Entorno DF: Valparaíso licita transporte coletivo na próxima terça-feira (7)

Por Rafael Martins

Com o edital lançado no final de dezembro de 2016, a Prefeitura de Valparaíso vai licitar na próxima terça-feira (7), o seu transporte coletivo. A permissão da Cootranride, atual cooperativa, venceu em maio de 2016; e desde então opera com autorização precária até a conclusão do certame.

A municipalidade vai selecionar a proposta mais vantajosa, apresentada por empresa, cooperativa ou consórcio de empresas, para outorga da concessão do serviço de transporte coletivo, em todo o sistema regular municipal, compreendendo: a operação e manutenção do serviço de transporte coletivo; a implantação, disponibilização e operação de Sistema de Bilhetagem Eletrônica – SBE e de Sistema de Controle da Operação e Informação ao Usuário – SIU.

O critério para a escolha da vencedora da licitação será o de menor tarifa. Propostas acima da tarifa-teto, de R$ 2,70, serão descartadas automaticamente.

O valor da outorga é fixo, e deve ser pago no dia da assinatura do contrato em parcela única, no valor de R$ 375.000,00. O contrato tem validade de 10 anos, renovável por igual período.

Rede de transporte atual

Um dos maiores entraves na mobilidade em Valparaíso é a BR-040; que divide a cidade ao meio de norte a sul; dificultando a integração entre os setores sentido leste-oeste. A ausência de um número maior de acessos ao longo do perímetro urbano da rodovia impede uma maior capilaridade da rede de transporte, já que 60% da cidade é atendida pelo transporte coletivo. A meta com a licitação é chegar em 70%.

A rede de transporte da cidade é composta por 11 linhas do tipo diametral, com trajeto circular. O atual desenho das linhas acaba prejudicando bastante a mobilidade interna por transporte público com perda de eficiência, haja vista que não é proporcionada a possibilidade de deslocamento nos dois sentidos (ida e volta) pelo mesmo trajeto ou em vias paralelas.

Segundo o edital de concessão, a solução adotada pela Cootranride para minimizar esse efeito consiste em operar as linhas pares no sentido anti-horário e as linhas ímpares no sentido horário, havendo assim, uma compensação operacional tanto para o operador quanto para o passageiro.

Apesar dos coletivos da Cootranride serem equipados com bilhetagem eletrônica, não existe a integração temporal. A integração em Valparaíso dá-se por um terminal improvisado, sem cobertura ou qualquer infraestrutura, no Céu Azul. O local tem a função de realizar a integração física, sem o pagamento de uma segunda passagem no segundo embarque, porém nem todas as linhas acessam este terminal.

Devido ao desenho das linhas, do tipo diametral circular, a extensão média das linhas atuais é de 47,66 km, considerando o percurso completo das linhas circulares (ida e volta); o que torna o custo operacional elevado e baixa eficiência e desequilíbrio no atendimento. Hoje, 29 micro-ônibus do ano 2010 atendem os passageiros da cidade.


A característica existente do transporte, utilizando o modelo de linhas circulares, conduz à necessidade de ofertar linhas com maior frequência para compensar os grandes percursos nas regiões que possuem maior demanda. 

Essa condição gera um conjunto de linhas principais sobre as quais reside a função de atendimento dos corredores estruturantes da cidade (caso das linhas 1 e 2), e um conjunto de linhas que são operadas para manter o atendimento e a mobilidade das áreas menos solicitadas (caso das linhas 2.2, 4.10, 5, 6). A operação ainda conta com 5 linhas que realizam apenas 1 viagem.

O que muda

Para corrigir esses desequilíbrios, uma nova rede de transporte foi desenhada, com cobertura de 70% da cidade. A rede foi otimizada em seis linhas de ônibus. A quilometragem média das linhas rede caiu de 47,66 km para 25,60 km. 

O tempo médio de percurso completo (ida e volta) das linhas na hora pico indica um valor médio de 1h49min. Com a nova rede, e o ajuste da demanda/oferta, o tempo médio caiu de para 1h.

A tabela abaixo mostra a rede de linhas a ser licitada, que consistiu na consolidação da rede atual eliminando as linhas circulares em detrimento à criação de linhas radiais e de uma linha circular, que irão interligar os principais polos geradores de viagens, durante todo o dia, racionalizando os serviços.


A lógica operacional da nova rede tem como base a formulação de princípios que aumente a eficiência dos veículos, reduzindo os custos do transporte e consequentemente aumentado a produtividade do sistema, eliminando a sobreposição de itinerários, sobretudo na área central.

Não houve alteração no sistema de transporte de forma estrutural, mantendo-se os trajetos das linhas, porém alterando suas características – de “circular” para “radial”. Por sua natureza de captação e distribuição de demanda, criou-se a Linha 06, de característica “circular”.

A frota da nova empresa será de 25 veículos operacionais, sendo 12 midiônibus, 9 micro-ônibus, e 4 veículos reservas. A idade média admitida da frota durante a execução do contrato deve ser menor ou igual à 5 anos. A idade máxima individual de cada veículo é de 10 anos para o midiônibus, e 7 anos para micro-ônibus. Toda a frota deverá estar equipada com GPS.

Com a modernização da bilhetagem eletrônica, a implantação da CCO e do SIU, e a nova conformação das linhas a serem licitadas, buscam melhorar a produtividade do sistema e tornar a rede mais racional e lógica, com regularidade, pontualidade e otimização do tempo de percurso do passageiro, cujos resultados serão obtidos com a implementação de solução de tecnologia, de planejamento e de gestão.