DF: Motoristas de transporte pirata fazem ameaças à Polícia Militar

Cada vez mais audaciosos, grupos organizados que alimentam o mercado do transporte pirata no Distrito Federal resolveram enfrentar a repressão promovida pela Polícia Militar. Nos últimos dias, começaram a circular no WhatsApp áudios em que motoristas de vans e ônibus fazem ameaças a servidores do policiamento rodoviário. A resposta da corporação foi intensificar ainda mais as ações para coibir a atividade irregular.

Um dos áudios que chegou ao conhecimento do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) mostra um condutor furioso após ser multado na quarta-feira (10/5), próximo ao Paranoá.

“Nós somos iguais vermes. Quanto mais arrocham, mais nós aparecemos. Falou, garoto?. Avisa pra essa galera da CPRV [Companhia de Polícia Rodoviária do Distrito Federal] que amanhã estarei com minha van de novo. Me multaram e estou com ela amanhã de novo. Eu quero que esse sargento cara de rato, com essa cara de caralho aí — que eu não tenho medo de polícia — me cerque de novo. Cada letra de uma multa que esses filhos da puta fizerem comigo é um murro que vou dar na cara deles”, disse o motorista da van pirata.

Segundo o coronel Alexandre Souza Oliveira, comandante do CPTran, “o autor das ameaças foi identificado e conduzido para a delegacia”. No entanto, a identidade do motorista não foi divulgada.

Mapa da pirataria

O nervosismo dos piratas, segundo o coronel Alexandre Souza Oliveira, tem um motivo: a repressão constante contra a prática ilegal. Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, foram 94 operações para coibir o transporte clandestino em todas as regiões do DF.

Para flagrar a ação dos motoristas ilegais, o serviço de inteligência da PM levantou a hora, os dias e as rodovias mais usadas pelos criminosos.

De acordo com o mapeamento, os horários em que mais existe transporte pirata em circulação pelas ruas do DF é entre as 5h e as 7h, período em que trabalhadores se deslocam para o serviço.

O outro horário de pico é no fim do expediente comercial, entre as 17h e as 19h. As principais estradas usadas pelos coletivos ilegais são as DFs 002, 003, 075, 079, 085, 095 e 128, bem como as proximidades da Rodoviária do Plano Piloto.

Segundo o comandante do CPTran, as operações de repressão ao transporte pirata passaram a ser itinerantes para evitar que os veículos escapem do cerco.

"Não montamos mais pontos de bloqueio fixo. As equipes circulam pelas rodovias e, quando identificam a ação dos piratas, é feita a abordagem. O resultado foram 69 prisões e a aplicação de 1.607 infrações apenas nos primeiros quatro meses do ano", diz Alexandre Souza Oliveira, comandante do CPTran.

Suborno

Em uma operação no início desta semana, dois motociclistas do Batalhão de Trânsito Rodoviário (BPRv) abordaram um motorista de transporte pirata na DF-001. Enquanto faziam a autuação, receberam uma proposta de R$ 1 mil para deixar o procedimento de lado e liberar o responsável pelo veículo.

Os policiais filmaram a tentativa de suborno do motorista, que também foi conduzido para a delegacia e autuado pelo transporte pirata e por corrupção ativa contra agente público.

Mercado milionário

O universo do transporte pirata no Distrito Federal foi abordado em uma reportagem especial publicada pelo Metrópoles em 6 de abril do ano passado. Os números do mercado clandestino impressionam.

São mais de 10 mil veículos que movimentam R$ 3 milhões por dia. Após quatro meses de apuração, a reportagem reuniu depoimentos que comprovam a existência de um esquema que envolve fiscais, policiais militares e cooperativas em uma verdadeira organização criminosa.


Fonte: Portal Metrópoles