Anápolis: "Não existe BRT em Anápolis. Existem os corredores", diz CMTT

"BRT Anápolis"
Por Rafael Martins

Em 16 de novembro de 2015, este jornalista que vos escreve publicou no jornal Diário da Manhã que Anápolis não teria BRT, frente ao marketing da antiga gestão da Prefeitura nas obras de mobilidade da cidade.

Na edição desta sexta (07) em entrevista ao A Voz de Anápolis, o diretor-geral da CMTT, Carlos Toledo foi enfático: "Não existe BRT em Anápolis. Existem os corredores".

Segundo Toledo, quando fala-se no modal BRT, existem uma série de particularidades a serem consideradas que não se aplicam no caso dos corredores de ônibus em Anápolis, como faixa exclusiva com segregação física e pagamento antecipado nas estações antes do embarque.

"Os corredores estão avançados, mas faltam algumas definições. Existe também a questão de semáforo. Hoje, existem tecnologias para semáforos que fazem uma ligação com o fluxo de trânsito. Ele entende o fluxo, faz a leitura, e modifica para melhorar o trânsito. Os corredores estão andando", declarou ao semanário anapolino.

A cidade hoje não conta com um Plano de Mobilidade Urbana. Anápolis tem até abril de 2019 para concluir este plano, conforme uma medida provisória de outubro de 2016, que dilatou os prazos. Encerrado, a cidade fica impedida de receber recursos orçamentários federais destinados à mobilidade urbana até que atenda à exigência estabelecida na lei 12.587/2012, a Lei da Mobilidade Urbana.

O Plano de Mobilidade Urbana - PMU deverá contemplar os serviços de transporte público coletivo; a circulação viária; as infraestruturas do sistema de mobilidade urbana; a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e os não motorizados; a operação e o disciplinamento do transporte de carga na infraestrutura viária; os polos geradores de viagens; as áreas de estacionamentos públicos e privados, gratuitos ou pagos; as áreas e horários de acesso e circulação restrita ou controlada; além dos mecanismos e instrumentos de financiamento do transporte público coletivo e da infraestrutura de mobilidade urbana.

Todelo informou que quando assumiu a autarquia, solicitou um levantamento sobre o PMU; e a informação recebida era de que o mesmo estava inconsistente, incompleto, sem condições de ser publicado. "É outro tema que estamos conversando, para poder retomar este plano de mobilidade. Talvez leve um ano para acontecer, mas nós temos que ter esse plano finalizado", disse.

Entenda o projeto dos corredores

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O projeto básico dos seis corredores de ônibus em Anápolis contempla a implantação de faixas de tráfego para os ônibus com prioridade absoluta (faixas exclusivas junto ao canteiro central) nas Avenidas Brasil Norte e Sul; e Universitária e com prioridade induzida (faixas preferenciais à direita da via) nas Avenidas Pedro Ludovico; Juscelino Kubitscheck / São Francisco e Presidente Kennedy / Fernando Costa com a construção de estações de embarque e desembarque de ônibus na forma convencional (semelhante aos abrigos dos pontos de ônibus utilizados na região central da cidade).

Conforme especifica o projeto, a concepção dessas estações “prevê a implantação das instalações, junto ao canteiro central e/ou lateral com a adequação geométrica, funcional e acessibilidade. A implantação da plataforma central atenderá a um novo padrão, terá 96,00m de comprimento com largura de 2,50m. Esta plataforma receberá um módulo de abrigo com cobertura padrão, e cada módulo terá 10,00m de comprimento. Será implantada também nova travessia de pedestres em nível entre as plataformas do tipo lombofaixa [...] Quanto à forma do embarque e desembarque, não se propõe no projeto a alteração da tipologia da frota, permanecendo o acesso pelo lado direito dos ônibus”. 

Além disso, estas estações serão abertas como os pontos de ônibus comuns, mas com iluminação independente e placas de identificação de itinerário. A própria descrição operacional dos corredores já mostra que não é BRT como anunciado pela Administração Municipal, mas sim BRS.

Avenida Brasil Sul/Daia

Em específico, o caso da própria Avenida Brasil, principal corredor de transporte da cidade, o projeto diz que “num segundo momento, com uma inevitável reestruturação do transporte coletivo devido ao crescimento e a alterações na dinâmica da cidade, este corredor poderá abrigar uma linha troncal, alimentada por linhas mais curtas em terminais ou pontos específicos, mediante integração física ou eletrônica, conforme preconiza o modelo proposto no edital de licitação dos serviços”. 

Destaca-se aqui, que no próprio contrato de concessão entre a Urban e a Prefeitura, diz que a evolução do BRS na Avenida Brasil para um BRT trata-se de uma medida de médio à longo prazo, que dependerão da evolução das necessidades dos usuários e do próprio sistema de transporte coletivo municipal.

Nos corredores das Avenidas Brasil e Universitária a configuração será semelhante ao corredor da Avenida Goiás no trecho entre a Praça Cívica e Praça do Trabalhador em Goiânia, junto ao canteiro central, com plataformas de embarque/desembarque à direita dos coletivos, em que nessas paradas o piso dos ônibus é concreto, enquanto utiliza-se o asfalto comum no restante da via do corredor.

Na Avenida Brasil Sul/DAIA há 42 linhas de ônibus com uma média de 25 mil passageiros/dia. Ao todo, são propostas 15 estações localizadas a uma distância média de 480 metros uma da outra. Destas, 14 serão implantadas no canteiro central, sendo 9 frontais e 5 alternadas; completa o número a Estação Prefeitura que será a única junto à faixa da direita; e não junto ao canteiro central como as demais. Justifica-se esta posição, uma vez que a Estação Prefeitura estará entre os dois elevados que serão construídos longitudinalmente à Av. Brasil Sul, passando sobre os cruzamentos das avenidas Amazílio Lino Souza e da Av. Goiás.

Ainda sobre o BRS da Av. Brasil Sul, segundo o projeto, na avenida principal do DAIA serão 9 estações de parada com sua locação o mais próximo possível das rotatórias, de forma a reduzir a caminhada dos passageiros. A distância média entre as estações é de 670 metros. “A primeira estação proposta, Estação Trilhos, será construída junto à faixa lateral direita da via, de forma a poder abrigar instalações para controle operacional das linhas que ali retornam e, ainda, uma faixa para estacionamento de ônibus”.

Avenida Brasil Norte

Na Avenida Brasil Norte há 12 linhas de ônibus com uma demanda diária de 7 mil passageiros. Com o BRS da Avenida Brasil Norte será criada a terceira faixa ao logo dos dois sentidos da via, no qual foram propostas 9 estações com uma distância média de 500 metros entre elas. 

O projeto ainda destaca que “a Estação Rodoviária poderá ser frente a frente dada à disponibilidade de área no local, podendo se configurar, em médio prazo como um ponto especial para a integração física e eletrônica”.

Avenida Universitária

Com 10 linhas de ônibus que transportam em média 7 mil passageiros/dia; o BRS da Avenida Universitária terá 9 estações de parada, mantendo uma distância média de 470 metros entre duas subsequentes. 

De acordo com o projeto “a opção viável e sua implantação alternando as plataformas nos dois sentidos, de forma que remanesçam duas faixas para o tráfego geral a altura das paradas. Mesmo assim, é necessária a proibição do estacionamento e parada dos veículos nestes pontos, o que implicará numa redução de cerca de 20% nas vagas atuais”.

Avenida Presidente Kennedy/Fernando Costa

O serviço de transporte coletivo que atende a Av. Presidente Kennedy e Av. Fernando Costa possui 21 linhas com uma demanda diária de 15 mil passageiros. Com o BRS Pres. Kennedy/Fernando Costa; são previstas 14 estações de paradas com distância média de 430 metros. 

“A implantação de faixa preferencial para os ônibus, com estações de embarque e desembarque localizadas nas calçadas laterais, preferencialmente mediante a construção de um avanço na guia em 2 metros, exatamente igual à largura da faixa de estacionamento de veículos particulares a ser preservada. Esta solução é conveniente porque não impõe aos ônibus a necessidade de adentrar e sair de baias que exigem uma fiscalização recorrente para garantir a regulamentação de proibição de parada, além da dificuldade de os mesmos retomarem a faixa de rolamento em regime de fluxo constante”, detalha o projeto.

Avenida São Francisco/JK

O Corredor São Francisco/JK possui 18 linhas com uma média de 17 mil passageiros/dia. Com o BRS São Francisco/JK serão 8 estações sendo 3 na Av. São Francisco, localizadas a uma distância média de 430 metros e 5 estações na Av. JK com distância média entre duas subsequentes igual a 410 metros, sendo a última localizada próximo ao trevo da BR-060 e BR-153.

Avenida Pedro Ludovico

O último corredor, na Avenida Pedro Ludovico é também o de maior desafio para ser executado o projeto, uma vez que há um gargalo entre a Pecuária e o Residencial Porto Rico. Atualmente 18 linhas de ônibus transportam diariamente 14 mil passageiros. De acordo com o projeto BRS Pedro Ludovico, serão 19 estações para este corredor, à distância média de 450 metros uma da outra. São 13 frontais no trecho de pista dupla, e 6 necessariamente alternadas onde há pista única.

Setor Central

As vias da região central que têm a função de distribuição dos passageiros em mais de uma dezena de pontos de parada no Centro, também receberão obras de mobilidade semelhante ao dos demais corredores, resguardado suas particularidades, uma vez que possibilitam o acesso ao Terminal Urbano que se configura como o mais importante elemento da rede de transporte coletivo, já que praticamente todas as linhas ali se integram.