Goiânia: Campanha contra fraudes no transporte coletivo é retomada

Por Rafael Martins

Sem grande divulgação na mídia tradicional e com foco nas redes sociais, a campanha das empresas de ônibus "Sem Jeitinho o Brasil tem Jeito" contra a fraude no transporte metropolitano foi retomada.

Lançada em 2015, a campanha foi agressiva ao tocar na ferida de forma explícita: bonecos e até algemas dentro de ônibus chamaram a atenção de usuários. Os bonecos simbolizavam que quem fraudava o transporte coletivo ocupando o lugar de quem pagava, e consequentemente essa fraude tem impacto no aumento tarifa uma vez que não existe subsídio total (apenas dos estudantes) na RMTC que arque com as crescentes gratuidades. Já as algemas simbolizavam que tais fraudes são crimes e que os responsáveis por esses atos podem ser punidos.

Os tipos de fraudes constatadas são uso de Passe Livre ou Passe Escolar por terceiros, pular ou passar debaixo da catraca, embarcar pela porta traseira nos pontos de ônibus, entrar pelos portões dos terminais sem pagar, e a comercialização indevida de cartões com benefícios tarifários como o Cartão Fácil e o Cartão Integração.

Pular catraca é, com certeza, uma das fraudes as quais a campanha pretende combater. Dados das empresas de ônibus registraram mais de 14 milhões de fraudes por ano nos terminais, plataformas do Eixo Anhanguera e dentro dos ônibus. No Eixo são 12,5 mil por dia, das quais 2,4% são de pulo de catraca; nos ônibus do sistema esse número chega a 37,8% no ano.

Afinal qual o impacto destas fraudes? 4 milhões de fraudes realizadas no cinco terminais e 19 plataformas do Eixo Anhanguera, seria possível disponibilizar mais de 50 ônibus novos para a operação do serviço. Todavia, as mais de 6 milhões de fraudes dentro dos ônibus do sistema de transporte privam o passageiro de 63 novos veículos.

As empresas já criaram mecanismos para a evasão de receita, porém a principal não saiu do papel: a modernização da bilhetagem eletrônica com biometria facial.

O programa "Nota 10" da HP Transportes visa reduzir os índices de evasão em até 50% no Arco Sul da RMTC. As irregularidades mais comuns verificadas são: Passar por baixo ou pular a catraca; passar duas pessoas ao mesmo tempo na catraca; embarcar pela porta traseira dos veículos (exceto terminais, militares e pessoas com mobilidade reduzida); descer pela porta dianteira e não verificar os cartões SITPASS (Passe Livre e Passe Escolar).

A fiscalização do programa dar-se-á com câmeras e/ou fiscais sem identificação que farão o monitoramento dentro dos ônibus durante a operação. Todas as ocorrências constatadas serão comprovadas com filmagem. O "Nota 10" assim como o "PRIMO" é um programa cujos resultados positivos das condutas dos motoristas são revertidos em dinheiro ao final de cada ciclo.