Goiânia: Técnico explica na CEI do Transporte situação do transporte metropolitano

Antenor Pinheiro atendeu ao convite dos membros da comissão para falar de aspectos técnicos do transporte público de Goiânia. Ele é coordenador da regional da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), foi superintendente municipal de trânsito da capital e já viajou a vários países para conhecer os diversos modelos de transporte público existentes mundo afora.

Para ele, o marco regulatório da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo é o mais avançado e copiado por outras capitais do país, e a tecnologia usada aqui para controlar o tráfego dos ônibus tem “nível europeu”. Outros pontos elencados como importantes foram o sistema de bilhetagem eletrônica e a cobrança de tarifa única em toda região metropolitana.

Mesmo tendo estas qualidades, o transporte público em Goiânia é ruim por causa da má gestão, segundo Antenor. “Há quatro anos, a CDTC – Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos – vêm se reunindo apenas uma vez ao ano, para discutir o aumento da tarifa, sendo que ela deveria se reunir continuamente para discutir as políticas públicas e melhorar a prestação do serviço.”

A infraestrutura ruim da cidade colabora para a lotação dos ônibus e o atraso das linhas. “Não faltam ônibus, faltam condições para os que estão aí cumpram os horários das viagens”, disse. Para ele, estudos feitos mostraram que a região metropolitana deveria ter 220 quilômetros de pistas preferenciais e exclusivas para ônibus, mas atualmente só conta com 32, demonstrando um receio do Poder Público de enfrentar a cultura do automóvel. Somado a isso, tem a não punição de motoristas de veículos individuais que atrapalham os ônibus parando em frente a pontos e trafegando nas pistas reservadas, o que faz a velocidade média dos coletivos serem a metade do desejável: 10 Km/h contra 20 km/h, no mínimo.

Com tantos problemas, o transporte coletivo em Goiânia vem perdendo 6% de passageiros por ano ao longo dos últimos oito anos. Eles buscam o transporte individual, que oferece mais rapidez e conforto. Isso gera mais um problema para a manutenção do sistema, pois ele é mantido integralmente pelos usuários. Antenor defendeu que as prefeituras subsidiem a tarifa, assim como ocorre na cidade de São Paulo, o que poderia diminuí-la em até 19% do valor atual.

Fonte: Câmara Municipal de Goiânia