DF: Empresas de ônibus passam a conta para o GDF

As dívidas do GDF com as cinco empresas de ônibus estão em cerca de R$ 220 milhões, quando somados os anos da atual gestão. As empresas reclamam que, dessa forma e com a crise econômica, não é possível conceder o aumento salarial pedido pelos rodoviários. Quem vai levar a pior é a população, que pode ficar sem transporte. A categoria já avisou que, se for preciso, vai parar.

O montante é o resultado do não pagamento total de R$ 40 milhões mensais que deveriam ser repassados ao empresariado. “O governo passado deixou uma dívida de R$ 52 milhões, que esse governo pagou, mas gerou dívidas novas”, relata Barbosa Neto, da Associação Brasiliense das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Abratup).

Dos mais de R$ 200 milhões, R$ 88 milhões são de 2015, R$ 53 milhões do ano passado e R$ 75 milhões deste ano. A incerteza do pagamento faz com que as demandas trabalhistas dos rodoviários neste ano não possam ser atendidas. Para o presidente da Abratup, não é possível acatar ao pedido deles, já que, com tudo somado, as mudanças gerariam um aumento nas despesas de quase 40%.

Os rodoviários pedem reajuste de 10% nos salários e 20% no tíquete de alimentação. Outras pautas não têm relação financeira direta e precisam do aval do GDF, como passe livre no metrô e fortalecimento do combate à pirataria. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Jorge Farias, afirma que ainda não recebeu contraproposta dos empresários e as demandas com o governo estão sendo acertadas.

A preocupação é que a data-base foi no fim de abril. “Se não fechar até junho, pode dar problema. O silêncio não será resposta. Não vamos esperar de braços cruzados”, afirma Farias, ao lembrar que paralisações relâmpago e greves podem ocorrer. Ontem, reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT) discutiu a data-base, mas nada foi decidido.

Versão oficial

A Secretaria de Mobilidade esclarece, por meio da assessoria de imprensa, que o governo tem cumprido o cronograma de pagamento acertado com as empresas no ano passado. E ressalta que neste ano está providenciando o pagamento da dívida de R$ 88 milhões referente a 2015 e de R$ 50 mi de 2016. De acordo com o órgão, as despesas deste ano estão sendo pagas diariamente (vale-transporte e cartão cidadão) e mensalmente.

Fonte: Jornal de Brasília