DF: Empresas de ônibus dizem não ter como bancar reajuste pedido pelos rodoviários

Por Rafael Martins

Quem precisou pegar ônibus no Distrito Federal teve de exercitar a paciência. Isto porque hoje (3) teve início a escala de férias em 266 linhas de ônibus; além da redução da frota em 30% nos horários de pico em decisão tomada ontem durante a assembleia dos rodoviários. A redução deve ocorrer durante toda a semana nos horários de pico, das 5h às 8h e das 17h às 19h.

A medida, segundo o Sindicato, tem como objetivo pressionar as empresas de ônibus a apresentar uma proposta decente para a categoria. Ao todo, foram realizadas oito rodadas de negociação. As empresas ofereceram uma proposta de apenas 3,9% de reajuste nos salários, cesta básica e vale-alimentação com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto que os rodoviários reivindicam 10% de reajuste salarial e 20% no vale-alimentação e cesta básica.

A Associação das Empresas Brasilienses de Transporte Urbano de Passageiro (Transit) diz que a proposta é inviável; pois somando todas as reivindicações o reajuste é de 46%. Em números, isso significa um aumento de R$ 15 milhões por mês na conta das concessionárias, sendo impossível fazer uma contraproposta nestes termos. Outro agravante é a dívida milionária que o GDF tem com as empresas de ônibus.

As cinco empresas cobram do governo uma dívida de mais de R$ 200 milhões, acumulada desde 2014, que segundo elas vem aumentando. O DFTrans rebate a informação das concessionárias, e diz que deve apenas R$ 144 milhões, referentes aos anos de 2015 e 2016.

Entretanto o orçamento previsto para o subsídio não vai cobrir todas as gratuidades, e o GDF já avisou que depende de arrecadação para bancar o sistema de transporte funcionando.

O orçamento do DFTrans para cobrir as gratuidades para o ano de 2017 é de R$ 410 milhões. Entretanto somente em 2016, R$ 600 milhões foram utilizados para pagar o subsídio ao transporte.

Diante do déficit nas contas, as concessionárias não estão conseguindo cumprir o pagamento dos salários em dia; recorrendo a empréstimos bancários a juros altos ou deixar outras contas pendentes para honrar o compromisso salarial com os rodoviários.

Para a direção do Sindicato dos Rodoviários, diante da conjuntura econômica em que o país se encontra, a expectativa é que as negociações desse ano sejam bastante difíceis. O sistema de transporte coletivo por ônibus tem cerca de 12 mil rodoviários, que transportam mais de 1 milhão de passageiros por dia.