Goiânia: Melhorias no transporte ficam fora da discussão

Rápido Araguaia - 50389
A primeira reunião da história da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) em local aberto ao público e à imprensa ocorreu com a presença de poucos integrantes titulares e terminou sem que nada fosse deliberado. Nenhuma proposta de melhoria foi sequer votada pelo colegiado e a discussão ficou em torno da continuidade de estudos que já vinham sendo feitos, como o fim da tarifa única e a mudança na administração dos terminais das empresas para as prefeituras. Não houve nem mesmo a deliberação sobre a manutenção da tarifa em R$ 3,70.

No entanto, é certo que não haverá aumento na tarifação deste ano, mas como o projeto do governo estadual de subsidiar as concessionárias arcando com as gratuidades do passe escolar ainda não foi aprovado na Assembleia Legislativa, a justificativa foi de que não haveria sobre o que votar. Os membros da CDTC afirmam que a tarifa permanecerá congelada, mesmo com a reclamação das concessionárias por não ter aumento e pelo fato da proposta estadual chegar a apenas 5% ante os 8% calculados em fevereiro para o aumento.

Sobre as demais propostas, o consenso foi de esperar a apresentação de estudos finalizados para qualquer deliberação, especialmente sobre a criação das sub-redes que acabariam com a tarifa única. Dentro da CDTC há resistência ao projeto dos membros do interior, ao mesmo tempo em que há interesse dos representantes de Goiânia e do Estado. Em relação aos terminais, os prefeitos serão chamados a fazer estudos sobre a possibilidade de arcar com os custos, que seriam de uma média de R$ 66 mil mensais.

O momento mais movimentado do encontro do colegiado responsável por estabelecer as políticas públicas do sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia foi uma discussão entre o vereador Clécio Alves (PMDB) e os representantes do governo estadual. Após fala do secretário Vilmar Rocha, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Cidades, Infraestrutura e Assuntos Metropolitanos (Secima), sobre a proposta do governador Marconi Perillo (PSDB) do passe escolar mantendo a tarifa em R$ 3,70, o vereador goianiense pediu a palavra.

Clécio lembrou a tentativa de se firmar um pacto pelo transporte em 2014, onde Estado e prefeituras arcariam com todas as gratuidades do sistema, mas nada foi pago. “Não fizeram lá atrás e eu quero muito acreditar que farão este ano, mas até agora as empresas não receberam nada”, disse. Quem respondeu o vereador foi o superintendente da juventude da Secretaria Estadual de Governo (Segov), Leonardo Felipe Marques, que lembrou que a lei da meia tarifa do passe escolar é de 1994, no governo Iris Rezende (PMDB).

Marques ressaltou ainda que o pacto de 2014 não era apenas do Estado, mas precisaria da participação de todas as prefeituras da região metropolitana, em que apenas Bela Vista de Goiás foi signatária. Antes da discussão, Clécio requereu ao presidente da CDTC, Gustavo Mendanha, que fossem entregues os balancetes mensais de todas as empresas concessionárias desde 2007, quando a licitação atual não estava em vigor. Mendanha aprovou o requerimento.

Em carta apresentada na manhã desta segunda-feira (12/6), o Sindicato das Empresas do Transporte Público de Passageiros de Goiânia (SET) sugeriu que o colegiado deliberasse sobre a contratação de uma auditoria privada para verificar as contas das empresas. O próprio sindicato se prontificou a arcar com os custos da auditoria. No entanto, o pedido não chegou a ser levado à discussão da CDTC. Junto a ele, as empresas pediram a autorização para contratação de uma empresa independente para realizar estudo técnico sobre todas as linhas do sistema metropolitano.


Fonte: O Popular