Goiânia: Pesquisa aponta que sistema de transporte coletivo é tecnológico, mas falta conforto

No quesito tecnologia, o transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia recebeu investimentos e avançou. Mas, se tratando de segurança e conforto, deixa a desejar. É o que revela pesquisa coordenada pelo doutor em Transportes Willer Luciano Carvalho. Foram escalonados 25 atributos do sistema, numa escala de 0 a 5, e a média global dos entrevistados foi de 2,85. Ou seja, na percepção dos usuários, o serviço é avaliado como regular. Para chegar a este resultado 2,4 mil pessoas participaram da coleta de dados em 21 terminais da Rede Metropolitana.

Os dados foram apresentados, ontem, no seminário Mobilidade Urbana: Acessibilidade, Gestão Urbana e Política Tarifária realizado no auditório da sede do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Carvalho, também professor adjunto e vice-coordenador do curso de graduação em Engenharia de Transportes da Universidade Federal de Goiás (UFG), encabeçou a pesquisa de avaliação da percepção do usuário do transporte, que traz como itens piores avaliados a segurança na viagem, como o risco de assaltos, a lotação e o conforto dos veículos.

Por outro lado, os pontos positivos foram o uso do cartão de embarque, a distância percorrida até o ponto de embarque e a qualidade dos aplicativos e site para acompanhar as linhas de ônibus em tempo real. “Nós avaliamos neste estudo a percepção do usuário e não a qualidade do serviço. Essa percepção é um dos componentes para que os responsáveis pelo serviço possam interferir e tomar a decisão mais acertada”, ressalta Carvalho.

Demandas

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor do MP-GO, Alessandra Melo, destaca que o estudo analisou 25 atributos do sistema de transporte. “Podemos mudar a forma de atuação. Sair do geral e começar pelas demandas regionalizadas. Atacar primeiro os pontos mais fáceis de serem transformados para depois seguir ao geral”, argumenta.

Ela cita como exemplo que 4,1% dos usuários ouvidos se declararam como portadores de necessidades especiais. Para essa parcela, no entanto, a avaliação geral do serviço é de 2,78. Entre os atributos, a acessibilidade (PCD) nos terminais e nos ônibus, conforme todos os entrevistados, foi avaliada em 2,87 e 2,8 respectivamente.

Participaram da coleta de dados alunos da UFG, do Instituto Federal de Goiás (IFG) e servidores e estagiários do Procon Goiânia, entre 15 de novembro e 13 de dezembro de 2016 em todos os dias da semana e horários. A pesquisa foi voluntária.

Quesito segurança é lembrado por usuários

Dentre as cinco piores avaliações nos 21 terminais da Rede Metropolitana, duas vieram do Terminal Vera Cruz. A qualidade e conservação dos abrigos recebeu nota 1,38, enquanto a segurança na viagem (assalto) foi avaliada com 1,61. O diretor técnico de operações da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Walter Silva, acredita que, para o primeiro item, um reparo simples pode melhorar a situação. “Pequenos reparos. Subir a plataforma que não estava adaptada para os ônibus que foram prorrogados do Eixo Anhanguera. Além disso, eles não deveriam adentrar ao Vera Cruz. Precisava estar às margens da rodovia para uma melhor movimentação.”

Já a segurança é considerada por ele como um tópico mais sério. “Não é afeto ao município, porque é problema de polícia, mas é desejo do prefeito Iris Rezende integrar nos terminais a Guarda Civil Metropolitana. O item segurança é uma percepção que todos têm e está um caos.

Sobre a avaliação regular, o diretor confessa que “estava preparado para uma avaliação pior. O mais importante não é o grau de satisfação, mas apontar o que precisamos melhorar de imediato. O estudo vai impactar diretamente no nosso trabalho. Olhei alguns itens que nós temos que atacar com preferência.

O diretor executivo da Redemob Consórcio, Leomar Avelino, comentou apenas que o “consórcio já realiza estudo semelhante desde 2013” e se disse “contente com o uso do aplicativo que foi bem avaliado”. O seminário Mobilidade Urbana teve participação do colunista dos jornais O Estado de São Paulo e O POPULAR e consultor de jornalismo da TV Cultura Washington Novaes, que comentou sobre os desafios da mobilidade.

Fonte: O Popular