DF: Escala de férias não é agravante para a falta de ônibus, diz DFTrans

Urbi - 332275
Por Rafael Martins

A semana para quem depende de ônibus no Distrito Federal não está sendo fácil. O embate entre empresários e sindicato respingou nos passageiros, que sofrem com a falta de ônibus devido a redução de 30% da frota esta semana.

Em entrevista ao Bom Dia DF o diretor do DFTrans, Léo Carlos Cruz, afirmou que o que está afetando a movimentação dos passageiros é a redução de 30% da frota promovida pelo Sindicato dos Rodoviários. "O problema no sistema é que foram retirados 30% da frota, e essa frota estava dimensionada para a demanda de férias. Se o governo chegasse e falasse 'vamos suspender a programação de férias', o efeito não seria maior porque justamente esses veículos que foram adequados na programação de férias é que estão deixando de circular. A adequação de férias não potencializa a redução de 30% da frota que foi promovida pelo Sindicato dos Rodoviários"

O diretor esclareceu que a programação de férias é feita todos os anos, monitorada e atualizada anualmente em função da redução da demanda, e se não houvesse essa redução, não haveria esse impacto de falta de ônibus. "Na última semana de junho, a demanda caiu cerca de 10%. Nós estamos falando de uma redução em 260 linhas num total de 1000 linhas. O DFTrans quando coloca essa programação de férias, ele sabe exatamente em que linhas e em que situação isso pode ser feito. Onde a maior queda de demanda nas linhas é que é feita as intervenções, não é no sistema inteiro."

Escala de férias

Desde o início desta semana 266 das 777 linhas de ônibus do Distrito Federal passaram por readequação de oferta. A ideia, segundo o DFTrans, é diminuir o número de veículos ociosos no período de férias escolares e garantir a boa gestão de custos do sistema de transporte público. As mudanças começaram na segunda-feira (3) e vão até o dia 30.

Frota reduzida

A redução de 30% da frota nos horários de pico em decisão tomada durante a última assembleia dos rodoviários continua em vigor. A redução deve ocorrer durante toda a semana nos horários de pico, das 5h às 8h e das 17h às 19h. A medida, segundo o Sindicato dos Rodoviários, tem como objetivo pressionar as empresas de ônibus a apresentar uma proposta decente para a categoria. Ao todo, já foram realizadas oito rodadas de negociação.

As empresas ofereceram uma proposta de apenas 3,9% de reajuste nos salários, cesta básica, vale-alimentação e plano de saúde e odontológico, retroativa à data base da categoria.

O Sindicato rejeitou a proposta em assembleia no último domingo (2) revelando que a proposição das empresas inclui um aumento da jornada de trabalho, o que representaria, no seu entender, uma redução salarial. Os rodoviários reivindicam 10% de reajuste salarial e 20% no vale-alimentação e cesta básica além de passe livre para uso do metrô.

Está marcado para esta sexta-feira (7) às 15h no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região a audiência de conciliação entre as concessionárias Urbi, Marechal, São José, Piracicabana e Pioneira, e o Sindicato dos Rodoviários sobre as negociações salariais da categoria. 
 
O Sindicato dos Rodoviários já tem marcado para este domingo (9) uma nova assembleia em que poderão decidir pela deflagração de greve geral e paralisação dos serviços a partir de meia-noite da próxima segunda (10).