Goiânia: Iris chama BRT Norte-Sul de “trambolho de concreto” e quer alterar projeto. CEI do BRT é protocolada na Câmara

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), avisou aos vereadores que pretende alterar o projeto do BRT Norte-Sul — uma das principais obras e o maior investimento em mobilidade da história da capital, iniciada na gestão passada.

Segundo o decano peemedebista, não é preciso que haja integração entre Aparecida de Goiânia e a Região Norte da capital, pois o fluxo de ambas seria o mesmo: o Centro.

“Vamos violentar a Avenida Goiás se não se justifica tanto? […] Por que violentar a Praça Cívica com esse trambolho de concreto? Para que? Estragar o canteiro do Centro? Na minha opinião pessoal, teríamos que fazer dois BRTs: um da região Norte até a rodoviária e o outro nos ligando Aparecida”, disse ele durante a prestação de contas na Câmara.

Apesar do posicionamento controverso, Iris disse que ainda não há nada definido, que está em discussão junto ao setor produtivo e quer participação dos vereadores. “Temos que preservar o Centro… As futuras gerações não vão nos perdoar por isso”, arrematou.

A obra

Patrocinada pelo governo federal, a obra do BRT é um dos principais projetos da gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT). O corredor exclusivo de transporte coletivo terá 21,8 quilômetros de extensão, do Terminal Cruzeiro do Sul, em Aparecida de Goiânia, até o Terminal Recanto do Bosque, na Região Noroeste de Goiânia. Serão 148 bairros atendidos, com expectativa de 120 mil usuários por dia.

Segundo o projeto, não somente vai mudar o transporte coletivo de Goiânia, mas também influenciará no aspecto urbanístico da cidade. As calçadas, por exemplo, serão refeitas, padronizadas com acessibilidade total dentro de critérios ambientais. A obra vai impactar na organização do trânsito e proporcionará mais segurança viária, já que todo o trecho receberá nova iluminação, sensores e câmeras de monitoramento com funcionamento 24 horas.

Orçado em R$ 242,4 milhões, este é o maior investimento em mobilidade urbana da história de Goiânia e deverá corrigir o desequilíbrio existente no sistema de transporte da capital, já que a maioria dos corredores da cidade é no sentido Leste-Oeste. O projeto prevê um corredor exclusivo e vai demandar a construção de três novos terminais (Correios, Rodoviária e Perimetral), além da reconstrução dos terminais Isidória e Recanto do Bosque, mais a adaptação do terminal Cruzeiro. Ao todo, serão 39 estações de embarque e desembarque com atendimento em 148 bairros de Goiânia e Aparecida de Goiânia.

A frota completamente nova será composta por 82 veículos, dos quais 30 serão articulados e outros 52 convencionais, capazes de transportar até 12 mil passageiros por hora em horário de pico. O Centro de Con­trole e Monitoramento será responsável pelo domínio dos horários das viagens nos terminais, supervisão da operação das linhas, entre outras atividades de inspeção operacional. Haverá, ainda, o serviço de informação eletrônica aos passageiros, segundo o projeto original.

A obra do BRT Norte-Sul estava prevista para ser entregue em março deste ano, mas foi postergada para o final de 2017 e, como não há orçamento, segue sem prazo para conclusão.

CEI do BRT

Mais um pedido de Comissão Especial de Inquérito (CEI) foi protocolado na Câmara Municipal de Goiânia. Nesta terça-feira (7/2), o vereador Alysson Lima (PRB) apresentou requerimento com mais de 20 assinaturas para investigar o Bus Rapid Transit (BRT) Norte-Sul.

Um dos principais projetos da gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT), o corredor exclusivo de transporte coletivo tem 21,8 quilômetros de extensão, do Terminal Cruzeiro do Sul, em Aparecida de Goiânia, até o Terminal Recanto do Bosque, na Região Noroeste de Goiânia. Serão 148 bairros atendidos, com expectativa de 120 mil usuários por dia.

O BRT começou a ser construído em fevereiro de 2015, por meio de uma parceria entre o governo federal, da então presidente Dilma Rousseff (PT), e a prefeitura da capital. Os recursos, estimados inicialmente em R$ 390 milhões (atualizados para R$ 409 milhões em 2016), advinham do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), com contrapartida da gestão municipal. No entanto, com a crise político-econômica, os repasses federais deixaram de ser feitos e a obra foi paralisada no final do último ano.

E é justamente isso que Alysson Lima pretende investigar: “Como não há prestação de contas, nem justificativas devidamente fundamentadas, embasadas em documentos hábeis e idôneos capazes de tirar dúvida sobre a forma de contratação […], necessário se faz que se apure todos os fatos, até mesmo para que se evite injustiças em relação à gestão anterior”.

Durante discurso na sessão desta terça (7), o vereador afirmou que pretende convidar o ex-prefeito Paulo Garcia e o presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) para prestar esclarecimentos sobre a obra. “Não se pode admitir que uma obra pública de fundamental importância para a capital, se prolongue no tempo por prazo indeterminado causando transtornos imensuráveis à população”, completou.

A obra do BRT Norte-Sul estava prevista para ser entregue em março deste ano, mas foi postergada para o final de 2017 e, como não há orçamento, segue sem prazo para conclusão. “Se continuar desse jeito, vai virar o VLT de Cuiabá, que está parado, um grande elefante branco e símbolo de desperdício do dinheiro público”, alertou o vereador.

No final de sua fala, Alysson Lima ainda comparou os recursos previstos para o BRT Norte-Sul com o valor de um ônibus comum: “Fiz uma investigação aqui e com os 340 milhões previstos, daria para comprar cerca de 1.133 ônibus novos”.

Fonte: Jornal Opção