auditório Jaime Câmara.

A programação do segundo e último dia do evento contou com apresentações sobre os estudos e diagnósticos feitos para a elaboração do PDIRMG referentes aos diagnósticos sobre o desenvolvimento urbano e econômico e de mobilidade urbana. O evento também contou com apresentações da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Goiânia (Seplanh), sobre os diagnósticos da revisão do Plano Diretor de Goiânia (PDG).

Ao final da apresentação de cada eixo, os participantes da oficina eram convidados a responder um questionário de observações e sugestões sobre a temática explanada. Para o superintendente de Assuntos Metropolitanos, Marcelo Safadi, esta etapa de oficinas e apresentação dos estudos e diagnósticos conta com a participação popular para que obtenha sucesso. “Essa é a fase de nós sabermos a impressão das pessoas sobre as cidades e a região metropolitana, quanto aos assuntos abordados pelo PDIRMG”, disse.

Desenvolvimento Urbano

De acordo com os estudos realizados pela equipe de elaboração do PDIRMG, a região metropolitana de Goiânia tem a capacidade de abrigar quase 10 milhões de habitantes, nos seus mais de 480 mil lotes vazios. Para a Dr.a Miraci Kuramoto Nucada, docente de arquitetura e urbanismo e integrante da equipe elaboradora, a grande preocupação com o uso deste espaço ainda vazio é a retirada das matas e a impermeabilização do solo. “Construir nestes espaços requer atenção quanto ao abastecimento, porque aumenta a dificuldade para a infiltração e alimentação dos lençóis freáticos” afirmou.

Ainda sobre o desenvolvimento urbano e econômico, a equipe apresentou dados sobre déficit de escolas, creches, hospitais, entre outros aparelhos públicos, em relação ao que dizem os protocolos internacionais.

Mobilidade

De acordo com Antenor Pinheiro, o PDIRMG é o primeiro Plano Metropolitano a tratar sobre a acidentalidade no trânsito. “Tratar sobre as mortes no trânsito neste Plano, significa sensibilidade por parte equipe de elaboração e da Secima a um assunto que, em geral, é tratado como acaso”, disse. De acordo com dados apresentados, a região metropolitana tem três vezes mais mortes no trânsito que a média mundial. Para Antenor, um grande passo para a solução deste é importância que se deve dar às causas, em detrimento ao pensamento de que morrer no trânsito trata-se de azar.

Antenor apresentou, ainda, dados sobre o uso da bicicleta como meio de transporte na região metropolitana de Goiânia. Para ele, é preciso inserir o conceito de integração, como os bicicletários com bicicletas de uso coletivo em terminais de ônibus. “Goiânia tem ciclovias, ciclofaixas. Mas o mais importante não é a infraestrutura. Há a necessidade de um plano de gestão, aplicação e monitoramento que integre a bicicleta aos meios de transporte coletivo”, afirmou.

A Dr.a Érika Kneib, docente da UFG e integrante da elaboração, apresentou dados referentes à Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) e afirmou que Goiás caminha na direção apontada internacionalmente, em relação a formação de redes para a gestão da mobilidade urbana. No entanto, conforme os dados apresentados pela professora, a demanda pelo transporte coletivo tem sofrido queda. “As pessoas abandonaram o transporte coletivo para utilizar veículos particulares e isso significa um problema ainda maior para o trânsito nas cidades”, disse.

O PDIRMG

O principal objetivo do Plano é a implantação de um novo modelo de governança para a Região Metropolitana, adaptando a legislação estadual ao novo Estatuto da Metrópole, Lei 13.089, de 12 de janeiro de 2015, que busca solucionar os gargalos hoje existentes, além de proporcionar maior autonomia na implementação das funções públicas de interesse comum aos municípios que compõem a RMG. 

O Plano tem por meta melhorar a qualidade dos serviços públicos da RMG, que engloba o transporte público, saneamento, resíduos sólidos, drenagem, uso do solo, loteamentos, entre outros. Ele adiantou que em breve todos os prefeitos dos 20 municípios que compõem a RMG apresentarão para o governador Marconi Perillo um detalhamento do desenvolvimento do Plano em seus respectivos municípios.

Fonte: Secima