Goiânia: Transporte metropolitano em colapso

Viação Reunidas - 30050
Por Rafael Martins

Dizer que o transporte metropolitano está em crise, agravada desde 2013, pode soar como sarcasmo para quem depende diariamente dos ônibus na RMTC. É recorrente o discurso de que as empresas lucram em cima do sofrimento do passageiro porque os coletivos vivem lotados, ou na expressão popular, "transbordando gente".

Os mesmos recorrentes desse discurso esquecem que dentro daquele ônibus lotado existem diferentes grupos tarifários, ou seja, há o grupo dos passageiros que pagam a tarifa cheia, há estudantes com benefício da meia passagem ou Passe Livre; e por fim as gratuidades em geral. Outro agravante dentro da RMTC, é que não existe o subsídio tarifário já que o custo do sistema é arcado unicamente por quem paga a tarifa cheia.

O cenário da crise no transporte metropolitano ganhou um novo capítulo hoje. A coluna O Giro, do jornal O Popular, revelou a situação delicada que as empresas de ônibus enfrentam.

A Rápido Araguaia, do Grupo Odilon Santos que está em recuperação judicial, teve 18 micro-ônibus do serviço Citybus apreendidos por ordem judicial devido a uma dívida de 1,5 milhão. Esta é a segunda apreensão de ônibus em menos de dois anos. 

A frágil saúde financeira da empresa ficou em evidência no final de 2015, quando 295 ônibus foram apreendidos pelo Banco Volkswagen. A dívida na época era de 3,5 milhões de reais, atraso de sete parcelas no pagamento do financiamento de ônibus adquiridos em 2009, que estava previsto para ser liquidado em junho de 2016.

A Viação Reunidas, segundo a coluna, busca um sócio ou comprador para injetar recursos na empresa. Em 2013 a concessionária amargou a pior crise financeira da história. Os reflexos foram de paralisação dos motoristas por falta de pagamento, e até mesmo dificuldade em comprar combustível.

A HP Transportes é a empresa com melhor situação financeira do sistema, entretanto não está blindada da crise. Apesar disto, é a única no momento que está com avançadas negociações para renovar sua frota.

A renovação engatinha desde 2014, quando foi proposto o Pacto Metropolitano pela Qualidade no Transporte, que previa a compra de 300 ônibus novos. De lá para cá, apenas duas empresas renovaram a frota: HP com 70 veículos, e Cootego com 20 ônibus.

A queda na demanda na RMTC preocupa as empresas de ônibus, já que esse prejuízo vinha sendo financiado pelos bancos. O que ocorre hoje é que os bancos não estão mais financiando a crise do setor. Se o contrato de concessão superestimou um crescimento de passageiros ano a ano; a realidade foi de queda.

Dados da NTU mostram que a perda de passageiros na região metropolitana da capital foi a segunda maior do país, atrás apenas de Curitiba. Como todo o sistema de transporte é custeado pela tarifa, os investimentos ficam travados, como por exemplo a renovação da frota tão necessária na RMTC.

De acordo com O Giro, com a crise no setor, cresce a possibilidade das prefeituras de Goiânia e Aparecida pressionarem por nova licitação das linhas com a justificativa de que as empresas não cumpriram as exigências da concessão.