Goiânia: CMTC confirma mais 44 ônibus, mas para MP-GO é insuficiente

A operação nos terminais de ônibus do sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia recebeu incremento na frota. Foram incluídos nos horários de pico da manhã e da noite 44 ônibus que estão funcionando como curingas. Ou seja, eles não atuam em uma linha específica, mas ficam nos terminais e, quando uma determinada linha está em atraso, este veículo entra em ação para diminuir a fila de usuários. Segundo a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), o serviço foi iniciado na terça-feira, mas O POPULAR apurou que apenas ontem, no pico da manhã, os ônibus da espera entraram na operação.

Para o presidente da CMTC, Fernando Meirelles, essa mudança já vem surtindo efeito na operação. Ele teria ido com técnicos na manhã de ontem no Terminal Praça da Bíblia para verificar se o incremento na frota planejada estava sendo realizada, e ainda visitou posteriormente o Terminal da Praça A, em que ambos possuem linhas convencionais e do Eixo Anhanguera. Segundo disse, as empresas estão cumprindo a medida e não houve tumulto nas plataformas de embarque.

A explicação técnica para o uso dos ônibus nos terminais é para que se evite as aglomerações nas estações. Ou seja, é tentar solucionar o problema onde ele ocorre e não as causas. Assim, quando um veículo está em atraso no horário de pico, sob a argumentação do congestionamento do tráfego, o centro operacional das concessionárias verifica pela tecnologia que se tem nos ônibus. Ao mesmo tempo, essa informação é repassada às pessoas que monitoram as câmeras dentro dos terminais e essas verificam quais plataformas estão em maior demanda e, então, esses dados são cruzados.

Com os ônibus da espera, os técnicos do sistema de transporte verificam qual plataforma está com maior demanda e se esta possui o veículo mais longe do terminal e com pior condição de tráfego. Se assim for, o funcionário do terminal avisa ao motorista qual linha ele terá de fazer e, assim, ele assume o serviço, esvaziando a plataforma e a fila de espera dos usuários. Para os técnicos, é uma maneira de compensar, nos terminais, os atrasos provocados pelo trânsito, mas não resolveria o problema de quem já está dentro do veículo e precisa chegar ao terminal ou mesmo dos usuários nos pontos de embarque entre a localização do ônibus e a estação.

A medida atingiu apenas os terminais de maior movimentação, segundo o presidente da CMTC. Ficaram de fora as estações de Trindade, Goianira, Nerópolis e Vila Brasília, em Aparecida de Goiânia. Já os terminais que mais receberam ônibus em espera são o Praça A, no Centro de Goiânia, e o Bandeiras, na Região Sudoeste, ambos com cinco veículos. Fernando Meirelles, considera que a exigência da CMTC é mais uma melhoria antes da aprovação do reajuste da tarifa para R$ 4. Ele soma ainda a colocação de organizadores de fila nos terminais a partir de segunda-feira.

Insuficiente

A promotora Leila Maria de Oliveira, da 50ª Promotoria de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que no início da semana realizou recomendação para a CMTC com melhorias ao sistema de transporte coletivo antes do reajuste, não acredita que a medida anunciada pela CMTC seja suficiente para os usuários. Leila afirma que ainda deseja ver mais viagens sendo realizadas nos horários de pico da manhã e da noite nas linhas mais problemáticas.

“Na recomendação talvez eu tenha me equivocado ao falar de mais ônibus nas linhas, porque o mais importante é que se tenha mais viagens. O importante é que a quantidade colocada de mais cinco ônibus provocou essa discussão e é isso que precisamos para melhorar o transporte”, diz a promotora. Ela afirma ainda que, até então, não vê motivos para que a Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) convoque reunião para aprovação do processo de reajuste tarifário, já que as melhorias para o usuário ainda não estão a contento.

Fonte: O Popular