Goiânia: Apresentação de pesquisa com usuários do transporte coletivo da Grande Goiânia é destaque em seminário

A divulgação dos resultados de uma pesquisa de avaliação da percepção dos usuários do transporte coletivo da Região Metropolitana foi um dos destaques do Seminário Mobilidade Urbana: Acessibilidade, Gestão Urbana e Política Tarifária, realizado nesta sexta-feira (3/3), no auditório do Ministério Público de Goiás. O levantamento foi realizado numa parceria entre o MP, a Universidade Federal de Goiás (UFG), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Procon Goiânia, e abrangeu uma amostra de 2.416 entrevistados, ouvidos no período entre 15 de novembro e 13 de dezembro de 2016 (confira aqui a íntegra da apresentação).

Os resultados obtidos na pesquisa e as explicações sobre a metodologia utilizada foram o tema da apresentação feita pelo vice-coordenador do curso de graduação em Engenharia de Transportes da UFG, professor Willer Luciano Carvalho, dentro da programação do evento, logo após a conferência inaugural, feita pelo jornalista Washington Novaes.

Willer Luciano coordenou o levantamento, que foi feito com o trabalho voluntário de 16 alunos da UFG (Engenharia de Transportes e Engenharia Civil), 15 alunos do IFG, 1 aluno da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e 9 servidores e estagiários do Procon Goiânia. Para a coleta de dados, ressaltou o professor, a equipe contou ainda com o apoio da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) e do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (SET).

Ao detalhar o levantamento, Willer Luciano fez questão de enfatizar que o objetivo da pesquisa foi a de aferir a percepção do usuário sobre o transporte coletivo da região metropolitana e não fazer uma avaliação mais ampla sobre a qualidade desse serviço, o que é mais complexo e envolveria outros indicadores. Nesse sentido, salientou que foram considerados no questionário 25 quesitos para avaliar essa percepção, envolvendo aspectos como estado de conservação dos veículos, tempo de deslocamento para os pontos, tempo de espera pelos ônibus, sensação de segurança, uso do cartão de embarque, qualidade dos aplicativos e sites, entre outros.

A pesquisa também coletou informações sobre o perfil do usuário, com indicadores como escolaridade, renda, sexo, faixa etária e se era ou não pessoa com deficiência, bem como sobre o perfil dos deslocamentos, dados esses que foram utilizados na análise global do levantamento. De qualquer forma, explicou o professor, os resultados obtidos mostraram bastante homogeneidade, sem variações de impacto na maior parte dos quesitos.

Conclusões

Entre as conclusões extraídas da pesquisa está a nota global do serviço prestado, que alcançou 2,85, próxima do conceito considerado como regular, que é 3. Das respostas coletadas, nenhum quesito ficou com média global igual ou superior a 4 (bom) nem inferior ou igual a 2 (ruim), o que sinaliza que a percepção geral dos usuários é de um serviço dentro do conceito regular. Os itens mais bem avaliados foram o uso do cartão de embarque (3,52), a distância de caminhada até o ponto de embarque (3,33) e a qualidade dos aplicativos e sites (3,33). Já os itens com pior avaliação foram a segurança na viagem (2,23), a lotação dos veículos (2,23) e o conforto do veículo (2,39).

Ao comentar o trabalho realizado, Willer Luciano destacou a relevância da pesquisa, pontuando que ela traz subsídios que podem contribuir para o planejamento da área e para a adoção de ações efetivas em busca da melhoria da percepção do usuário. Segundo observou, a partir dos dados levantados é possível definir medidas para o enfrentamento mais direto dos aspectos apontados como falhos pela própria população. Mas ponderou que esse é apenas o primeiro passo de um trabalho mais amplo de avaliação, que deverá envolver outros indicadores.

Ainda sobre a importância da pesquisa, a promotora Alessandra de Melo Silva, coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor do MP, ao responder a questionamentos, garantiu que o levantamento será uma ferramenta de grande utilidade para orientar o trabalho do Ministério Público e que, inclusive, há perspectiva de mudança de enfoque na atuação em relação ao tema, a partir do que foi mostrado no estudo.

Conferência de abertura

Antes da conferência de abertura e da apresentação da pesquisa, houve a saudação ao público pelos representantes das instituições organizadoras do evento. Em nome do MP-GO, o procurador-geral de Justiça, Lauro Machado Nogueira, deu as boas-vindas aos participantes e recordou que o evento integra um projeto mais amplo do MP, o Mobilidade Metropolitana, lançado em 2016 e que começou a ser estruturado em 2013, motivado pelas manifestações populares contra o aumento da tarifa do transporte coletivo que sacudiram o País.

Como desdobramento desse trabalho, surgiu a necessidade, explicou o procurador-geral, de se coletar dados mais precisos sobre o tema, o que resultou na pesquisa apresentada no evento. Esse estudo, sublinhou Lauro Nogueira, servirá para nortear não só as ações dos gestores do sistema de transporte, mas também para direcionar a atuação do MP. Também fizeram saudações ao público o professor Willer Luciano e o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-GO), Francisco Almeida.

Na conferência inaugural, o jornalista e ambientalista Washington Novaes foi convidado a falar sobre os desafios da mobilidade urbana. A partir de um apanhado sobre os grandes dilemas da vida nas grandes cidades, sobretudo os que envolvem os aspectos urbanísticos e ambientais, o conferencista foi enfático em defender que o momento atual exige uma mudança no campo político, que possibilite aproximar a população do centro das decisões sobre políticas públicas. Conforme salientou, não basta apenas garantir a representatividade eleitoral, mas é fundamental assegurar que as comunidades sejam ouvidas sobre temas que as afetam diretamente, como a mobilidade urbana, a ocupação do espaço público, entre outros temas.

Painéis

O planejamento da gestão urbana, a acessibilidade e a política tarifária foram os destaques dos painéis apresentados no seminário no período da tarde. Abrindo a programação vespertina, o debate sobre o tema Planejamento da Gestão Urbana e seus Reflexos na Mobilidades trouxe exposições das professoras Rosana Melo de Lucas Brandão, da PUC Goiás, e Erika Cristine Kneib, pesquisadora na UFG.

Em seguida, a promotora de Justiça do Rio Grande do Norte Rebeca Monte Nunes Bezerra falou sobre Mobilidade e Acessibilidade. Concluindo a programação, o diretor técnico da CMTC, Walter Pereira da Silva, e a professora da UnB Yaeko Yamashita discutiram a Política Tarifária.

Fonte: MP-GO | Fotos: João Sérgio, Karine Almeida e Ketlen Lomazzi