Goiânia: Segurança no transporte metropolitano - responsabilidade de quem?

HP Transportes - 20078
Por Rafael Martins

É recorrente relatos e notícias sobre a insegurança no transporte metropolitano de Goiânia. São furtos, roubos, arrastões, tentativas de homicídio e até assassinatos nos terminais e ônibus que cortam a região metropolitana da capital. A segurança no transporte foi o item com pior avaliação segundo um estudo apresentado em março deste ano realizado entre o MP, a Universidade Federal de Goiás (UFG), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Procon Goiânia.

A pressão para a resolução do problema, de imediato, cai sobre as empresas de ônibus para criarem mecanismos para reforçar a segurança dos passageiros. Dentro do arcabouço que rege o contrato de concessão, as empresas já cumprem o que é estabelecido com relação a segurança, entretanto por ser um problema de ordem pública, a resolução ultrapassa a competência das concessionárias do transporte.

Ao todo a RMTC conta com mais de 1200 câmeras de segurança, distribuídas em todos os terminais da região metropolitana e estações do Eixo Anhanguera; e em parte da frota de ônibus e nos veículos do Eixão. 

Apesar do auxílio tecnológico, a população só percebe a segurança pela presença dos elementos de segurança por onde ele passa, sejam nos terminais que possuem a vigilância, um sistema de monitoramento, uma frequência contínua de rondas policiais. Porém para o passageiro há um índice baixo de percepção de segurança em relação principalmente do apoio da segurança pública.

Usuários relatam que as câmeras de videomonitoramento não inibem a ação dos bandidos, porém elas tem uma função primordial na segurança. As câmeras auxiliam a analisar qualquer incidente. Quando ocorre algum delito, as imagens são trabalhadas e entregues aos órgãos de segurança responsáveis para que os autores sejam identificados. 

Algumas medidas, mesmo que pontuais, são aprovadas pelos passageiros. O ramal Goianira do Eixo Anhanguera, que sofre com onda de assaltos e arrastões, recebeu recentemente uma ação preventiva com abordagem e revista dos usuários, que afirmaram que tal ação deveria ser rotineira.

Dentro dos terminais metropolitanos, a segurança privada tem um papel, tem um exercício legal e tem um limite de atuação, ou seja, não atua fora do perímetro em que tem a concessão. Se a vigilância é contratada para um determinado terminal, ela vai atuar dentro daquele terminal, não nas imediações. 

A segurança é um item complexo, pois a vigilância contratada pode atuar somente dentro dos terminais. Fora deles, a competência cabe ao poder público, por meio da Secretaria de Segurança Pública. Além disto, a vigilância contratada para os terminais não têm poder de polícia, porém quando é evidenciado alguma atitude suspeita, são acionados a Polícia Militar que faz rondas nos terminais e estações.

Por meio de parceria com a Secretaria da Segurança Pública de Goiás, as imagens das câmeras também são transmitidas em tempo real para o posto de segurança do RedeMob dentro do Centro Integrado de Inteligência Controle e Comando (CIICC) que agiliza o atendimento das ocorrências. A parceria foi iniciada em março de 2014.

Os passageiros também podem fazer denúncias pelo Whatsapp através do número 9.8591-8952. O serviço funciona todos os dias das 4h30 à 1h da madrugada e trata exclusivamente de denúncias relacionadas à segurança pública dentro de ônibus, terminais e estações.

É notório as queixas de assaltos nos pontos de ônibus, independente da região. Se a segurança pública na visão do passageiro é insuficiente, a espera pelo coletivo pode se tornar mais segura. Como? A frota de ônibus é toda monitorada em tempo real via GPS. Basta consultar no SiM ou no site da RMTC quando seu ônibus irá passar no ponto. Ao saber desta informação, o passageiro pode se programar para pegar o ônibus com maior segurança. A medida reduz os riscos de que o usuário sofra alguma violência enquanto aguarda o ônibus, principalmente nas primeiras ou últimas horas do dia.

Nós vivemos num cenário muito crítico em que a onda de violência cresce de uma forma exacerbada, com alto índice de reincidência de quem pratica os delitos. Cada cidadão precisa entender que segurança pública é uma responsabilidade de todos nós, seja na cautela e atenção com o que ocorre à sua volta, seja no ato de fazer a denúncia sempre que perceber uma situação suspeita. Não é uma tarefa fácil, porém precisamos nos atentar que as forças de segurança trabalham com dados, números de ocorrências para direcionarem os recursos para o combate a violência em determinada região.