DF: Gasto com manutenção cai, e falhas no metrô disparam em 2016

Com a passagem mais cara de todo o país, o metrô do Distrito Federal teve os serviços interrompidos por pelo menos 54 vezes em 2016. Relatório obtido com exclusividade pelo G1 revela que o número de "incidentes notáveis" – quando os vagões param por mais de 15 minutos em horário de pico, ou 20 minutos em horário normal – aumentou 14,89% em relação a 2015.

Ao mesmo tempo, o investimento em manutenção foi reduzido quase pela metade. Em 2015, foram 47 incidentes notáveis, e o Metrô empregou R$ 99 milhões na manutenção. Em 2016, o valor usado para o mesmo tipo de serviço foi de "apenas" R$ 45 milhões.

Em entrevista ao G1, o diretor de Operação e Manutenção do Metrô-DF, Carlos Alexandre da Cunha, admitiu o aumento de falhas significativas. Mas, segundo ele, a soma total de falhas teve redução de 25%. O diretor também afirmou a diminuição do valor gasto em manutenção não quer dizer "que o investimento foi menor”.

De acordo com gestor, a diferença entre os contratos para manutenção do metrô se deve ao fato "provavelmente dos contratos anteriores, que já estão sendo judicializados, apresentarem sobrepreço". "Nos contratos de agora, esse é um preço real", disse.

“Passamos por três transições de contrato. Quando se tira um grupo de empresas e coloca outras para gerenciar isso traz realmente um prejuízo. Além disso, nosso sistema é obsoleto.”

Cunha diz ter "esperança" de que a situação melhore em 2017. Segundo ele, o Metrô do DF assinou quatro contratos no valor de R$ 20 milhões para investir na modernização dos sistemas de transmissão de dados, telefonia, rádio e sonorização – o que deverá, segundo ele, melhorar a prestação de serviço.

Apesar da previsão de Cunha, o metrô já apresentou falhas de longa duração em 2017. Na última quinta-feira (2), um problema deixou o serviço interrompido por 40 minutos. Segundo a direção, uma falha no sistema de transmissão de dados impediu o funcionamento regular nas estações Asa Sul e na região da Estrada Parque. Fora da área afetada, a estação Central teve o embarque suspenso.

Em janeiro, o sistema também apresentou problemas. Na manhã do dia 11, uma falha de sinalização provocou atraso no embarque de passageiros. Segundo a companhia, a situação ocorreu entre as estações Arniqueiras e Águas Claras, atrapalhando o fluxo de trens entre 7h e 8h.

Aumento da passagem

Desde 2 de janeiro deste ano, a passagem do metrô custa R$ 5 no DF. A tarifa subiu R$ 1 no primeiro dia útil de 2017, valor que corresponde a uma alta de 25%. O governo diz que o reajuste foi necessário para continuar custeando a gratuidade de estudantes e pessoas com deficiência. A mudança causou protestos de passageiros e de deputados.

Questionado se uma viagem de metrô "valeria" os R$ 5 pagos no DF, frente ao alto índice de problemas, o diretor disse que o preço do tíquete ajuda a diminuir o subsídio pago pelo governo. Segundo ele, o valor é decidido com base em uma “planilha de custos”.

Com 24 trens, o Metrô funciona entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h e 19h aos domingos e feriados. A média é de 170 mil passageiros por dia. O sistema tem 42,3 km de extensão e liga Ceilândia e Samambaia ao Plano Piloto. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 30 mil pessoas por dia.

Fonte: G1 DF