Goiânia: Sitpass completa 20 anos com desafio de se modernizar

Sitpass
Por Rafael Martins

Em outubro deste ano, o Sistema Inteligente de Tarifação de Passagens - Sitpass completará 21 anos. Porém o pioneirismo de Goiânia parou no tempo, e o sistema de bilhetagem não se modernizou sendo este seu maior desafio.

Em 1976, a administração municipal de Goiânia delegou ao Estado a incumbência de planejar e fiscalizar a prestação dos serviços de transportes municipais; e assim nasceu a TRANSURB - Empresa de Transporte Urbano do Estado de Goiás S.A., que também fazia a gestão da bilhetagem, como o Vale-Transporte e o Passe Escolar; a princípio em papel e de forma manual.

Ao final da década de 1980, foi fundado por iniciativa das empresas que operavam o transporte coletivo o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia – SETRANSP. Em 1990, no interesse do conjunto das empresas operadoras, assumiu a gestão do Vale-Transporte e Passe Escolar, e posteriormente anos mais tarde, o Passe Livre de Idosos e PNEs.

A transferência definitiva dessa gestão foi concretizada em convênio assinado entre a TRANSURB e o SETRANSP em 1995. No ano seguinte, o sindicato começou a desenvolver um projeto para modernizar a gestão e ampliar os benefícios da integração de linhas e serviços proporcionada pelos terminais de integração, em que posteriormente tal projeto foi aprovado pelo poder concedente e empresas operadoras.

Pioneiramente no Brasil, a partir de 1998 foi inaugurado em Goiânia um sistema de bilhetagem eletrônica, denominado Sistema Inteligente de Tarifação de Passagens - Sitpass, com o objetivo de automatizar o processo de cobrança de tarifas que possibilitou implementar novas aplicações, dentre elas a da integração eletrônica entre as linhas, dados estatísticos da demanda transportada e maior controle da evasão de receitas.

A automatização do sistema de bilhetagem permitiu uma maior segurança aos usuários e motoristas pela eliminação do pagamento em dinheiro a bordo. O acesso aos veículos deu-se com o “bilhete magnético”, unitários ou múltiplos, que são descartáveis, conhecido popularmente como “Bilhete Sitpass”.

Transição

A aquisição do sistema de bilhetagem, pelo SET, junto à empresa francesa Ascom-Monetel ocorreu em outubro de 1996 e o funcionamento do sistema que mais tarde viria a ser denominado Sistema Inteligente de Tarifação de Passagens - Sitpass teve início em fevereiro de 1998.

Naquele ano, havia três formas de pagamento: pelos bilhetes Sitpass, os cartões e dinheiro; já que o posto de cobrador foi mantido. Ainda em 1998, teve início a venda de bilhetes e recarga dos cartões em 49 pontos de venda.

Um ano após a instalação das catracas eletrônicas, começou o processo para suspender o pagamento em dinheiro a bordo dos ônibus. Inicialmente os cobradores eram retirados de escala após as 20h, sendo mantidos nas demais horas da operação. A rede de vendas e recargas foi ampliada, chegando num total de 500 pontos de venda.

Em agosto de 2000, teve início o processo de retirada dos cobradores em todo o período de operação, e por consequência, do pagamento em dinheiro a bordo dos ônibus. Os cobradores participaram de cursos de requalificação no SEST SENAT e Sesi. Os pontos de venda e recarga chegaram a 1500 por toda a região metropolitana.

O fim da cobrança em dinheiro a bordo foi concluída em janeiro de 2001. Na época, foi firmado um TAC com o Ministério Público no qual dizia que nenhum passageiro deixaria de ser transportado por não possuir cartão ou bilhete Sitpass. 2000 pontos de venda faziam a recarga e venda dos bilhetes.

Desafios

Passados 20 anos, o Sitpass tem como desafio se modernizar. Enquanto a maioria das cidades busca mecanismos para combater as fraudes e evasão de receitas nos sistemas, a bilhetagem de Goiânia parou no tempo. O sistema é o mesmo há 20 anos; ou seja, não houve evolução. Há a promessa de modernizar, porém sem prazo definido.

O Sitpass tem atualmente 2.400 pontos de vendas no comércio varejista, além da venda direta em agência própria situada no edifício Parthenon Center, na região central de Goiânia, nos terminais de ônibus da RMTC (32 bilheterias e 54 pontos de atendimento) e nas plataformas e terminais do Eixo Anhanguera (37 bilheterias com 37 pontos de atendimento). Integram a rede, ainda, quiosques de vendas e máquinas de autoatendimento. Para atendimento aos empregadores que compram Vale-Transporte são adotadas vendas via Internet.

Entretanto é recorrente vermos ônibus em que os usuários permanecem na parte dianteira do ônibus dificultando a entrada de outros, por falta de passagem. Estes usuários representam 1% da demanda total do sistema. Um novo cartão foi criado, o Sitpass Expresso, porém devido a burocracia e a polêmica de um valor adicional, foi suspenso.