Goiânia: CMTC estuda tarifa diferenciada para capital e cidades da região metropolitana

HP Transportes - 20135
Um estudo realizado pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) visa implantar tarifa diferenciada no transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia, dando fim à tarifa única, hoje a R$ 3,70. A ideia seria calcular valores por linhas e quilômetros percorridos. O estudo, conforme o diretor técnico da companhia, Walter Silva, deve ser concluído e apresentado ao prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), em 15 ou 20 dias, e em seguida às empresas.

Não existe ainda os valores das tarifas ou quantas serão, mas se fala que em Goiânia, por exemplo, será mais de uma. Conforme Silva, estão sendo analisadas as linhas, observando a distância. “A intenção é apreciar pelas distâncias”, disse. Assim, uma pessoa que queira ir da Praça Cívica à Praça Universitária pagará um valor menor de quem for percorrer uma distância maior.

O estudo, de acordo com o diretor, não está adiantado, mas um grupo tem trabalhado e muito foi feito na quarta-feira. O sistema atual é dividido em três subsistemas: Goiânia, Aparecida e Metropolitano. A ideia é implantar um novo sistema de sub-redes, com viagens diretas e divisão dos subsistemas. “Quem percorre uma distância mais curta acaba subsidiando quem anda mais. Com a diferenciação vai, inclusive, ter redução na tarifa”, disse.

A discussão de tarifas diferenciadas não é nova. A própria Redemob Consórcio, antiga Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), já fez um estudo sobre a questão. Em matéria divulgada pelo POPULAR no começo do ano, o consórcio disse que o estudo se baseava na perda de usuários, que entre 2015 e 2016 chegou a 12%. A ideia, então, é que com uma tarifa menor em alguns trechos, a utilização do serviço seja estimulada. Segundo Silva, o objetivo é reformular todo o sistema.

A assessoria de Iris Rezende informou que o prefeito pediu ao presidente da CMTC, Fernando Meirelles, um estudo sobre tarifa diferenciada. “Você pega um passageiro que anda 60 quilômetros e paga o mesmo que o que anda cinco quilômetros. Isso é uma desordem”, disse. O prefeito afirmou ainda que é inviável o subsídio por parte das prefeituras e disse é preciso rever, com todas as partes interessadas, todo o sistema e “estabelecer um projeto exequível”.

Uma alternativa deve ser apresentada pelo secretário estadual de Cidades e Meio Ambiente, Vilmar Rocha, representante do governo na Câmara Deliberativa de Transporte Coletivo (CDTC), na reunião de segunda-feira do grupo. Vilmar disse à reportagem na última quarta-feira que pretende colocar em pauta a discussão acerca das gratuidades, agora que o governo estadual assumiu as estudantis.

A ideia, de acordo com ele, é usar parte do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para criar um fundo e sustentar as gratuidades. Atualmente, o sistema é o chamado subsídio cruzado, em que o usuário pagador acaba subsidiando as gratuidades.

Prefeitos da região metropolitana se preocupam com proposta

A proposta de eliminação da tarifa única é algo que preocupa prefeitos de cidades da região metropolitana de Goiânia. Matéria divulgada em janeiro sobre a proposta do Consórcio Redemob já mostrava que gestores eram contra a ideia.

O prefeito de Guapó, Colemar Cardoso (PSDB), diz ser totalmente contra a proposta que, para ele, irá prejudicar a população do município.

“Já demorou a conseguir a tarifa única...Nós também temos direito. Não viemos a Goiânia para dar despesa, mas para dar lucro”, disse. A tarifa única teve início em 2008, com a criação da rede metropolitana.

Em Abadia de Goiás, o prefeito Romes Gomes (PSDB) diz que a ideia é boa, por tornar o sistema mais justo. Mas aponta o problema para aqueles que vivem em regiões mais afastadas, ou em cidades da região metropolitana e trabalham em Goiânia. Ele estima que 70% da cidade trabalhe em Goiânia. “Os coletivos cedo são lotados de gente indo trabalhar em Goiânia. Se tirar a tarifa única, fica caro demais para o nosso povo”, disse.

O prefeito de Aragoiânia, Nauginel Antunes (PSDB), se coloca contra a proposta de tarifa diferenciada, dizendo que o município é dormitório e a maioria trabalha fora. De acordo com ele, a região já é pobre e seria ainda mais sacrificada com a mudança. “Nem todos trabalham com carteira assinada. Eles mesmos terão que pagar esse valor a mais no transporte”, afirmou.

Em Hidrolândia, Paulo Sérgio de Rezende (DEM), Paulinho, diz esperar que a tarifa não aumente. “Apesar de que a empresa sabe onde aperta o calo do sapato dela. A empresa visa lucro. Mas eu espero que a população não seja punida”, disse o prefeito.

Fonte: O Popular