Goiânia: “Quem paga a conta é o usuário”, diz presidente da CMTC

O presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Fernando Olinto Meirelles, compareceu ontem, 26, atendendo convocação do poder Legislativo a partir de proposta do vereador Alysson Lima (PRB).

Lima afirmou que Meirelles teria que responder, em vista do colapso e do caos, qual seria a melhoria no transporte da capital em caso de aumento da tarifa, qual o lucro que as empresas que prestam o serviço têm e quem manda no sistema do transporte público, a CMTC ou a CDTC (Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo)?

Meirelles respondeu que ocupa o cargo há 80 dias e está documentando todos os problemas e encaminhado para o Ministério Público, inclusive, buscando transparência. Admitiu que o sistema é ultrapassado pois foi implantado em 2008, gerando um transito caótica na cidade. Afirmou que a área financeira da CMTC está “estrangulada porque as empresas não estão cumprindo o acordo, não repassam o que devem à companhia, na ordem de R$ 240 mil mensais”.

Dívidas e subsídios

Questionado por Clécio Alves (PMDB), representante do Legislativo goianiense na CDTC, sobre um possível conluio entre o poder público e as empresas, Fernando declarou que acredita ter ocorrido nas gestões anteriores, mas que “está mudando fatores técnicos, apesar de entraves, para que não ocorra”.

Ele contou que o CMTC possui débito na ordem de R$ 4 milhões junto ao INSS, de repasses patronais relativos aos anos de 2015 a 2016 e que conseguiu negociar para que a companhia pague a dívida em 120 prestações.

O vereador Elias Vaz (PSB) quis saber quais são os valores que o governo do Estado de Goiás e a Prefeitura de Goiânia, que fazem parte da CDTC, repassam para a CMTC para subsidiar investimentos e despesas com a prestação de serviço na região metropolitana, bem como melhorias na infraestrutura e na manutenção de abrigos para as paradas. “Não investe absolutamente nada. Hoje quem paga tudo é o usuário por meio da tarifa”, revelou Meirelles.

Outra afirmação foi a de que as prefeituras que fazem parte da rede metropolitana do serviço não estão repassando os percentuais de 50% acordados para subsidiar o passe estudantil e as gratuidades oferecidas também são pagas pelo usuário, diluídas na planilha de composição da tarifa.

Aumento na tarifa

Quanto ao aumento da tarifa dos ônibus, questionada por diversos vereadores, Fernando Meirelles asseverou que não houve o reajuste, mas que a CMTC tem direito a um voto na Câmara Deliberativa composta de 11 membros, assim como o representante do Legislativo. Outros votos pertencem aos representantes do Governo Estadual, das Prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, representante da Assembléia Legislativa, da AGR, das secretarias municipal de Desenvolvimento Urbano, e da estadual de assuntos metropolitanos, além da Associação das Câmaras Municipais e Vereadores de Goiás.

Sabrina Garcêz (PMB) questionou sobre licitação para administração dos terminais que não prevê que o vencedor ofereça uma contrapartida para o poder público, ao que Meirelles respondeu não saber do teor. Explicou que houve uma proposta para que empresas adotassem os pontos de ônibus para realizar a manutenção e melhoria dos mesmos, mas a ideia não prosperou.

O vereador Jorge Kajuru (PRP) defendeu a municipalização do transporte já que vê o sistema integrado como um grande problema para a manutenção e a qualidade do serviço. Ele solicitou que a tarifa seja diferenciada para Goiânia, já que o usuário que vem de outros municípios viaja muitos quilômetros a mais pagando o mesmo valor que um cidadão goianiense que transita em um percurso menor.

Fonte: Câmara Municipal de Goiânia