Goiânia: Queda na demanda de passageiros preocupa empresas de ônibus

HP Transportes - 20106
Por Rafael Martins

O SET - Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia - afirma que o setor passa por grave crise de crédito e a demanda, só no ano passado, teria caído em 12%. 

A informação, publicada na coluna O Giro do jornal O Popular, revelou também que o presidente da CMTC, Fernando Meirelles, pretende realizar estudos sobre a gratuidade de passagens no transporte público e sobre os corredores preferenciais na Grande Goiânia.

Dados da NTU mostram que a perda de passageiros na região metropolitana da capital foi a segunda maior do país, atrás apenas de Curitiba. Como todo o sistema de transporte é custeado pela tarifa, os investimentos ficam travados, como por exemplo a renovação da frota tão necessária na RMTC.

Números das empresas de ônibus mostram que em 2015, foram transportados quase 197 milhões de passageiros. Entretanto apenas 138,2 milhões são usuários equivalentes, que pagam 100% da tarifa. 23,4 milhões são passageiros de meia-tarifa como de linhas semiurbanas e estudantes com o Passe Escolar; e 34,7 milhões são usuários com 100% de gratuidade. Os dados do ano 2016 ainda estão sendo auditados pelas empresas.


A queda vertiginosa na demanda da RMTC preocupa os empresários de ônibus já que esse prejuízo vinha sendo financiado pelos bancos. O que ocorre hoje é que os bancos não estão mais financiando a crise do setor. A frota de ônibus, em sua maioria ano 2008, completa 9 anos em 2017. Apenas duas empresas realizaram uma tímida renovação em 2015, com um total de 90 ônibus zero-km.

As tarifas dos serviços de transporte coletivo urbano precisam manter um delicado equilíbrio entre a necessidade de garantir o equilíbrio econômico e financeiro dos sistemas e a capacidade de pagamento dos usuários diretos. Este tem sido um dos principais problemas dos gestores públicos nas grandes cidades brasileiras.

Os operadores, públicos ou privados, devem ser remunerados pelo serviço que prestam de forma a garantir a cobertura dos seus custos administrativos e operacionais, acrescidos de uma justa remuneração pelo capital investido. O equilíbrio econômico financeiro dos contratos não é um problema exclusivo dos operadores, mas sim uma condição necessária à garantia de prestação de um serviço adequado.

Na absoluta maioria dos casos a única fonte de recursos para isto são as tarifas pagas pelos seus usuários diretos, ao contrário dos países desenvolvidos onde há significativos subsídios públicos para o transporte coletivo. Leia-se neste caso que a subvenção é no sistema e não para um grupo de usuários. Toda a sociedade arca com os subsídios.

Atualmente, com o crescimento dos custos operacionais e com a queda de demanda, os questionamentos sobre os problemas de financiamento da prestação dos serviços de transporte coletivo urbano ganharam espaço. Neste ambiente, muitos questionam a conveniência e a justiça social da permanência dos modelos de tarifa única, alegando o crescimento exagerado do custo médio das viagens, ou seja, apesar de a tarifa ser única, ela é cada vez mais cara. A ampliação da possibilidade de implantação de sistemas tarifariamente integrados, a partir da disseminação dos sistemas de bilhetagem eletrônica, ampliou essa discussão.

Outro desafio estrutural das políticas tarifárias é o estabelecimento de uma remuneração justa a todos os operadores da cidade (quando há mais de um operador na cidade), considerando que cada lote de serviços tem seus custos e receitas específicos. Mais uma vez esse problema se agrava nas cidades que possuem algum tipo de integração tarifária. Surgem então diversos modelos de sistemas de compensação de receitas (pagamento por serviço, câmaras de compensação tarifária, fundos de financiamentos etc.).

Porém, esta não é a realidade na maioria das cidades brasileiras, nem aqui na Região Metropolitana de Goiânia. As tarifas hoje pagas pelos usuários, de fato, não conseguem arcar com o todos os custos, sequer com investimentos a serem feitos. É preciso separar o que é a tarifa ser paga pelo usuário da tarifa de remuneração dos serviços. Hoje elas compõem e integram um único cálculo. Com isso, travam-se investimentos maiores na área, em que se houvesse subsídio, poderiam ser aplicados na melhoria e qualidade dos serviços.