DF: Reajuste salarial dos rodoviários vai cair na conta do passageiro

Por Rafael Martins

Cerca de 500 ônibus estão deixando de circular nas ruas do DF. A redução da frota em 30% foi devido à negociação salarial entre rodoviários e empresários. O Sindicato dos Rodoviários informou que até o momento não ouve avanços nas negociações.

Diante do impasse, o DFTrans está realizando ajuste nas linhas afetadas com a redução da frota; principalmente aquelas que ligam as cidades ao Plano Piloto. Sem as linhas diretas dos horários de pico, o usuário reclama que precisa pegar dois ou mais ônibus para completar o trajeto.

As empresas ofereceram uma proposta de apenas 3,9% de reajuste nos salários, cesta básica e vale-alimentação com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto que os rodoviários reivindicam 10% de reajuste salarial e 20% no vale-alimentação e cesta básica.

As concessionárias do transporte afirmam que não têm condições de garantir o reajuste pedido pelos rodoviários, pois fatores externos impactam na receita tais como: a crise econômica que elevou o número de desempregados, o que contribui para a queda de demanda de passageiros pagantes; a pirataria, além da dívida milionária que o GDF tem com as empresas de ônibus. Ainda sim, segundo as companhias, em três anos os rodoviários  tiverem um ganho real de 40% de reajuste, fazendo a categoria ser a mais bem remunerada do país.

O Sindicato dos Rodoviários pretende não recuar na proposta de reajuste salarial, e mantém a reivindicação na rodada de negociações. A redução na frota, segundo a entidade sindical, tem como objetivo pressionar as empresas de ônibus a apresentar uma proposta decente para a categoria.

Como o salário dos rodoviários compõe a planilha de custos da tarifa; o aumento salarial da categoria será diluído nesta planilha e repassado para os passageiros. 

O orçamento previsto do subsídio para o ano de 2017 é de R$ 410 milhões. Entretanto somente em 2016, R$ 600 milhões foram utilizados para este fim; e o GDF já avisou que depende de arrecadação para bancar o sistema de transporte funcionando.