Goiânia: Iphan contesta mudança no BRT sugerida por Iris

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás, Salma Saddi, classificou com imprudente a sugestão do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), de alterar o trajeto do BRT – Norte Sul, com pontos de embarque e desembarque antes da Avenida Independência e nas imediações da Praça do Cruzeiro, sem passar pela Avenida Central.

Pela proposta do prefeito, não haveria a interligação entre a região norte da capital a partir do terminal Recanto do Bosque, ao terminal Cruzeiro, em Aparecida de Goiânia, como está previsto no projeto executivo original para a implantação do Transporte Rápido por Ônibus.

“Mudar o rumo do BRT é uma temeridade a essa altura do projeto”, disse Saddi, em audiência pública realizada ontem na Câmara de Goiânia, promovida pela Comissão Especial Temporária criada para fiscalizar a obra. Segundo ela, as alterações solicitadas pelo Iphan ao Consórcio que está construindo a obra foram atendidas, e que nada mais impede a implantação do sistema viário. “O Iphan é completamente favorável à mobilidade urbana, pois o transporte público é muito ruim. Que o BRT saia logo, pois não se pode retroceder”.

Na visita que fez à Câmara, no dia 20 de fevereiro, para prestar contas referentes ao terceiro quadrimestre de 2016, o prefeito defendeu a mudança de rota para preservação da Avenida Goiás, e classificou o BRT como trambolho de concreto. Iris justificou a alteração afirmando que não havia demanda de passageiros da região norte da capital a Aparecida de Goiânia, e vice-versa. Para ele, todos os usuários desembarcam no centro da cidade.

O engenheiro Benjamin Kennedy Machado da Costa, da Unidade de Coordenação do BRT, mostrou sua discordância com as alegações do prefeito, e disse que é grande a demanda tanto de quem sai da região Norte quanto os usuários que moram em Aparecida. Segundo ele, não há risco de desfiguração da Avenida Goiás

O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Adriano Reis, afirmou que não se pode admitir retrocesso na implantação da obra. Da mesma forma, o representante do governo estadual, Carlos Maranhão, defendeu a continuidade do projeto, como novas adequações, caso haja necessidade, para preservar o centro histórico. Quem também se posicionou contra qualquer alteração no projeto executivo foi o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea-Go), Francisco de Almeida.

“Como um representante de um órgão técnico o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) de Goiás não aceitará qualquer alteração no projeto original”, defendeu com veemência o presidente da entidade, Francisco de Almeida. Expôs que para ser aprovado o projeto passou pelas mãos de vários técnicos e órgãos fiscalizadores os quais deram pareceres favoráveis à obra.

Autor da criação da Comissão Especial Temporária, o vereador Alysson Lima (PRB) lamenta a paralisação da obra, que está avaliada em R$ 340 milhões. Benjamin Costa explicou que os trabalhos estão parados porque a prefeitura ainda não pagou a contrapartida que cabe a ela. Já o também vereador Vinícius Cirqueira (Pros), que mediou a audiência pública, disse que a ideia de realizar o evento se deu por conta da proposta de Iris Rezende.

Tombamento

O conjunto urbano de Goiânia, que foi tombado pelo Iphan, em 2003, inclui 22 edifícios e monumentos públicos, com maior concentração no centro da cidade. Estão relacionados a Torre do Relógio na Avenida Goiás, Praça Cívica, Estação Ferroviária, Teatro Goiânia, Prédio da Procuradoria-Geral do Estado, Grande Hotel, Coreto da Praça Cívica, fontes luminosas, Palácio das Esmeraldas, Fórum e Tribunal de Justiça e Colégio Lyceu. Em outras regiões, foram tombados a Capela de Nossa Senhora das Graças e a de São José, Casa de Cultura Altamiro de Moura Pacheco, Centro Cultural Gustav Ritter e Cemitério Santana.

O BRT terá 21,8 quilômetros de extensão, ligando as regiões norte (Terminal Recanto do Bosque) e sul (Terminal Cruzeiro), passando pela Avenida Rio Verde, 1ª e 4ª Radial, Rua 90, Avenida Goias, Avenida Horácio Costa e Silva, Rua Tapuios, Avenida Genésio de Lima Brito, Avenida dos Ipês, Avenida Lúcio Rebelo, Rua Oriente e Avenida Mangalô. No total, abrande 148 bairros. A maioria dos recursos vem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC da mobilidade Grandes Cidades). Apenas 30% da obra já foi concluída.

Fonte: O HOJE