Goiânia: Lentidão no transporte coletivo

Avenida Tocantins
Por Rafael Martins

Um levantamento feito pelo RedeMob Consórcio revelou que o transporte metropolitano está lento, quase parando. A velocidade operacional dos ônibus nas principais avenidas da capital varia de 5 a 12 km/h, quando o ideal seria uma velocidade de operação entre 20 km/h e 25 km/h. De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), velocidades acima de 20 km/h garantem a viabilidade econômica do sistema e a capacidade de atrair novos passageiros.

Eis uma solução que praticamente todo usuário tem para melhorar o transporte coletivo: mais ônibus nas ruas. É um erro pensar desta forma, pois não faltam ônibus, mas viagens.

Com a falta de corredores nos principais eixos de transporte da cidade, os ônibus não estão conseguindo cumprir os horários com precisão, resultando em lotação principalmente no horário de pico e nas linhas de maior demanda. Um exemplo é que se um ônibus que fazia 12 viagens por dia, agora só faz 7 – quase metade, e ainda corre o risco de não chegar nos pontos e terminais no horário programado.

Grande parte dos custos dos sistemas tem relação direta com a velocidade dos ônibus. O tempo perdido no trânsito implica menor pontualidade das linhas, em superlotação dos ônibus e na má adequação da oferta de veículos diante da demanda de passageiros.

A linha 031, por exemplo, sai do T. Garavelo e vai para o T. Araguaia; e configura-se em um eixo estrutural de transporte integrando Aparecida de Goiânia no sentido oeste-leste. Com uma frequência média de 12 a 17 minutos, é uma linha que gera muito atraso devido aos conflitos de trânsito decorrente dos gargalos na Avenida Independência. Por ser uma linha de alta demanda, e parar em todos os pontos, chega em determinado ponto das vias que os carros se encontram, gerando o famoso comboio.

Aquela frequência de 10 minutos que estava prevista na 031, por exemplo, o ônibus comboiado chega naquele ponto e aumenta a frequência para 20 min. Se outro ônibus encosta, aumenta para 30 min. A falta de priorização viária para o ônibus afeta toda a programação operacional das linhas, com um efeito dominó na RMTC. 

Se o passageiro esperava 10 minutos, com os ônibus comboiados vai acabar esperando 30 minutos. Assim os pontos acumulam com mais usuários e ao chegar o ônibus, não consegue embarcar todo mundo, atender a demanda, isto porque o coletivo está dimensionado para atender a demanda a cada 10 minutos; e não 30.

Com o tempo de viagem aumentando, é preciso mais veículos para transportar a mesma quantidade de passageiros, aumentando os custos e diminuindo a eficiência.

Goiânia ainda engatinha quando o assunto é priorização viária para o transporte coletivo. A rede de corredores preferenciais da RMTC abrange 14 corredores, num total de 102 km. Entretanto, apenas três avenidas tiveram a implantação: Universitária, Av. 85 e Av. T-63. 

Para que a redução de tempo nas viagens tenha um maior efeito no sistema, é preciso que os corredores sejam integrados, para que se tenha ganho de velocidade dos ônibus da origem da linha até o destino. A conclusão das obras do Corredor T-7 colocaria em prática esta premissa, já que este liga o Terminal Bandeiras ao Centro; e pelo Corredor Universitário até o Terminal da Bíblia.

Segundo o RedeMob Consórcio, para que uma viagem fosse 20% mais rápida, seria necessário um ganho de velocidade em torno de 25% dos números atuais. Para diminuir o represamento nos terminais, a RMTC conta com linhas diretas integrando os terminais; sem parada nos pontos ao longo do itinerário. Apesar de não parar nos pontos, as linhas passam em vias que não contam com corredores, perdendo eficiência e sua principal essência: rapidez em relação à linha principal.

A princípio, todas as vias que apresentarem um volume significativo de circulação do transporte público (acima de 50 ônibus/hora/ sentido), ou que tenham um papel estratégico na organização da circulação urbana, devem receber um tratamento de projeto que, de alguma maneira, priorize os modos de transporte coletivo e a circulação dos pedestres.

Da mesma forma, a concepção e o dimensionamento dos projetos dos corredores deve considerar os dados de demanda do horizonte do projeto, incluindo eixos viários de menor volume de tráfego que tenham potencial de crescimento, prevendo reserva de espaço viário para a execução de obra futuras, sob pena de comprometer soluções necessárias quando os problemas de circulação se agravarem.

O ônibus não pode concorrer com os demais veículos no mesmo espaço viário. É preciso os coletivos terem exclusividade na via para haver a velocidade operacional, que significa eliminar a ociosidade do tempo do ônibus parado no trânsito disputando com carros o mesmo sistema viário. Isto irá resultar em menor tempo de espera nos terminais e pontos de ônibus, viagens mais rápidas, melhor aproveitamento da frota e menor lotação nos veículos.

O primeiro passo para isso, é descongestionar esses eixos de transporte com a criação de corredores exclusivos interligando os terminais entre eles e com os polos atratores de viagem. É preciso reservar um espaço só para o ônibus, retirar os estacionamentos nessas vias estruturais para fazer esses corredores do transporte coletivo e o trânsito fluir. 

É benéfico para o ônibus e para o carro, uma vez que os corredores exclusivos não representam diminuição de espaço para os demais veículos, mas sim uma reorganização espacial no trânsito em que a convivência de carros e ônibus seria harmoniosa, pois cada um teria seu espaço.

Os corredores para o transporte coletivo aperfeiçoam a operação no sistema, garantem regularidade nos horários e cumprimento das viagens programadas. Aliado às tecnologias de sincronização de semáforos, pontos de ultrapassagem intracorredores e/ou a redução de interseções transversais, entre outros, será otimizada a velocidade operacional dos ônibus. 

Com mais espaço para a circulação de ônibus nas faixas exclusivas, será possível aumentar o número de viagens. Isso vai reduzir o tempo de espera nos pontos e terminais de integração, e aumentar o conforto para o usuário dentro dos coletivos.