Goiânia: Como funciona a garagem da Metrobus?

Metrobus
Por Rafael Martins

Sexta-feira, 15 de setembro, 13h12. Desembarco da linha 020 no Terminal da Bíblia com o pensamento fixo se daria tempo de chegar sem atraso a Metrobus às 14h. Em meio ao vai e vem de pessoas pela plataforma de embarque, caminho em direção ao Eixo Anhanguera.

O acesso a linha mais importante de Goiânia torna-se um obstáculo. Diversos ambulantes tomam conta do espaço que devia ser destinado exclusivamente a nós passageiros. Homens e mulheres disputam no grito o anúncio de seus produtos: roupas, frutas, doces, brinquedos. Comparar com uma feira livre não é mero exagero. Passo por eles em silêncio em direção ao embarque.

Em um local mais seguro, sem tumulto, pego o celular e consulto o "Olho no Ônibus". A linha que espero é para o Terminal Vera Cruz, porém pela informação do aplicativo meu ônibus só viria após dois coletivos com destino final ao Padre Pelágio. Aguardo por cinco minutos, até entrar no ônibus do ramal para o Vera Cruz.

A espera valeu a pena, mas nem tanto. Fui sentado e quis chorar por fritar no sol. O trajeto dura em média 40 minutos já que o Eixo faz muitas paradas, não pelo embarque nas estações e terminais, mas sim por conta do excesso de cruzamentos semaforizados ao longo da Avenida Anhanguera. A lotação da linha foi normal para o horário, com detalhe de que no Centro e Terminal Praça A foram os locais onde o ônibus mais ficou cheio, e assim seguiu até o Terminal Padre Pelágio.

A maioria das pessoas desembarcam no referido Terminal, e novamente pego o celular que marca 14h. Me tranquilizo, pois a garagem da Metrobus fica próxima dali, e por justamente ter pego o ramal que vai para o Vera Cruz, há um ponto em frente a garagem, meu destino final.

Desço do ônibus, e a poucos passos vejo a fachada da empresa. Não resisto, pego o celular e faço uma foto. Pena o sol forte ter atrapalhado um pouco.

Metrobus

Entro no prédio e aguardo na recepção o assessor de comunicação da Metrobus. O detalhe fica por conta de um ar condicionado cuja ventilação estava voltada para mim. Um alívio para um calor de 35º que marcava naquele momento.

Minutos depois sou recepcionado por Domingos Ketelbey, assessor de comunicação da estatal.

Em sua sala nos apresentamos, conversamos sobre temas gerais de transporte. Domingos leva-me para outra sala onde estão alguns dos funcionários mais antigos da Metrobus. Ao entrar, deparo-me com um enorme quadro com a frota de 2011 da Metrobus. Deu vontade de pegar o quadro e sair correndo dali como se não houvesse amanhã? Sim.

Domingos apresenta-me para o gerente de transporte, João de Castro, e Adolfo Machado que responde pela operação. Dali ouço histórias de uma época em que Goiânia não era essa pujante metrópole, dos tempos em que nem o Terminal Padre Pelágio existia, mas a garagem da empresa sempre esteve ali. 

A situação do transporte em Goiânia de como era naquela época e hoje também tornam-se assunto. Como sou apaixonado por história e ainda mais história do transporte, um projeto pessoal antigo de quando ainda estava fazendo o TCC para o curso de jornalismo surge em minha mente.

As horas passam rápido, e Domingos chama minha atenção para visitar as demais áreas da garagem. Ele e João guiam-me pelas dependências da empresa, onde observo e ouço discursarem, porém faço poucos registros fotográficos, o que motivaria meu retorno à Metrobus numa ensolarada e quente manhã de terça-feira (19).

A seguir vocês conferem o resultado desta visita técnica.

A Metrobus transporta quase 300 mil passageiros em dias úteis. Os ônibus circulam nos 13,5 km da Av. Anhanguera em pista exclusiva, sentido leste-oeste, passando por 19 plataformas e cinco terminais metropolitanos que fazem integração de 35% do total de linhas da RMTC. Em 2014 passou a atender também as extensões para Trindade, Goianira e Senador Canedo.

A estatal ainda opera o Corujão, linha especial da madrugada, que tem início à 0h e término às 4h20.

Sua frota é composta por 58 carros articulados e 29 biarticulados ano/modelo 2011. Alguns veículos articulados foram adaptados para serem usados nas extensões do Eixo Anhanguera a partir de setembro de 2014.

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Já a frota ano/modelo 2014 é composta por 46 ônibus articulados adquiridos para atender a referida extensão. Estes veículos além de terem portas do lado esquerdo para embarque nas plataformas e terminais do Eixo, possuem portas do lado direito com elevadores acessíveis. Isto deve-se ao fato das extensões não terem a infraestrutura do BRT Anhanguera e os ônibus trafegarem em vias como o serviço convencional.

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São 133 ônibus equipados com GPS integrados em tempo real com Centro de Controle Operacional conferindo maior eficiência à circulação. Além disso, toda a frota conta com câmeras de segurança, integrada à Central de Segurança do Transporte.

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Chegada à garagem

Inicialmente, quando um ônibus está fora de operação e chega à garagem, ele passa por uma vistoria inicial (interna e externa) e paralelamente têm os dados da operação transferidos para uma central de dados. Na vistoria, verifica-se se há alguma avaria ou objetos esquecidos. Neste último caso, os objetos perdidos podem ser reavidos no posto do 'Tá na Mão', no Terminal Bandeiras.

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Limpeza

Todos os dias cerca de dezesseis funcionários se empenham em cuidar da higiene dos ônibus que andam pelo Eixo Anhanguera.

Metrobus - Lavador

Metrobus - Lavador

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Antes de iniciar a lavagem interna, alguns cuidados são tomados: os equipamentos eletrônicos, como o GPS e os validadores são cobertos com uma capa plástica para não serem molhados. Esta medida de precaução é fundamental, pois gotas de água podem afetar o pleno funcionamento dos equipamentos. Além disso, não joga-se água onde localiza-se o itinerário auxiliar lateral. A limpeza nestes locais são feitas manualmente.

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Na lavagem interna, os responsáveis usam uma mistura de sabão neutro e desengraxante nos balaústres, bancos e janelas. O composto além de evitar alergias nos que usam diariamente os ônibus, possibilita a limpeza de fuligens, poeira, suor e algumas bactérias.

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Todos os ônibus que estão em manutenção na garagem, também passam por um processo de limpeza, quando necessário, até lavando peças mecânicas. 

Ao fim da lavagem interna, os bancos são secos e parte-se para a lavagem externa, que pode ser manual porém mais criteriosa, ou no lavador automático quando o ônibus finda a operação diária. Mensalmente é feita a dedetização dos ônibus.

O tempo de limpeza dos ônibus variam de 40 minutos para os articulados e até 1h20 num biarticulado.

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Manutenção

Diariamente 9 ônibus passam por uma revisão minuciosa, além de outros 18 passarem por uma inspeção diária preventiva.

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O primeiro grupo, de nove ônibus, integra a chamada manutenção periódica, ou seja, é uma manutenção mais profunda em que faz-se um check-up total do ônibus, e isto exige que o veículo fique fora de operação por um dia. Caso não sejam encontrados problemas, o veículo é lavado, abastecido e pronto para a operação.

Os 18 ônibus são da manutenção diária, preventiva e corretiva, quando os veículos estão fora de escala e não compõem a frota reserva de terminal.

Todo o processo de manutenção é informatizado, indicando a data, veículo e para qual setor é encaminhado conforme o BCO - Boletim de Controle Operacional.

Metrobus - Manutenção

Todos os ônibus que passam pela manutenção recebem uma limpeza na parte de baixo do veículo. Ela é necessária para que possíveis vazamentos fiquem evidentes.

Metrobus - 1052

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Um programa de prevenção mecânica e elétrica é desenvolvido para revisão geral, alinhamento, balanceamento, suspensão, verificação de freios, embreagem, regulagem de motores, sistema de refrigeração dos motores, checagem de alternadores, análise de baterias, entre outros.

Metrobus - Manutenção

Metrobus - Manutenção

Metrobus - Manutenção

Em alguns casos, o motor é retirado do ônibus, em que passa por manutenção e limpeza de peças. Antes de ser reinstalado no veículo, o motor passa por uma bateria de testes para garantir seu pleno funcionamento.

Metrobus - Manutenção

Os elevadores dos ônibus da frota de 2014 passam por manutenção preventiva, e periodicamente são desmontados, lavados e lubrificados. A medida é necessária para retirar partículas de poeira que causam enrijecimento da graxa, dificultando o uso correto do equipamento.

Metrobus - Manutenção

Metrobus - Manutenção

O setor de lanternagem não só conserta as pequenas avarias diárias, como também recupera todos os veículos que sofrem danos mais graves.

Metrobus - Lanternagem

Metrobus - Lanternagem

Metrobus - Lanternagem

O setor de borracharia tem como objetivo, manter a vida útil dos pneus da frota, com a calibragem periódica e a pressão recomendada pelo fabricante. Assim como a vistoria permanente e diária dos eixos, monitoramento dos sulcos, fazendo com que os pneus sejam substituídos quando atingirem a profundidade de desgaste e ranhuras conforme Código de Trânsito Brasileiro.

Metrobus - Borracharia

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Todo este processo, sem dúvida, é um serviço invisível aos olhos dos usuários, mas notório por seus resultados.